Devaneios a Oriente

Segundo sistema em julgamento - 16Jan2018 02:28:00


Começa hoje o julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang estando ambos acusados da prática de crime de desobediência qualificada.
Um julgamento que pode inclusivamente conduzir ao afastamento da Assembleia Legislativa de um dos poucos deputados eleitos directamente pela população.
Logo ali ao lado, nessa mesma Assembleia Legislativa, vota-se uma Resolução de todo desnecessária e absolutamente infeliz.
Na zona dos lagos da Nam Van, mais que Sulu Sou e Scott Chiang, pode dizer-ser que vai hoje a julgamento o segundo sistema em Macau.
Os Tribunais e a Assembleia Legislativa têm hoje a responsabilidade de dizer claramente o que pensam acerca desse segundo sistema e da sua aplicação a Macau, do que querem que seja a Região Administrativa Especial de Macau hoje e no futuro.
Um dia muito importante para Macau, para o princípio ?um país, dois sistemas?, um dia que pode muito bem ser o primeiro dia do resto das nossas vidas.
Esperemos que haja bom senso nas sedes do Legislativo e do Judicial para que se possa dar continuidade sem mais sobressaltos a essa experiência política única que resultou da visão genial de Deng Xiaoping.


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/segundo-sistema-em-julgamento.html

Narcos 2018 (Ricardo Araújo Pereira) - 16Jan2018 02:19:00



Foi um dos casos mais graves da minha carreira e afectou a nossa unidade para sempre. Estávamos em Janeiro de 2018, escassos dias após a publicação em Diário da República do despacho nº 11391/2017, que limitava a venda de produtos prejudiciais à saúde em bares e cafetarias de instituições do Ministério da Saúde. Salgados, pastelaria, charcutaria e refrigerantes tinham sido banidos desses espaços, para estimular hábitos de alimentação saudáveis. Eu, Javier Peña, e o meu colega Steve Murphy, fomos enviados pela DEA americana para ajudar Portugal na luta contra os fritos e as gorduras saturadas. A nossa primeira missão, que seria também a última, foi vigiar a cantina do Hospital de Santa Maria. À primeira vista, estava tudo bem: a cantina vendia apenas frutas, legumes e vários produtos desenxabidos. Mas os frequentadores do hospital pareciam manter uma certa felicidade bastante suspeita, e o Ministério mandou investigar. No princípio, não demos por ele. João Diogo Dias vinha visitar uma tia, operada a uma hérnia. De repente, na ala em que a tia estava internada, os outros doentes começaram a ficar mais alegres. Riam alto, conversavam, não tinham qualquer intenção de impingir uns aos outros receitas de batidos verdes. Era óbvio que não estavam a seguir uma alimentação saudável. O Murphy ofereceu-se para se infiltrar à paisana e descobriu tudo. Dias depois, João Dias estava sentado à minha frente na sala de interrogatórios, depois de ter sido apanhado na posse de um tupperware com 10 croquetes, cinco rissóis e três empadas.
? Sr. Dias ? disse eu ?, sabe qual é a pena para quem trafica salgadinhos?
João Dias não respondeu.
? Isto mata, sr. Dias. Os seus são especialmente perigosos, porque são caseiros.
? Não é tráfico, eu trouxe-os para a minha tia. Os outros doentes pediram-me e eu ofereci.
? Sabemos como isto funciona, sr. Dias. Os primeiros são oferecidos, até os clientes ficarem agarrados ao rissol. O meu colega, que se infiltrou à paisana, e a quem ofereceu dois croquetes, está neste momento a fazer análises. O colesterol dele subiu dois pontos. Dois pontos, sr. Dias. E está perdido. Não creio que possa voltar a trabalhar. Quando o levaram para a clínica, gritava ?Deixem-me só provar as chamuças!?, e também ?Aquilo deve ir bem é com uma imperial fresquinha!? Ele nem sequer é português, sr. Dias.
? Eu só queria animar a minha tia. Ela gosta de croquetes.
? O problema é que isto não é um produto inofensivo que possa ser usado para fins médicos, como a marijuana.
? Se eu tivesse marijuana no tupperware deixavam-me ir?
? Claro. Estamos inclusivamente a estudar uma proposta de legalização. Isto dos croquetes é que é muito nocivo. Mas nós não estamos interessados em si, sr. Dias. Sabemos que é apenas o correio. Se nos disser quem produz estes croquetes, não o acusaremos. O nosso laboratório diz que os seus croquetes são dos mais puros que eles já viram: carne a sério, refogado puxadinho, pedaços de chouriço. Quem os fez sabia o que estava a fazer.
? Mas desde quando é que os croquetes são proibidos?
? Desde Dezembro. Tem de estar mais atento aos despachos do Ministério da Saúde. Vamos, sr. Dias. Só precisamos de um nome.
Fez-se um silêncio. Finalmente, o homem quebrou:
? Clotilde Dias.
? Quem é?
? A minha avozinha.
? Devíamos ter adivinhado. São sempre elas. Essa geração está perdida.

