Macau Antigo

10º Aniversário = 100 Livros - 16Out2018 16:06:00

A fazer história desde 2008, o blogue Macau Antigo assinala no próximo mês de Novembro o 10º aniversário. 10 anos é igual a 120 meses; qualquer coisa como 520 semanas ou 3650 dias... praticamente o mesmo número de posts publicados até agora (quase 4 mil), incluindo diverso material inédito, consolidando cada vez mais este projecto como o maior acervo documental online sobre a história de Macau, disponível 24 por dia em várias línguas e em todo o mundo.
Estatísticas
Nos últimos 10 anos o blogue Macau Antigo registou perto de milhão e meio de visitantes, a maioria oriundos de Portugal, Macau, Estados Unidos, Brasil, Hong Kong, Canadá e Austrália. O projecto tem ainda presença nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, onde é seguido por mais de 3 mil pessoas.
Passatempo
De forma a assinalar o 10º aniversário vão ser oferecidos aos leitores 100 livros sobre Macau.
Para participar basta enviar uma frase sobre o blogue, juntamente com o nome e morada, entre 1 e 30 de Novembro, para o e-mail
macauantigo@gmail.com.
Os primeiros 100 leitores a enviar uma frase vão receber um livro.
Esta iniciativa conta com o apoio da Fundação Casa de Macau (Portugal).
Imagem colorida de forma digital por Chris Whitehouse, um trabalho feito propositadamente para o 10º aniversário do blogue Macau Antigo. O original é um stereoview com uma vista parcial da baía da Praia Grande no final do século 19.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/10-aniversario-100-livros.html

Baía da Praia Grande em 1885 - 15Out2018 10:22:00

Post de homenagem a Henrique de Senna Fernandes, (1923-2010), de nome completo Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes, nascido a 15 de Outubro de 1923.
(...)"Esta enorme e larga rua (Nota: referência à Avenida da Praia Grande), na maior parte pertencente à freguesia da Sé, é curva e talhada juntamente com a muralha que a limita pelo E, S e SO em amphiteatro. É arborizada.
Em curva mais suave, segue-se uma extensa linha de prédios, qual deles o melhor. Ao centro d´esta rua está um bello palácio, que por muito tempo foi residência dos Governadores, acomodando actualmente as seguintes repartições públicas ? junta da fazenda, tribunaes judiciaes, europeu e china, com os respectivos cartórios e repartição de decimas. E um bello estabelecimento; em harmonia coma amplidão e elegância das salas está a sua mobília. Estão em decência á altura e dignidade de taes repartições. Apenas há a notar e sentir que algumas salas interiores no rez do chão, e que servem para cartórios da repartição da procuratura, tenham pouco ar e pouca luz, resultando, já se vê, crescimento de humidade, e por tanto insalubres, em especial no tempo invernoso. A sala de tribunal é mais de decente, é magestosa.
Um outro palácio de mais subido gosto, segundo a maioria dos pareceres, se encontra ao seguir da mesma fileira de prédios na Praia Grande o qual olha para o S. ou talvez mais rigorosamente para SO. Todo o palácio, como o seu adorno, está em circunstâncias de receber os mais elevados dignitários estrangeiros, sem quebra de nossa dignidade nacional. N´elle reside o actual Governador
(Nota: o governador era Tomás de Sousa Rosa), a quem se deve tanto o melhoramento do palácio com a útil e grandiosa idea de reunir a maior parte das repartições, não se poupando a esforços para que as referidas repartições, se alojassem com o decido conforto, e decência. Todos os prédios que em graciosa e suave curva limitam pelo N. a praia são belos, e como são pintados ou caiados a diversas cores, o conjunto forma um todo bello.
A rua é toda arborizada do lado S. No limite E fica um elegante edifício, o Grémio Militar, e por detraz d´este em mais elevado plano o vistoso e bom quartel de S. Francisco. Do lado S.O. fica a montanha arborizada da Penha.
Entre os prédios dos particulares os que mais se distinguem são os do sr. Commendador Senna Fernandes e o Hotel
(Nota: Macao Hotel) que é de bom gosto. A apparência d´estes edifícios não está em geral em harmonia com as divisões das casas, que têem irregularidades, com algum prejuízo para a hygiene". (...)
Dr. Augusto Pereira Tovar de Lemos (?-1933) in "Relatório do Serviço Médico da Província de Macau e Timor referido ao anno de 1885"


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/baia-da-praia-grande-em-1885.html

Macau, imagens e números (vol. I e II) - 14Out2018 17:59:00

"Macau, imagens e números", de António Costa. 
Edição: Centro de Estudos Geográficos, Portugal, 1981/82
O Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa foi fundado em 1943 pelo prof. Orlando Ribeiro. O CEG tem por missão o desenvolvimento da investigação em Geografia e a promoção e difusão dos conhecimentos geográficos, visando contribuir para o desenvolvimento das comunidades e regiões, o correto ordenamento do território, a sustentabilidade dos recursos ambientais e a justiça espacial, a escalas diversas.
Neste livro são apresentados dados da época sobre os seguintes temas: Evolução Histórica;  Ambiente Físico; Formas de relevo; Geologia; Clima; Solos e vegetação; Administração; Povoamento e população;  Agricultura e pecuária; Pesca e vida marítima; Actividades industriais; Transportes; Comércio; Educação e cultura; Saúde e assistência social; Turismo e jogo.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/macau-imagens-e-numeros-vol-i-e-ii.html

Devoção a N. Sra. de Fátima - 13Out2018 14:32:00

A propósito do 13 de Outubro, recordo neste post algumas memórias do culto mariano em Macau.
 Gruta na Penha: militares década 1940 (em cima) e século XXI (em baixo)
Envelope comemorativo das aparições de Fátima 1917-1967 com carimbo de 1968
Selo alusivo Às "Aparições de Nª. Srª. de Fátima 1917-1967"