(Crónica publicada na VISÃO 1296 de 4 de Janeiro)


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/narcos-2018-ricardo-araujo-pereira.html

NUNCA UMA ANEDOTA FOI TÃO REAL - 15Jan2018 02:02:00


O JOÃOZINHO MORREU
Sim, aquele puto das anedotas que tinha sempre uma resposta malandra pronta para dar às professoras e as deixava loucas.
A Morte veio buscar o Joãozinho porque tinha chegado a hora de ele pagar pelas travessuras que fez em Vida.

MORTE:
- Meu jovem, chegou a tua hora, tenho que te levar deste mundo.

JOÃOZINHO:
- Mas eu posso fazer o meu último pedido, não posso? Não é assim que funciona?

MORTE:
- Por teres praticado várias travessuras, e com isso teres facilitado o meu serviço, vou-te deixar fazer o último pedido, mas não podes pedir para não morrer.

O Joãozinho pensou..., pensou..., e escolheu o seu último desejo.
- Quero assistir ao pagamento total da dívida que Portugal tem para com o Banco Central Europeu!

MORTE:
- Que grande passarão!...Ganhaste a Vida Eterna!

BOA SEMANA!


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/nunca-uma-anedota-foi-tao-real.html


Pena de morte para terroristas? - 11Jan2018 02:11:00


Os governantes israelitas, fortalecidos pelo recente apoio dado por Donald Trump, preparam-se para alterar o Código Penal e alargar o âmbito de aplicação da pena de morte para passar a abranger os condenados por terrorismo.
Um parlamento muito dividido (52 votos a favor da alteração e 49 contra) deixou passar a proposta em primeira votação.
Uma proposta com origem no Ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, apoiada pelo Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu.
Foi só uma primeira votação, outras se seguirão, mas a possibilidade desta emenda, que segue ao arrepio do que é norma nas democracias civicamente mais bem preparadas, ser aprovada é cada vez mais real.
Respaldada no apoio americano, a Direita israelita, os mais ortodoxos de todos os ortodoxos, prepara-se para aprovar um retrocesso civilizacional na forma de uma medida que está mais que provado tem poucos ou nenhuns efeitos práticos.
Se a pena de morte tem vindo a ser progressivamente abolida porque já se percebeu que é desumana, aberrante, porque se presta a erros incorrigíveis, porque como instrumento de política criminal se revela pouco ou nada eficaz, aplicar a mesma a terroristas, a quem afirma ter orgulho e vocação para ser mártir, chega ao nível do patético.
Afinal, e de um ponto de vista estritamente prático, que já não legal ou moral,  qual é o efeito dissuasor de ameaçar de morte quem se entrega voluntariamente e gloriosamente à morte?


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/pena-de-morte-para-terroristas.html


Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs - 10Jan2018 02:45:00


Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs.
Esta expressão do típico dialecto macaense (patuá) resume na perfeição a Macau que eu amo, a Macau inclusiva, aberta a todos, que acolhe quem aqui chega e é rapidamente transformado em filho da terra.
Uma Macau que está cada vez mais sob ataque cerrado de pessoas que em grande parte nem sequer aqui nasceram, de pessoas que aqui aportaram, que aqui refizeram as suas vidas e que agora se julgam detentores de um estatuto especialíssimo e de direitos ilimitados só porque possuem um Bilhete de Identidade de Residente.
Direitos tão ilimitados que vão ao ponto de considerar os que não possuem esse documento verdadeiramente como gwai lo.
Não gwai lo no sentido vulgar do termo, no sentido de estrangeiros, mas num sentido muito próximo da tradução literal (gwai lo = diabos negros).
Está dado o passo que separa um tratamento algo carinhoso da pura xenofobia, do medo ou aversão a estrangeiros.
Está dado o passo que Macau nunca poderia dar.
Macau, cidade de vício e tentação, nunca devia ceder à tentação de caminhar no sentido oposto ao que sempre a definiu e a diferenciou.
Não tem sido assim, há que assumi-lo com frontalidade.
E não será assim se se insistir na ideia descabida e ofensiva de aprovar tarifas de autocarros diferentes para residentes e não-residentes.
Porquê? Porque umas vozes de burro, que acreditem não chegam mesmo ao céu (Pequim), resolveram que assim tem que ser? Porque noutras cidades se faz o mesmo?
Mas as outras cidades não são Macau, não dependem dos não-residentes como Macau depende, não são tão inclusivas como Macau sempre foi e deveria continuar a ser.
O que é que aconteceu à letra e ao espírito da expressão tótó nosôtro tudo hoji abri nosso coraçám e braço pa recebê vôs?


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/toto-nosotro-tudo-hoji-abri-nosso.html


Macau sã assi? - 09Jan2018 02:20:00


Entro no meu vigésimo terceiro ano de permanência em Macau tão surpreendido como no primeiro dia em que aqui cheguei com algumas particularidades (não se fala em especificidades que pode ferir susceptibilidades aprendi logo em 1995) da Cidade do Santo Nome de Deus que tão calorosamente me acolheu e que mudou a minha vida para sempre.
Ouvir um responsável governamental admitir publicamente que as autoridades administrativas e policiais não conseguem ter mão num bando de crápulas que por acaso têm a carteira profissional de taxista é no mínimo surreal.
Quem vive em Macau, e quem a visita, sabe que há um grande número de taxistas (não são todos mas são muitos) que vive literalmente à margem da lei.
Um cenário que tem tanto de revoltante quanto de real.
Partir daí para uma confissão pública de impotência para fazer face ao problema é, do ponto de vista do cidadão ou do visitante, simplesmente frustrante e assustador.
Já não é só falta de vontade política para fazer implementar a lei, eventualmente até revê-la no sentido do agravamento de penas para os prevaricadores como acontece em tantos outros domínios da vida pública.
É falta de capacidade para sequer fiscalizar o cumprimento da lei em vigor.
Uma lei que, em boa verdade, afinal não é mais que letra morta.
Macau sã assi?
Talvez?mas a estas particularidades não me consigo habituar, nem quero, por mais tempo que aqui permaneça.


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/macau-sa-assi.html

Receita de ano novo (Carlos Drummond de Andrade) - 09Jan2018 02:14:00


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/receita-de-ano-novo-carlos-drummond-de.html

Alentejano! É esta raça que ainda vai salvar o País - 08Jan2018 02:14:00

SERÁ A RAÇA DO ALENTEJANO QUE VAI SALVAR O PAÍS?



Como é um alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho...
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão:
-Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
-dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
-dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
-dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
-dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
-dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
-dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus: nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
E já imaginaram o que seria o mundo ou Portugal,governado por um alentejano? 
Era um descanso!

BOA SEMANA


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/alentejano-e-esta-raca-que-ainda-vai.html

Conto erótico turco ? adaptado à nossa conjuntura - 05Jan2018 02:17:00


Todos os dias, durante anos, quando Salim chegava em casa, sua empregada doméstica Jacira servia o jantar e ia tomar banho.

Até que um dia, Salim estava jantando e ficou ouvindo o barulho da água correndo... correndo, pensando na Jacira tomando banho. Estava sozinho em casa, mulher e filhos viajando.

Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho...
Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho...
Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho....

Até que se levantou da mesa e foi até o banheiro. Bateu na porta:

- Jacira, você está tomando banho?

- Estou sim, seu Salim.

- Jacira, abre a porta pra Salim.

- Mas seu Salim, estou nua!

- Jacira, abre a porta pra Salim.
- Jacira, abre a porta pra Salim.
- Jacira, abre a porta pra Salim.
- Jacira, abre a porta pra Salim.

Jacira não resiste e acaba abrindo a porta.

Salim entra no banheiro, vê a Jacira nua e pergunta:

- Jacira, quer fornicar Salim?

- Mas seu Salim..., eu não sei se...

- Jacira, quer fornicar Salim?

- Sim, quero sim seu Salim, pode vir que sou toda sua...

Então Salim põe a mão na torneira e diz:

- Não vai fornicar Salim não!!!

Chega de gastar água!!!

Em que estavam a pensar?

É preciso parar de pensar noutras coisas e economizar água!

AS NOSSAS MENTES SÃO PURAS E CRISTALINAS COMO ÁGUA.

BOM FIM-DE-SEMANA!