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/devocao-n-sra-de-fatima.html


Kam Cheong Ling - 11Out2018 17:48:00

Já aqui referi o nome de Kam Cheong Ling pelo que este post serve para apresentar mais alguns do seus trabalhos que imortalizaram épocas antigas de Macau.
Largo do Senado visto da Av. Almeida Ribeiro
Largo da Igreja de S. Domingos
Ruínas de S. Paulo


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/kam-cheong-ling.html

O 16º aniversário da República na China - 10Out2018 11:41:00

"Comemorou-se o 16.° aniversário (Nota do autor do blog: da implantação da República na China) de uma maneira brilhante, com deslumbrantes iluminações, procissão china, cortejo de estudantes, escolas patentes ao público, distinguindo-se as Son-Sat, Pui-Man, C?ong-Can e Vau-Mon, pelos trabalhos apresentados; com duas recepções promovidas pela comunidade chinesa no Hospital de Kiang-Hú, onde se fêz ouvir a nova banda do Corpo de Polícia, uma destinada só a chineses e outra à população portuguesa e estrangeira, à qual foi servido um «copo de água»; uma outra recepção no Cinema Vitória promovida pelo «South China», e muitas outras manifestações particulares, como queima de panchões, os altares familiares profusamente acêsos, o leão passeando pelas ruas onde féz farta colheita de patacas; feriados e lojas fechadas, bandeiras e decorações várias, etc., tendo até os nossos navios e estabelecimentos públicos acompanhado o regozijo, embadeirando.
Por tôda a parte, arcos triunfais ou pórticos, luzes, flores. Erigiram os chineses, em Macau, quarenta e dois pórticos, alguns monumentais e todos profusamente iluminados com luzes eléctricas, algumas variando periódicamente de côres, formando um conjunto totalmente diferente dos nossos congéneres. O ric-chó que nos leva, por vezes pára ou diminui a marcha até que o culi, com uma exclamação gutural, abra caminho por entre os grupos de curiosos, gente de mar que está, como os rapazes, embevecida ante as luzes, os bonecos e as complicadas decorações. Centenas, milhares de tankás, negrejam nas águas lodosas, sob o cheiro da maresia e do peixe salgado, e algumas lorchas projectam no pôrto sombrio suas fiadas de lanternas festivas.
Na praia do Manduco, à porta do Pagode «Tu-Tai-Miu», em altar de festa, cheio de luzes, de velas, de pivetes, no perfume do sândalo queimado, com oferendas várias aos espíritos, tijelas de arroz, flores, bolos, frutas, comidas, objectos estranhos, de um significado que desconhecemos, ocupava o lugar de honra o retrato do dr. Sun-lat-Sen; em lojas pobríssimas, miseráveis, a cada passo, depára-se com o mesmo retrato, do apóstolo, do símbolo, do expoente máximo das aspirações do sul da China, na mesma devoção feita de luzes, de fitas e de flores.
A avenida Almeida Ribeiro, artéria nova da cidade, que corta ao meio o bairro china ou Bazar, duma a outra costa da minúscula peninsula de Macau, oferecia um aspecto feérico, tantas eram as luzes. Nalguns-pontos, caminhava-se sob uma verdadeira abóbada de lumes, e os estabelecimentos «Kuo-Kuong», «Sin-Sin» e «San-Kuong», que é como quem diz, os Grandela e Armazéns do Chiado de Macau, ostentavam as montras ornamentadas a capricho, mostrando quadros com figuras em movimento, representando guerras, feras, dragões, etc., ante os quais o china, empilhado até ao meio da rua, parava admirando aqueles primores que tanto lhe falam à imaginação. Num estabelecimento, um dragão perfeitissimo, que parecia só feito de cór e de luz, de bôca hiante, lingua trémula, e olhos de fogo coruscantes, ondulando lentamente a querer apanhar a esfera misteriosa que sempre o acompanha a fugir-lhe na frente, punha a admiração nos semblantes dos espectadores que, caso digno de nota, não costumando uma multidão chinesa dar sinal de si pelo barulho ou ruido que entre nós é costume ouvir-se, já ali começava a manifestar um sussurro a que na China não estávamos habituados. Mas sussurro sem desordem nem atropêlos; havendo tantos milhares de chinas reunidos no Bazar, muitos vindos de fora, e entre os quais, certamente, piratas e facinoras à mistura, não se registou na polícia um roubo, uma rixa, um incidente sequer.
Extranho povo! Embrenhemo-nos no Bairro Chinês: assim, perde-se a noção da Europa. As ruas estreitas, as lojas exóticas, de tabolelas verticais onde brilham caracteres misteriosos como sinais de magia, a multidão que passa, os sons, as casas de comidas que se deparam a cada passo, expondo acepipes extravagantes à tentação do freguês. Os principais hoteis, o «Canton Hotel», o «N?g-Chau Hotel», o «Hi-Un Hotel» e outros «colaus», têm nas varandas milhares de lanternas de fantasia e lá dentro ouve-se a toada dolente, fatídica e arrastada das cantigas das Pi-Pai-Chai, acompanhando as notas suaves do piano china, à mistura com o matraquear irritante das pedras do Mach?oc.