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/conto-erotico-turco-adaptado-nossa.html

Uma quarta-feira que não resolveu nada - 04Jan2018 03:04:00


Na antevisão dos jogos desta quarta-feira, os primeiros do ano de 2018, Sérgio Conceição tinha dito que não acreditava que fossem resolver fosse o que fosse.
Uma previsão que seria fácil fazer dado ainda faltarem tantos jogos para se chegar ao final do campeonato.
E que se confirmou depois de conhecidos os resultados dos jogos que envolviam os crónicos candidatos ao título.
O Porto continua líder, agora novamente isolado, mas com o Sporting a morder-lhe os calcanhares e o Benfica ali bem perto.
Qualquer destas equipas pode ser campeã, qualquer delas pode chegar ao final da prova no primeiro lugar.
Se no dérbi de Lisboa houve emoção até ao fim, mais a Norte o Porto teve que suar para ganhar a um Feirense muito duro de bater.
Dureza nos dois sentidos - porque a equipa é aguerrida, está bem arrumada, o campo é complicado (curto e com uma relva muito irregular) e também porque a dureza que os jogadores do Feirense aplicam na abordagem aos lances faz com que fiquem muito perto do excesso.
Na mesma semana em que Guardiola dizia publicamente que as equipas de arbitragem têm que prestar grande atenção à preservação da integridade física dos intervenientes no jogo, o que se viu no jogo entre Feirense e Porto só veio dar razão ao apelo do treinador espanhol.
Se virilidade é algo que é normal num jogo de futebol, dureza, sobretudo dureza excessiva, tem que ser definitivamente afastada dos campos.
Uma jornada a meio da semana, para começar o novo ano, que deixou tudo mais ou menos na mesma.
Ninguém se adiantou excessivamente, ninguém ficou irremediavelmente pelo caminho (o Benfica correu esse risco quase até ao final do jogo na Luz).
Está bem quente a luta pelo título no campeonato português.
Infelizmente dentro e fora do campo, quando devia ser só dentro das quatro linhas.



Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/uma-quarta-feira-que-nao-resolveu-nada.html


Aumento do salário mínimo na Venezuela - 03Jan2018 02:16:00


Uma notícia dada sem os devidos enquadramento e desenvolvimento pode ser muito enganadora.
Dizer que o tresloucado Nicolás Maduro anunciou, com pompa e circunstância, um aumento de 40% do salário mínimo na Venezuela, parece uma notícia extraordinária para o martirizado povo venezuelano.
Afinal o ter ficado privado do famoso pernil de porco natalício não seria tão drástico perante tão extraordinário aumento salarial.
Depois de se perceber que estamos perante um país com uma das mais altas taxas de inflação do Mundo, cuja moeda não tem qualquer valor no mercado internacional, e que os 795.510 bolívares mensais que passarão a ser o salário mínimo nacional equivalem a cerca de 65 euros, afinal a notícia só tem valor pelo continuado ridículo de uma figura patética que condena o povo que governa a viver privado de tudo o que é mais básico (comida, medicamentos, cuidados de saúde, segurança?).
E que justifica o permanente desastre que é a sua governação com o apontar o dedo a terceiros, especialmente na direcção de Washington.
A Venezuela, detentora de uma das maiores reservas de petróleo do Planeta, vê o seu povo ser atingido pelos maiores sacrifícios, viver na miséria, sem qualquer segurança e sem perspectivas de qualquer melhoria enquanto for governada pelo camionista rapidamente convertido em sucessor dinástico de Hugo Chavez.
O mesmo déspota que insiste em culpar os ?imperialistas?, conceito tão amplo que engloba os Estados Unidos, Colômbia, Portugal, quem estiver mais a jeito, pela sua absoluta e continuadamente confirmada estupidez.


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/aumento-do-salario-minimo-na-venezuela.html


Reenvio de mensagens de Ano Novo - 02Jan2018 02:24:00


Meus caros Amigos:

Há vários dias tenho sido assediado com mensagens de amigas comuns, que perderam o vosso contacto e.mail e, por este motivo, pediram-me para vos reenviar os desejos de Feliz Ano Novo e "boas-entradas".

Aqui vão algumas das que vos são destinadas:

- Da Natacha do Hipopótamo: "cheia de saudades envio-te muitos e repinicados beijinhos... onde quiseres";

- Da Geny do Maxim´s: "ando cheia de vontade e nunca mais apareceste... estou farta de aturar velhos!";

- Da Cassandra do Fontória: " devolve-me as minhas cuecas que esqueci no teu carro... são caras e da marca "Secret Woman"; 

- Da Loreana do Cotton Club: "vem dar as doze (badaladas) comigo para começares um ano como manda a p*ta da cartilha";

- Da Zaida Zarolha do Dreams Strip Club: "vem comemorar a passagem do ano, mas não tragas Viagra... horas extra ficam mais caro e tenho que aviar outros clientes";

- Da Viviane do Dollar Bar: "desejo-te um Ano Novo com muita força para aguentares as nossas quecas, noite sim, noite não";

- Da Licas Gasosa do Ménage: "já tenho umas mamas novas e gostava que fosses tu a estreá-las";

- Da Garinanova do Megasexo: "? ????? ???? ??????, ??? Puttin cocknocker (tradução: gosto mais de ti do que do panasca do Puttin)".

Agradeço que telefonem a estas virgens para ficarem mais calmas e felizes.

Com os sinceros votos de um BOM 2018.
Do vosso amigo pombo correio.

BOA SEMANA, BOM ANO!



Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2018/01/reenvio-de-mensagens-de-ano-novo.html

Piadas quase santas - 29Dez2017 02:02:00


Um paciente está na capital, para um exame periódico de saúde.
O médico examina-o e pergunta-lhe:
- Você bebe?
- Dois copos de vinho por dia.
- Fuma? 
- Dez cigarros por dia. 
- E sexo?
- Duas ou três vezes... por mês.
- Sóó? Com a sua idade e a sua saúde, era para ser duas ou três vezes por semana.
- Sabe como é, doutor?
Se eu fosse bispo na capital...até que dava, mas padre numa diocese pequena, no interior....

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A freira vai ao médico:
- Doutor, estou com um ataque de soluços horrível.
Não consigo comer, nem dormir, nada.
- Tenha calma, irmã, que vou examiná-la.
Ele examina-a e diz:
- Irmã, a senhora está grávida!
A freira levanta-se em pânico e sai correndo do consultório.
Uma hora depois o médico recebe um telefonema da madre superiora do convento:
- Doutor, o que é disse á irmã Carmem?
- Madre superiora, como ela tinha uma forte crise de soluços, passei-lhe um susto dizendo que estava grávida. Ela parou de soluçar?
- Sim, a irmã Carmem parou de soluçar, mas o padre Felizmino fez as malas e sumiu!!!
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- Padre, ontem eu dormi com meu namorado.
- Mas isso é pecado, e pecado mortal minha filha.
- Reze cinco Pai Nosso, de penitência!
A jovem fica mais algum tempo ajoelhada, pensa um pouco, e depois pergunta:
- Se eu rezar 10 posso dormir com ele hoje de novo?
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A campainha toca na casa de um tipo muito pão-duro.
Quando ele atende, dá de cara com duas freiras pedindo donativos.
- Meu filho, nós somos irmãs de Cristo e...
- Nossa!!! Como vocês estão conservadas!!!
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Um burro morreu em frente de uma Igreja e como uma semana depois o corpo ainda estava lá, o padre resolveu reclamar ao Presidente da Junta.
- Presidente, está um burro morto á frente da Igreja há quase uma semana!
E o Presidente, grande adversário político do padre, alfinetou:
- Mas Padre, não é o senhor que tem a obrigação de cuidar dos mortos?
- Sim, sou eu! Mas também é minha obrigação avisar os familiares!
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A meio da noite, o padre passa perto de um cemitério e leva o maior susto quando escuta:
- Hum, hum, hum!
O padre pára, reza um pai-nosso, faz o sinal da cruz, enche-se de coragem e pergunta:
- Do que é que essa pobre alma está precisando?
- De papel higiénico !!
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Um jovem vai à igreja confessar-se:
- Padre, eu passei a mão nos seios da minha namorada.
- Foi por cima ou por baixo da blusa dela?
- Foi por cima, padre...
- Da próxima vez passa por baixo, pois a penitência é a mesma.
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Um velho acaba de morrer. 
O padre encomenda a alma e faz rasgados elogios ao defunto:
- O finado era um óptimo marido, um excelente cristão, um pai exemplar!!
A viúva vira-se para um dos filhos e diz-lhe ao ouvido:
- Vai até o caixão e vê se é mesmo o teu pai que está lá dentro.

TENHAM UM FANTÁSTICO 2018!!



Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/piadas-quase-santas.html

Se virem algo errado, falem - 28Dez2017 02:03:00


(...) "A plateia da Universidade de Coimbra bebeu cada palavra de Werner Reich em total silêncio.
 No final, ele revelou-lhes a quinta coisa errada que as pessoas pensam sobre a guerra - que o extermínio foi perpetrado apenas pelos nazis.
 ?Não é verdade. Cada nação que a Alemanha invadiu, com excepção da Bulgária, colaborou. O Holocausto podia ter sido evitado? Claro, se todos os que se limitaram a observar tivessem falado, tivessem dito algo?. 
Por isso, deixou um pedido recebido com um aplauso prolongado: 
?Se virem algo errado, falem. Se não dizem nada, porque acham que não vos diz respeito, estão enganados?.



Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/se-virem-algo-errado-falem.html


O Menino Jesus de Fernando Pessoa (Padre Anselmo Borges) - 27Dez2017 01:49:00



1 - Ainda era Outubro e já havia anúncios comerciais lembrando o Natal. Já se esqueceu que o Natal de Jesus é o Natal do Emanuel, o Deus connosco, e, consequentemente, o Natal da dignidade divina da pessoa humana, da liberdade, da fraternidade, dos direitos humanos, da igualdade radical de todas as pessoas. Isso foi lembrado pelos grandes: Hegel, Ernst Bloch, Jürgen Habermas, entre outros. Esquecendo o essencial, fica-se afundado na correria das compras e na concorrência opressiva das prendas, dentro da sofreguidão consumista insaciável, lembrando o velho mito do tonel das Danaides. E será o inessencial e o cansaço.

2 - Fernando Pessoa, o génio da melhor literatura mundial de sempre, também confessou o seu cansaço. Mas, ele, ele era por causa do mais profundo e essencial: o pensar: "O cansaço de pensar, indo até ao fundo de existir,/Faz-me velho desde antes de ontem com um frio até no corpo." "O que há em mim é sobretudo cansaço/ (...)/ Um supremíssimo cansaço/íssimo, íssimo, íssimo,/Cansaço..." Por isso, suspirava por voltar à inocência dos tempos de criança. O Menino Jesus seria o reencontro da inocência perdida: "Num meio-dia de fim de Primavera/Tive um sonho como uma fotografia./Vi Jesus Cristo descer à terra./Veio pela encosta de um monte/Tornado outra vez menino,/A correr e a rolar-se pela erva/E a arrancar flores para as deitar fora/E a rir de modo a ouvir-se de longe./Tinha fugido do céu. Era nosso de mais para fingir/De segunda pessoa da Trindade./(...)/ No céu tinha de estar sempre sério/(...)./Um dia que Deus estava a dormir/E o Espírito Santo andava a voar,/Ele foi à caixa dos milagres e roubou três./Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido./Com o segundo criou--se eternamente humano e menino./Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz/E deixou-o pregado na cruz que há no céu/E serve de modelo às outras./Depois fugiu para o Sol/E desceu pelo primeiro raio que apanhou./Hoje vive na minha aldeia comigo/É uma criança bonita de riso e natural./(...)/A mim ensinou-me tudo./(...)/Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro./Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava./Ele é o humano que é natural,/Ele é o divino que sorri e que brinca./E por isso é que eu sei com toda a certeza/Que ele é o Menino Jesus verdadeiro./ (...)/A Criança Eterna acompanha-me sempre./A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando./O meu ouvido atento alegremente a todos os sons/São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas./Damo-nos tão bem um com o outro/Na companhia de tudo/Que nunca pensamos um no outro,/Mas vivemos juntos e dois/Com um acordo íntimo,/Como a mão direita e a esquerda./Ao anoitecer brincamos às cinco pedrinhas/(...)/Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens/E ele sorri, porque tudo é incrível./Ri dos reis e dos que não são reis,/E tem pena de ouvir falar das guerras,/E dos comércios, e dos navios/Que ficam fumo no ar dos altos mares./Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade/Que uma flor tem ao florescer/E que anda com a luz do Sol/A variar os montes e os vales/E a fazer doer aos olhos os muros caiados./Depois ele adormece e eu deito-o./Levo-o ao colo para dentro de casa/E deito-o, despindo-o lentamente/E como seguindo um ritual muito limpo/E todo materno até ele estar nu./Ele dorme dentro da minha alma/E às vezes acorda de noite/E brinca com os meus sonhos./Vira uns de pernas para o ar,/Põe uns em cima dos outros/E bate as palmas sozinho/Sorrindo para o meu sono./... Quando eu morrer, filhinho,/Seja eu a criança, o mais pequeno./Pega-me tu ao colo/E leva-me para dentro da tua casa./Despe o meu ser cansado e humano/E deita-me na tua cama./E conta-me histórias, caso eu acorde,/Para eu tornar a adormecer./E dá-me sonhos teus para eu brincar/Até que nasça qualquer dia/Que tu sabes qual é./... Esta é a história do meu Menino Jesus./Por que razão que se perceba/Não há-de ser ela mais verdadeira/Que tudo quanto os filósofos pensam/E tudo quanto as religiões ensinam?"

Em apontamentos soltos, o próprio Fernando Pessoa reconheceu que escreveu "com sobressalto e repugnância o poema oitavo de O Guardador de Rebanhos com a sua blasfémia infantil e o seu antiespiritualismo absoluto", dizendo ao mesmo tempo: "Na minha pessoa própria, nem uso da blasfémia nem sou antiespiritualista." O seu Menino Jesus representa a procura terna e eterna da paz e da reconciliação, na simplicidade daquele Menino eternamente criança e humano.