As Pi-Pai-Chai descem a rua da Felicidade, de cabaias vistosas, de sêdas berrantes, de calças largas, à moda, ou já num mixto de trajo europeu, usando saia e miudinhas; tendo de belo apenas aquelas linhas delicadas das silhuetas, são como flores exóticas, garridas e perfumadas, a matizarem o tom escuro e uniforme do povo que passa. Mais adiante as lojas de frutas parecem canteiros de jardim. Depois passamos à rua do Jogo, pelas lojas das sêdas. Por tôda a parte, o mesmo deslizar de gente, o mesmo estonteamento de luz, as decorações, os quadros com a fotografia de Sun-Iat-Sen, decorações multicores, indescritíveis, feitas de bambu, ola, papel, luz e algodão. As casas de jogo ostentam em seus letreiros iluminados, dizeres escritos na lingua inglesa o que nos choca por estarmos em terra nossa: são o «Kwong-T?soi & C.ª», «Veng-Hang 1st Class Gambling House», «Voi-Chai-Ki Gambling House», «Veng-Hang 1st Class Gambling House» e tantas outras, onde o china saboreia as sensações lentas do Fan-Tan, cuja falta de apreço, da nossa parte, é levada à conta de termos uma sensibilidade de bárbaros.
Caminhamos sempre e vamos cair no meio duma multidão compacta, no Largo do Matapau, mas que abre passagem ao nosso ric-chó. Ergue-se ali uma construção de uns vinte metros de altura, em frente do Pagode de «Hon-Kong-Miu», erguida sem o auxilio de um prego, com a armação em bambu, e que serve como de palco para representação dos «Mou-Tau-Hi» - cabeças de pau - ou títeres, que os chineses, grandes e pequenos, homens e mulheres, do meio da rua, como verdadeiras crianças, contemplam extáticos, durante horas, ao som duma orquestra infernal. Os gramofones, profusamente espalhados pelos estabelecimentos e tocando músicas chinas, que os nossos ouvidos tanto custam de comêço a admitir, completam o quadro, se é que o conseguimos descrever. Mas não tem reversos tôda esta fantasia? Tem, certamente, mas para que manchá-la se o que convém guardar das coisas é aquilo que só nos impressiona bem? A febre da luz prolongou-se quási até dia claro; às cinco da manhã, ainda a margem do pôrto interior brilhava nos seus pórticos iluminados." 

Crónica do Capitão-tenente Jaime do Inso publicada no jornal O Comércio do Porto, a 14 de Dezembro de 1927 e depois na edição de Janeiro de 1928 do Boletim da Agência Geral da Colónias. As comemorações referidas são relativas ao 10 de Outubro de 1927.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/o-16-aniversario-da-republica-na-china.html

"Flight to Formosa" - 09Out2018 18:58:00

De Frank Clune (1893-1971) editado pela primeira vez em 1958. Inclui, entre outras, fotos de Macau e as suas impressões da estadia de cinco semanas na Formosa tendo entrevistado Chiang Kai-Shek e a sua mulher, bem como outros elementos do governo nacionalista que tinham saído da China aquando da subida ao poder do partido comunista em 1949.
In his five week visit to Formosa, Clune interviewed President Chiang Kai-shek, Madame Chiang and leaders of the Nationalist Government. In this book we can find information on the progress that has been made under democratic government on Formosa since the exodus of the Nationalists from the mainland of China in 1949.
Born and educated in Sydney, got his first job, selling newspapers, at the age of 7. At 15 he left home and for the next five years led an adventurous life on sea and land in Australia, France, Belgium, the USA and Canada. He returned to Australia in 1913, enlisted in the AIF in 1915 and was wounded at Gallipoli; invalided home, he resumed a vagabond's existence and was in turn a fireman, recruiting sergeant, concert balladist, steward, vaudevillian and mousetrap salesman before settling into the practice of accountancy after his marriage in 1923. A decade later, while convalescing from an ulcer attack, he wrote an account of his earlier wanderings. Published as Try Anything Once (1933), the book launched Clune on a writing career that produced over sixty books 1934-71. During much of this period, when he was one of Australia's best-selling authors, he had the services of P.R. Stephensen as collaborator; Stephensen is acknowledged as co-author of The Viking of Van Diemen's Land (1954) and The Pirates of the Brig 'Cyprus' (1962), and as 'literary collaborator' in other volumes (e.g. in the preface to Wild Colonial Boys, 1948). On the evidence, Clune provided the travel diaries, historical research and other raw material for his books, which were mostly written by Stephensen, especially in the 1940s and 1950s.
Klune regularly catalogued his works under several headings: autobiography (Try Anything Once; Pacific Parade, 1945; Try Nothing Twice, 1946; Korean Diary, 1955); biography (some dozen titles including studies of varying length on the bushrangers 'Captain Melville', 'Captain Starlight' and Martin Cash; the adventurers Edward Hammond Hargraves, 'Bully' Hayes, Jorgen Jorgenson, 'Chinese' Morrison and Louis de Rougemont; and the mass murderer Deeming); history (a similar number of titles including Wild Colonial Boys; Bound for Botany Bay, 1964; The Norfolk Island Story, 1967; and The Scottish Martyrs (1969); exploration (notably Dig, 1937, a narrative of the Burke and Wills expedition); historical novels (Dark Outlaw, 1945, a study of the bushranger Frank Gardiner, reprinted as Gunman Gardiner, 1951, and King of the Road, 1967; and Ben Hall the Bushranger, 1947); adventure (e.g. The Red Heart, 1944); and travel (more than two dozen volumes including Rolling down the Lachlan, 1935; Roaming Round the Darling, 1936; Prowling Through Papua, 1942; Tobruk to Turkey, 1943; High-ho to London, 1948; Somewhere in New Guinea, 1951; Roaming Round Europe, 1954; Flight to Formosa, 1958; Journey to Kosciusko, 1964; Journey to Pitcairn, 1966).


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/flight-to-formosa.html

Código de Posturas do Leal Senado da Câmara de Macau: 1871 - 08Out2018 11:15:00

Este pequeno livro publicado pelo Leal Senado no ano de 1872 juntou várias regras para respeitar o espaço público.
Os temas que aborda são os mais variados. Veja-se por exemplo as Disposições relativas à conservação das árvores:
"Artigo 1. ° É prohibido prender, ou atar qualquer cousa ás arvores, que estiverem em terreno publico, ou subir a ellas; embora d'isso não provenha damno immediato, punivel pelo artigo subsequente: sob pena de $1 de multa.
Art. 2. ° É igualmente prohibido varejar as mesmas arvores, atirar-lhes pedras, páus, ou cousas semelhantes, quebrar-lhes alguma haste ou vergontea, ou finalmente deterioaral-as por qualquer outro modo: sob pena de $2 de multa.
Art. 3. ° Incorre no quintuplo da pena comminada no artigo antecedente, quem cortar, ou arrancar pela raiz qualquer d'essas arvores, não estando munido de licença da camara; ou quem tendo esta licença não cumprir todo, ou em parte as condições, com que ella for concedida"



Nota: O documento foi sendo revisto ao longo dos tempos. Em 1896, por exemplo, foi feita a última revisão do século XIX. E em 1996 foi feita a última revisão no século XX.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/codigo-de-posturas-do-leal-senado-da.html

Ponte Macau-Taipa: desde 1974 - 07Out2018 09:21:00

Por despacho de 27 de Dezembro de 1968, do Ministro do Ultramar, foi autorizada a abertura de concurso público de adjudicação da ponte Macau-Taipa tendo então sido inscrita uma verba de 15.000 contos no II Plano de Fomento.
A 15 de Setembro de 1969 foram abertas as propostas das duas companhias concorrentes à construção daquela infraestrutura: a Companhia de Construções Che Lee Ltd e a empresa de Ho Yin. 
A 31 de Outubro de 1969 foi tomada a decisão de adjudicar a empreitada à empresa de Ho Yin, que cobrou ao Governo português um total de 14.823.395 patacas que correspondiam, ao câmbio da época, a 70.411.126,20 escudos.
 Com um prazo de 990 dias para construção, o contrato de adjudicação da obra foi assinado por Ho Yin e pelo então governador da província - general José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho - no último dia do ano de 1969, um ano depois de ter sido autorizada a abertura do concurso para a construção da ponte.
O que viria a chamar Ponte Nobre de Carvalho, com 2.500 metros de extensão foi inaugurada a 5 de Outubro de 1974 tendo à época sido criada uma portagem de cinco patacas no lado da ilha da Taipa e que era cobrada aos automobilistas que efectuassem a travessia.
Só ao vim de 19 anos foi feita uma nova travessia do Rio das Pérolas a ligar a península de Macau e a ilha da Taipa. Foi o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, em Abril de 1993 durante uma visita oficial a Macau, que presidiu à cerimónia de inauguração dos 4.414 metros da nova ligação, baptizada de Ponte da Amizade.
Uma terceira ligação - a Ponte Sai Van - foi inaugurada em 2005.



Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/ponte-macau-taipa-desde-1974.html