Fernando Pessoa "ele mesmo" - ele era muitos, como cada um de nós é muitos; se assim não fosse, como poderíamos entender-nos uns aos outros e a nós próprios? - também escreveu: "Grande é a poesia, a bondade e as danças.../Mas o melhor do mundo são as crianças,/Flores, música, o luar e o sol, que peca/Só quando em vez de criar, seca./O mais que isto/É Jesus Cristo,/Que não sabia nada de finanças/Nem consta que tivesse biblioteca..." E assim chega mesmo a caminhar de mãos dadas com Deus: "Por isso, a cada passo/Que meu ser triste e lasso/Sente sair do bem/Que a alma, se é própria, tem,/Minha mão de criança/Sem medo nem esperança/Para aquele que sou/Dou na de Deus e vou."

3 - Fica aqui o meu mais vivo desejo de Boas Festas para todos, lembrando que o essencial do Natal é Jesus, como disse o Papa Francisco no passado dia 17, quando fez 81 anos: "Se retirarmos Jesus, o que é o Natal? Uma festa vazia."

in DN 22.12.2017


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/o-menino-jesus-de-fernando-pessoa-padre.html

JESUS NASCEU PARA DESCRUCIFICAR (Frei Bento Domingues, O.P.) - 21Dez2017 02:22:00