A Língua ou Patuá de Macau: 2ª parte - 05Out2018 00:21:00

(...) Podemos também citar um certo número de vocábulos de origem chinesa que, embora modificados, fazem parte integrante do dialecto de Macau. No entanto, são em menor número que os provenientes das línguas malaias, facto que parece provar a mais frequente e mais duradoira influência destes povos junto dos Macaenses. Destaquemos, pois os seguintes termos:
«Amui», rapariga; «amechon», boião, do chinês «am chông»; «apai», coxo; «atai», rapaz chinês de pouca idade; «bafo comprido» de «ch?eong hei»; «camessé», gorgeta, de «kam-sé»; «caxá-fachai», caixa de fósforos, do chinês «fachái», fósforos; «chatom», abafador de bule, de «chá tong»; «chencau», chinês baptisado na Igreja Católica, de «cheng-káu»; «chicu», variedade de inhame, de «ch?i kú»; «chile miçó», tempero chinês, de «lát chiu cheóng»; «chin-chin», saudação, de «ch?engch?eng»; «chintói», bolo de «chin-tui»; «choa», embarcação, de «ch?ou»; «choncar», chocar, de «chong»; «chuchai», cule chinês, de «chü-chai», porquinho pequeno; «colau», restaurante, de «kou lâu»; «congcong», nome de hortaliça em chinês, de «ong-chói»; «faichi», pauzinhos que substituem os nossos talheres;
«faichista», homem que no jogo do «fantam» corta os botões, a varinha por eles usada tem o formato dos «faichi»; «fantane», jogo, de «fán t? án»; «fá-sã» ou «fásam», amendoim, de «fá-sang»; «fatião», barco chinês, de «fai t?eang» ou «fai t?êng»; «fontão», armário, de «fôngtâng», lâmpada ao vento; «fó-quei», empregado, de «fókei», criado; «ganeiro», tripulante de barco, de «kwan» com o sufixo português -eiro, aquele que na marinha asiática tem a seu cargo os petrechos de guerra, massame, poleame...; «iam-chá», termo chinês que significa um primeiro almoço tardio; «jambolam», fruto da «eugenia sambulana», comum em Macau; «laissi», presente de dinheiro pelo ano novo chinês, de «lei-si»; «lanchai», garoto da rua; «lencó», fruto, de «leng kók»; «leonfane», geleia, de «leóng fân»; «lichia», fruto muito apreciado, originário da China; «liu-liu», remo; «longane», fruto, de «lông ngán»; «lorcha», pequena embarcação chinesa; «malau», do chinês, macaco; «manquenfum», mezinha chinesa, de «mán-ken-fông»; «mestres», curandeiros chineses; «mintói», cobertor, de «min t?ói»; «mui», espécie de ameixa; «mui», moído, desfeito; «ná», partícula, com o sentido de «tome lá, veja»; «o-o-bambu», rebentos de bambu; «pacapiu», lotaria, de «pak kap piu»; «paché»; guarda-sol; «pakfanista», viciado de drogas, de «pák-fân», pó branco; «panchão», foguete chinês, de «p?au cheong»; «putão», tijela, de «put-t?âu», «quáchi», pevides de melancia, de «kuá-chi»; «sam-nam-ché», triciclo, de «sám lôn ché»; «sampan», embarcação chinesa de vela; «sanchum», vinho queimado de arroz, de sorgo, etc.; «som», comida, de «sông»; «sutate», tempero chinês; «tacó, taucó», feijão verde, de «tâu kók»; «taipane, taipanada», homem rico, de «tai-pán»; «tai-siu», jogo; «tal-mong», termo chinês designando palerma; «tancá, tancar», barco, de «tán ká», ovo, casa; «tancareira», mulher tripulante do «tancá»; «tapilu», refeição, de «tá-pin-lou»; «taufu», coágulo de feijão de soja, do chinês «tâu-fu»; «tau-leng», moeda de cinco avos; «tomtom», rebuçado, de «t?óng t?óng»; «trate», planta «nymphacea», considerada sagrada na China.
Entre os vocábulos originários da Índia, especialmente do concani, o dialecto de Goa, podemos nomear os seguintes:
«árvore do pagode»; «babá», rapazinho; «baniane», casaco de pano; «bicho», animal, rapaz de pouca idade ou rapariga; «bambolim», de «bombil»; «cacada», gargalhada 5; «carambola», fruta; «chachini», prato de peixe, de «chetni»; «chale», rua estreita, de «tçàl»; «daia», parteira; «fula», flor, do neo-árico «phùl»; «gargu», recipiente para água, chaleira, de «gãdjó»; «guinde», jarro; «gúni», saco grande, ;de «gon»; « ladu», doce; «mainato», lavandeiro; «mate», terra, barro, argila; «mogarim», espécie de jasmim, de «mogrî»; «mordicim», dor de cabeça, de «mordexim»; «mungo», feijão, de «m?ng; «ola», folha de palmeira; «pancá», ventilador; «patinga», barriga da perna; «supo», cesto, do indo-português «supo»; «tifin», almoço pela uma hora da tarde, do anglo-indiano «tiffin»; «vaguear», ter vertigens, de «banque», espécie de cânhamo.
Das línguas dos países orientais, que igualmente tiveram relações com Macau, provieram alguns termos como sejam: «Caia», mosquiteiro, do japonês «ka-ya»; «figo-caque» «cáqui», dióspiro, do japonês «káki»; «nono», «nuno», tecido de algodão, do japonês «muno»; «quimão»; quimono, igualmente do japonês «quimono». Das Filipinas temos a registar «macupa», variedade de jambo e «pano-manila», isto é, um pano de algodão estampado de risca de xadrês, de cores vivas, muito estimado pelas antigas mulheres de Macau. Do indonésio recebeu ainda a língua de Macau, a palavra «samatra», com o significado de tempestade, do nome da ilha e, propriamente do javanês, «cate», peso com o valor de 610 gramas, ainda empregado correntemente entre os comerciantes chineses.
Das línguas africanas, ou melhor bantos, contam-se apenas dois vocábulos: «cará», crosta, do nome do tubérculo que significa «batata doce»; e «siara», no sentido de senhora.
Como já acima notámos, a fixação dos Ingleses na ilha de Hong Kong, em 1841, nas vizinhanças de Macau, tornou-se um poderoso elemento de influência na língua do território, sempre em crescimento. Assim podemos enumerar uma série de termos desta proveniência:
«Adape», sem dinheiro, de «hard up»; «afete», gordo, nutrido, de «fat»; «anidiu», melão, de «honey-dew»; «atachamento», afeição, amor, de «attachement»; «boy», rapaz, serviçal; «cacai», estrábico, de «cock-eyed»; «captain», chefe de criados; «cash», dinheiro à vista; «chope», feriado escolar, do pidgin de Hong-Kong; «corte», tribunal, de «court»; «cule», trabalhador chinês, de «coolie»; «dangeroso», perigoso, de «dangerous»; «engajamento», promessa de casamento, de «engagement»; «engajar», fazer o pedido de casamento, de «engage»; «entiçar», incitar, de «entice», tentar; «espitune», escarrador, «de spittoone»; «fluqueiro», «fluquice», jogadas erradas, boa jogada, de «fluke»», golpe ou tiro, dado por acaso ao jogo; «mámi», mamã, de «mammy»; «minche», picado de carne, de «mince»; «parcar», arrumar um carro, de «to park»; «queique», bolo, de «cake»; «reporta», levar ao conhecimento, de «report»; «rustir», assar, de «to roast»; «sós», molho, de «sauce»; «tiro-grandi», sugestão do inglês «big shot».
Embora seja difícil determinar de uma forma precisa as tendências sociais de cada um dos grupos étnicos ou dos idiomas estranhos que influenciaram a língua de Macau, podemos assinalar alguns dos aspectos mais expressivos dos léxicos nela representados.
Assim o malaio exprime muitos instrumentos de uso doméstico, medidas, vestuário, comestíveis como frutos, doces, leite de coco, culinária e certos estados abstractos.
Por sua vez, o chinês revela-se numa série de costumes próprios desta comunidade e adoptados pelos Macaenses, como nomes de refeições, géneros de alimentação, embarcações e seus tripulantes, utensílios de pesca, remédios, jogos e condições físicas.
Nos termos indianos encontram-se diferentes situações humanas, instrumentos domésticos, vestuário, doçaria e nomes de plantas.
Finalmente, do inglês provieram termos de comércio, predicados físicos, actos sociais e algumas designações de culinária. (...)

Excerto do capítulo "A Língua de Macau" in A Influência da Cultura Portuguesa em Macau, de Rafael Ávila de Azevedo. Edição: Inst. Cultura e Língua Portuguesa, 1984.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/a-lingua-ou-patua-de-macau-2-parte.html

A Língua ou Patuá de Macau: 1ª parte - 04Out2018 14:07:00

A língua ou patois de Macau mereceu, desde longa data, a atenção dos filólogos portugueses. Foi primeiramente estudada por Francisco Adolfo Coelho (1847-1919) numa monografia que envolvia todos os dialectos portugueses falados fora de Portugal. O dialecto macaense é aqui tratado num pequeno número de páginas. Todavia, o autor dispunha de uma especial competência no campo da filologia histórica e científica, de que foi um precursor em Portugal, quer como investigador consciencioso, quer como professor do antigo Curso Superior de Letras e depois Faculdade. Neste, como em outros campos da sua extraordinária actividade, Francisco Adolfo Coelho distinguiu-se, entre nós, como o iniciador de uma escola de cientistas da linguagem. Não lhe escapou, pois, o estudo dos crioulos que são a expressão idiomática da expansão dos Portugueses no mundo a partir do século XV. De facto, o crioulo de Macau pode colocar-se a par de outros dialectos com os quais, de resto, apresenta muitas semelhanças, no Brasil, na África e na Ásia.
Após Francisco Adolfo Coelho e na sua esteira, outro notável filólogo português contemporâneo, José Leite de Vasconcelos (1858-1941), também se ocupou do crioulo de Macau numa memória destinada ao X Congresso dos Orientalistas, embora de uma maneira rápida e aproveitando-se sobretudo de Adolfo Coelho.
Todavia, e ainda anteriormente a estes filólogos, a mais antiga referência que existe sobre o patoá de Macau deve-se a um autor chinês, Tcheng Ulam, que também escreveu uma monografia sobre a cidade do Santo- Nome-de-Deus com o título de Oi-Mun-Kei-Leok, redigida em 1745-1746, em que se referia à língua macaense.
Mas o dialecto teve ainda um intérprete apaixonado no orientalista João Feliciano Marques Pereira (1863- 1909), nascido em Macau, de onde se dirigiu a Portugal para frequentar o Curso Superior de Letras, onde foi discípulo de Adolfo Coelho. Ficou, porém, sempre fiel à terra onde nasceu. Professor efectivo da antiga Escola Superior Colonial, deputado pelo círculo de Macau, funcionário do Ministério da Marinha e do Ultramar, dedicou-se, quer pelo jornalismo, quer pela publicação de várias obras, aos interesses de Macau que sempre defendeu ardorosamente. Contudo a sua coroa de glória é a edição da revista Ta-ssi-yang-kuo (Grande Rumo do Mar do Oeste, isto é, Portugal). Esta revista, pela colaboração que contém, representa, ainda hoje, uma contribuição notável para o conhecimento da história de Macau.
Ora, foi na referida publicação que em sucessivos artigos, subordinados ao título de «Subsídios para o Estudo do Dialecto de Macau», o autor, quer com a inserção de textos apropriados, que lhe eram enviados do território do Extremo-Oriente, quer com notas esclarecedoras, empresta o maior desenvolvimento à análise do dialecto de Macau. Apesar de outros trabalhos publicados posteriormente, os artigos assinados por João Feliciano Marques Pereira são indispensáveis para o conhecimento da língua de Macau, pelo menos numa fase da sua evolução histórica.
Ultimamente a Dr.ª Graciete Nogueira Batalha, professora no Liceu Infante D. Henrique e residente no território há longos anos, tem-se consagrado afincadamente à prospecção do dialecto com a publicação de numerosos e valiosos trabalhos.
Finalmente um escritor macaense, José dos Santos Ferreira, deu à luz uma série de obras em que reconstitui com toda a fidelidade a língua de Macau.
Além de referências esparsas em outras obras são estes os principais elementos que se podem consultar sobre um dos dialectos mais característicos e originais da língua nacional.
Como acontece em todas as outras estruturas linguísticas o dialecto de Macau, língua macaísta, ou ainda mais vulgarmente patoá (do francês patois) tem sofrido uma evolução, mais notória no actual século. Graças a vários factores e, nomeadamente, uma maior aproximação com a Metrópole e à acção dos metropolitanos, só restam alguns traços fundamentais do antigo crioulo, tanto na fonética, como na morfologia. Além disso, é actualmente falado por um número mais reduzido de macaenses.
De facto, os textos publicados na revista Ta-ssi-yangkuo revelam-nos uma linguagem muito mais distante da do nosso tempo e, por vezes, incompreensível, com o emprego de um vocabulário estritamente macaense. Deve ainda notar-se, como vimos atrás, que o dialecto chegou a ter expressão literária.
Como já foi notado, a língua praticada em Macau já não pode merecer a designação de dialecto. É antes um falar próprio, com características que não são exclusivamente de Macau e se revelam ainda no português das nossas antigas províncias ultramarinas e, naturalmente, no Brasil.
As influências que sofreu a língua de Macau são certamente de diversas origens, representando os diversos grupos sociais que foram constituindo a população do território nas suas relações com os povos vizinhos, numa área geográfica bem determinada.
Assim, como teremos ocasião de apreciar adiante, muitos vocábulos originais das línguas malaias foram introduzidos desde o início da fixação dos Portugueses no século XVI na pequena península chinesa. Por um lado, segundo a versão dos historiadores, os colonos portugueses ligaram-se com mulheres da Malásia e, por outro lado, os macaenses tiveram sempre contactos muito frequentes com a Malásia. Foi da cidade de Malaca que partiram os primeiros navegadores e comerciantes com destino aos mares da China. Do mesmo modo, e por motivo das relações mútuas, o português influiu nas línguas da Malásia que conservam bastantes vocábulos de origem lusitana.
Além do malaio, foram adaptados pelos habitantes de Macau termos do canarim ou língua de Goa, porque, como se sabe, a colónia dependeu administrativamente, durante muito tempo, do governo da Índia. A língua espanhola também deixou aqui alguns vestígios pela proximidade das Filipinas, onde até ao fim do século passado dominaram os Castelhanos.
Todavia, uma grande parte dos elementos lexicais e ainda outras formas gramaticais provêm do chinês, o que nada nos pode surpreender, porque a etnia propriamente macaense representa hoje uma percentagem mínima, cerca de três por cento, da população chinesa que em ondas sucessivas, e principalmente depois da segunda guerra mundial, tem invadido o território e nele se conservou com os seus usos e costumes.