1. Estamos na quadra litúrgica do Advento, mas tudo parece encenado e polarizado apenas pela memória do nascimento de Jesus, alimentando um terno imaginário da infância, com alguma e passageira solidariedade, própria da estação, sem, no entanto, tocar nos alicerces da sociedade. É como se nada estivesse para acontecer.
Os textos das celebrações do Advento vão, pelo contrário, noutra direcção: é hoje que podemos acolher a graça da nossa transformação interior que nos associe, de forma activa, às mais diversas iniciativas sociais, culturais e políticas da construção de uma cultura da justiça e da paz, a nível local e global. O Espírito do Natal é Aquele que suscitou o canto subversivo de Maria de Nazaré.
As preocupações com as indispensáveis reformas das ?cozinhas eclesiásticas? da Igreja, se não estiverem centradas no estilo da prática história de Jesus Cristo e nas urgências dos mais carenciados das nossas sociedades, acabam por nos fazer esquecer que somos nós, a Igreja, que precisamos de reforma permanente.  
Frederico Lourenço ? a grande figura portuguesa da cultura bíblica fora das sacristias ? recorda-nos que os Evangelhos têm, ainda hoje, em 2017, o potencial para mudar o mundo para radicalmente melhor. Sublinha comovido: ?Jesus Cristo, com as palavras que lhe são atribuídas nos quatro evangelhos, é a figura que mais me interessa. Continuo a achar que, independentemente de ele ter dito aquelas palavras ou não, elas são as coisas mais extraordinárias que foram ditas à face da terra. Por exemplo, quando leio para mim o Novo Testamento estou num mundo maravilhoso que é só meu e me preenche muito, animicamente, espiritualmente. Apesar de ser um linguista crítico-histórico, não sou um ateu a traduzir a Bíblia. Serei sempre, até ao último segundo da minha vida, um apaixonado por esse judeu chamado Jesus de Nazaré?.
Muitos anos antes, numa entrevista de 1978, Eduardo Lourenço mostrou a verdade da nossa condição, na própria referência cristã: ?Cristo é o momento (sem limite de tempo) em que a humanidade tomou forma humana. (?) Foi crucificado, não por querer ser deus, mas por ensinar o que era ser homem. Dois mil anos passaram sem que esquecêssemos nem aprendêssemos a lição?.
Num belo livro, traduzido por José Sousa Monteiro, deparo com a confissão do marxista Milan Machovec: ?O coração duma freira desconhecida que se dedica a uma criança incurável, só poderia ser substituída por uma teoria da história, por um estúpido e um idiota (?) Pessoalmente, não me traria grande desgosto o facto da religião acabar. Mas se tivesse de viver num mundo no qual Jesus fosse inteiramente esquecido, então preferia não continuar a viver?.
Como escreveu o dominicano E. Schillebeeckx, para Jesus, a história dos seres humanos é a narrativa de Deus acolhido ou recusado.
2. Para o imaginário do Evangelho de S. Lucas, a festa do nascimento de Jesus aconteceu num curral iluminado pela luz do céu, acompanhada pela música dos anjos e rodeado de pastores e estrangeiros. Tudo aconteceu à margem do Templo de Jerusalém e dos palácios imperiais. Aliás, Jesus com o comércio do Templo teve uma relação muito agreste e só conheceu os palácios quando estava a ser julgado e condenado à pena capital. A sua coroa foi de espinhos e o seu trono foi uma cruz.
Esta apresentação testemunha um profundo contraste, mas pode cair na perversão do próprio Evangelho de Cristo, sugerindo que Jesus veio sacrificar-se e semear mais sacrifícios no mundo. Porque será mantida a cruz como símbolo cristão, quando o que Jesus procurava era, precisamente, descrucificar?
A minha hipótese de interpretação é outra, bastante simples, mas que importa explicar. A cruz, a sentença de morte mais bárbara e cruel, fazia parte do mundo que Jesus queria mudar. Então, por que continua a funcionar como um símbolo cristão, quando ela é anti-humana, anticristã?
Ao contrário do que se repete há séculos, Jesus Cristo não desejou nem santificou a cruz. Alterou-lhe, porém, a significação de forma radical. Foi-lhe imposta, num julgamento iníquo, por ele recusar trair o seu projecto. Tornou-se, deste modo, o símbolo da fidelidade inquebrantável, o signo da extrema generosidade. A presença de sinais da cruz, desde o baptismo até à morte, diz que é preciso dizer não à crucifixão da vida e dizer sim à generosidade libertadora, no dia-a-dia.
Tudo isto vem confirmado no trecho do Evangelho escolhido para a celebração da Eucaristia, do passado dia 6: estava Jesus sentado junto ao mar da Galileia e uma grande multidão veio ter com ele e lançou-lhe, aos pés, coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros.
Se o mestre fosse um pregador de sacrifícios dizia-lhes: estais mal? Ainda bem. Assim podeis santificar-vos e, um dia, sereis muito felizes no céu.
3. Jesus não acreditava nessa mística. Curou-os e organizou, com pouca coisa, um grande banquete popular. A multidão ficou admirada ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar, os cegos a ver e todos a comer até sobrar.
Poder-se-á dizer: porque não deixou a fórmula? Seria uma alternativa muito barata dos serviços de saúde, públicos e privados. Mas ele não veio para nos substituir.
Já na apresentação do seu programa, em Nazaré, ficou claro que o mundo tinha de começar mesmo a mudar. Deus não podia ser o da ira de Iavé, mas o da pura graça do amor. Diz a narrativa evangélica que, nesse momento, os seus conterrâneos o julgaram um subversivo e, por isso, quiseram acabar logo com ele.
Os seus comportamentos eram, de facto, estranhos: andava em más companhias, com quem comia e bebia, a ponto de lhe chamarem ?comilão e beberrão?; aceitou o convívio de mulheres que não eram todas exemplos de virtude; violava, sistematicamente, o Sábado ? o dia mais sagrado da sua religião ? com curas que bem podia fazer noutros dias.
Não deixou fórmulas ou receitas que pudessem ser transformadas em rituais. A sua prática é um desafio à imaginação de todos os homens e mulheres, de todos os tempos, a usarem os seus talentos, as suas capacidades, não para cavar distância entre ricos e pobres, mas para as eliminar, pois, não suporta ver uns à porta e outros à mesa, uns em banquetes requintados e outros na miséria.

in Público 17. 12. 2017

Votos de um Santo Natal para todos.


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/jesus-nasceu-para-descrucificar-frei.html


Como se faz um bebé - 19Dez2017 02:25:00


O fotógrafo canadiano Patrice Laroche certamente não vai ter problemas para explicar a seus filhos como nascem os bebés.
Durante a gravidez de sua esposa Sandra, o artista criou uma série de fotos explicativas intitulada "Como Fazer Um Bebé".
O casal realizou seu projecto durante toda a gravidez, sempre vestidos com a mesma roupa, e com fotos exactamente no mesmo lugar.       










Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/como-se-faz-um-bebe.html

Sinal dos tempos - 18Dez2017 01:50:00



Por ocasião do Jubileu da Rainha Elizabeth II dois amigos, um inglês e outro chinês, passeavam juntos por Londres.
A determinada altura diz o Chinês: 
- Veja todas estas bandeiras! 
Enchem o meu peito de orgulho patriótico!
O Inglês, muito admirado, diz: 
- Mas, Chang, são bandeiras britânicas!
E responde o Chinês: 
- Sim, mas veja as etiquetas...

BOA SEMANA!
(Esta semana, curta por causa dos feriados, não terá nada mais que não seja boa disposição e um texto relacionado com a quadra festiva)


Fonte: http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2017/12/sinal-dos-tempos.html

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