De resto, os Chineses de Macau distinguem claramente entre o significado dos termos Chông Kwó Kian, Sai Yeóng Iân e Ou-Mun-Iân, isto é, gente de Portugal, (metropolitanos) e «gente de Macau» (Macaenses). Também na linguagem corrente do território, quando se fala do «filho de Macau» ou «filho da terra», pretende-se apenas aludir ao macaense genuíno, ou seja o descendente de portugueses, nascido em Macau, embora nele se misturassem os sangues chinês, malaio, indiano, javanês ou mesmo filipino, os mestiços, como são designados os indivíduos destas proveniências, sem quaisquer complexos.
Tanto o filho de Macau como o chinês se consideram um ao outro como estrangeiros. Mas se um autêntico chinês entrou no grémio da Igreja Católica, adquiriu a nossa língua e assimilou a nossa identidade, passa a ser considerado como um verdadeiro macaense.
De uma maneira geral ? é ainda outro aspecto a considerar na língua de Macau ? nota-se uma ausência quase completa de vocábulos relacionados com a agricultura e mesmo com a horticultura. Evidentemente não se trata de um povo de lavradores ? o pequeno solo de Macau não o permitia ? mas de gente empregada no funcionalismo de todos os graus, ou, quando muito, em actividades que se designam como terciárias. Portanto, o léxico macaense revela uma influência culta. São, no entanto, muito abundantes os termos referentes à culinária em que participa um receituário não só português mas também chinês, malaio e indiano.
Na fase do século passado, segundo a análise de João Feliciano Marques Pereira, a língua de Macau apresentava-se sob três formas que se podiam assim distinguir: 1) o macaísta cerrado ou macaísta puro, que era, sem dúvida, o mais interessante, no ponto de vista filológico, essencialmente falado pelas classes populares; 2) O macaísta que se aproximava do português corrente, usado pelas famílias de maior nível social e em contactos frequentes com os recém-vindos da Metrópole; 3) O macaísta falado pelos Chineses 53. Nos últimos tempos, a acrescentar às influências que acima citámos e são as mais antigas, temos de notar as da língua inglesa, dada a proximidade de Hong Kong e das mais variadas dependências, sobretudo comerciais, de Macau daquela colónia britânica. Ainda hoje nos surpreende o facto de que a segunda língua praticada em Macau, depois do chinês, seja o inglês e não o português. Pode dizer-se, sem exagero, que a nossa língua só é usada em Macau nos actos administrativos e por funcionários macaenses ou recém-vindos da Metrópole e mais raramente por comerciantes ou outras pessoas, apesar dos grandes esforços empreendidos ultimamente pelo Governo para expandir e valorizar a língua lusitana.
Um dos aspectos mais significativos da língua de Macau, como de resto acontece com outros crioulos portugueses e com a língua insular, é a conservação de termos arcaicos que caíram em desuso no português corrente. Citemos alguns de maior expressividade: «Ade» por «adem» do português antigo pato-real; «afião», igualmente do português antigo «anfião», do árabe «afium», nome do ópio extraído da papoula; «ama», criada, serviçal doméstica; «amestê» por há mister; «asinha» com o sentido de depressa; «autochina», nome de teatro chinês tradicional; «botar», deitar; «botica», farmácia; «bredo», significando hortaliça; «bugio», macaco; «cachorro», cão; «cafre», negro africano; «carreta», carro pequeno; «chunambo», cal de conchas de ostras; «obreiro», artífice de cobre; «cuscus», pão ou bolo cozido em vapor de água; «cuspidor», escarrador; «de ficada», acção de ficar ou de se conservar num lugar; «figo» de banana; «papear», conversar, falar português, papear; «pramor», por amor, por causa de; «mariscar», vocábulo muito usado pelos nossos clássicos no sentido de comer mariscos; «mercê», graças, mercê de; «tem mercê», tem direito; «mezinhas», remédios; «mofina», triste, infeliz.
Mas, como acima dissemos, é, porém, o malaio e depois o chinês que se tornam a fonte mais abundante, como é natural, do léxico macaense. Não provém somente do contacto secular entre os Macaenses e estes dois povos, mas ainda um grande número de vocábulos designam objectos que só se encontram em Macau. Citaremos das línguas malaias aqueles de uso mais corrente, aditando, quando possível, a sua origem: 
«Achar», conserva; «baju», casaquinho; «balechão», tempero, do malaio «balachan»; «bilimbi», fruto, de «balimbing»; «cachipe», avarento, de «kachip»; «cacus», latrina; «cancom», espécie de couve, de «kang kong»; «catiaca», cheiro de sovacos, de «ketiak»; «chareta» ou «xareta», colher, nádegas, de «chiratta»; «chilicate», alicate, de «chelikati»; «choler», tocar com os dedos, de «cholek»; «chubi», ou «chubir», beliscar, dar beliscões, de «chubit»; «chupa», medida, de «chupak»; «copo-copo», borboleta, de «kupu-kupu»; «cudum», indivíduo baixo, de «kudong»; «curum», espécie de cesto, de «kurong»; «cutão», corpete, de «kutang»; «daiom» ou «daiong», um pau com feitio de remo com que se mexe a «alúa», um doce fabricado em Macau, de «dayong», remo; «dodol», doce; «estrica», ferro de engomar, de «istrika»; «gambel», substância para mascar, de «gambir»; «godão», armazém nos baixos de uma casa, de «gudang»; «gunde», saco pequeno, de «guntil»; «jaca», fruto de «chakka»; «jamboa», fruta; «jangom», milho, maçaroca de milho, de «jagong»; «lacassá», sopa, de «laksa»; «lichim», escorregadio; «mangostão», fruto, de «mangistan»; «maz», peso de 1666 gramas; «mongus» e «murum», triste; «ná», interjeição, com o sentido de «deixa-me»; «onde-onde», bolinho; «paço», recipiente de barro, de «pasu» e «paço-buião», boião de barro grosseiro, de «pasu-buyong»; «pala-palã», de par em par; «parão», facalhão, de «parang»; «pico», peso equivalente a 100 cates, ou seja aproximadamente 6100 quilos; «pipis», bolinhos; «pulu», arroz; «rota», espécie de cana fina de junco, de «rotang»; «saião», pena, desgosto, saudade, de «sayang»; «sambal», compota; «sanco», escarrador, de «sangku»; «santã», leite de coco; «sapão», madeira, de «sapang»; «sapeca», moeda, de «sapaku»; «saraça», mantilha, de «sarásah»; «sará saru», pesado, de «sarat»; «savan», doença, de «sawan»; «sipute», caracol; «tael», 16.ª parte do cate. (...)
Excerto do capítulo "A Língua de Macau" in A Influência da Cultura Portuguesa em Macau, de Rafael Ávila de Azevedo. Edição: Inst. Cultura e Língua Portuguesa, 1984.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/a-lingua-ou-patua-de-macau-1-parte.html

A influência da cultura portuguesa em Macau - 03Out2018 22:01:00

Da autoria de Rafael Ávila de Azevedo, "A influência da cultura portuguesa em Macau" é uma edição de 1984 do Ministério da Educação e Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. 
Macau tem sido há séculos um ponto avançado de Irradiação da cultura do Ocidente em terras orientais. Diversos factores, porém, têm dificultado e diminuído o uso da língua portuguesa pela população da cidade, apesar de porfiados esforços empenhados nesse objectivo. Gerou-se com o andar do tempos no entanto, um dialecto crioulo de raiz portuguesa que é expressão significativa da nossa presensa histórica no velho empório quinhentista. O encontro de civilizações é ali uma realidade perene.
Ao longo de 137 páginas o autor aborda temas como o ensino das ordens religiosas (jesuítas, agostinhos, dominicanos, franciscanos e claristas), a presença de Camões em Macau, a literatura de língua portuguesa,  a arquitectura portuguesa, o jornalismo, os escritores do século 19, o ensino das congregações, e a acção cultural do liceu de Macau. Em anexo inclui-se uma "antologia de autores macaenses".
Alguns excertos do livro:
(...) Entretanto funcionou em Macau uma Escola das Primeiras Letras, regida primeiramente por Alexandre António Pereira (1774-1822) e, em seguida, por Camilo de Lélis de Sousa (1804-1882). Como o seu próprio nome indicava, o currículo do estabelecimento não ia além de «ler, escrever e contar», instrução que no tempo se julgava suficiente para os Macaenses. Evidentemente, como vimos atrás, a língua portuguesa não se notabilizou pela sua pureza. Era a «língua de Macau», «língua macaísta» ou «patoá», uma espécie de crioulo, com três séculos de existência, ainda falada pelas famílias mais distintas de Macau no século passado. Como o ensino não progredisse, foi o próprio Senado, a quem Macau deveu em grande parte a sua autonomia administrativa, que se julgou com a obrigação de «promover a educação pública», alegando já o motivo político de «cimentar as instituições liberais». Para o efeito o Senado reuniu várias vezes, mas os seus esforços não foram coroados de êxito porque não se encontravam professores idóneos. Em Portugal, o ministro da Marinha e do Ultramar, Joaquim José Falcão, tinha criado em todas as possessões ultramarinas as escolas principais de instrução primária. Existia ainda uma doação do inglês James Matheson, no valor de cinco mil patacas, que o Senado deliberou aplicar nas despesas do funcionamento de um plano de educação. O Padre Jorge António Lopes da Silva (1817-1870) foi assim nomeado director e mestre da Escola Principal (1847) que, no currículo adoptado em Macau, compreendia as primeiras letras do ensino primário, o ensino de português e ainda o francês e o inglês. O Padre Jorge da Silva, dotado de predicados pedagógicos de zelo e assiduidade, conservou-se no seu cargo até 1853, sendo substituído, no ano seguinte, pelo Padre Vitorino José de Sousa Almeida que ministrava o ensino do português e do latim. Juntaram-se-lhe outros dois professores: um de primeiras letras e outro de francês e de inglês. A escola desempenhou um papel de relevo na instrução da juventude macaense pois era frequentada por mais de trezentos alunos. (...)
Nota: em breve publicarei um excerto do mesmo livro e autor relativo ao patuá.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/a-influencia-da-cultura-portuguesa-em.html


Recordando os "Osprey" - 01Out2018 12:48:00

Em 1927, por necessidade de vigilância das águas territoriais, face à pirataria e às contingências da guerra civil na China, foi estabelecida uma Secção da Aviação Naval em Macau subordinada ao Chefe dos Serviços de Marinha. Três hidroaviões Fairey (incluindo o F-17 Santa Cruz) ficaram baseados na Ilha da Taipa, efectuando voos de reconhecimento até à extinção dessa unidade em Abril de 1933.
Em 1937, face à situação criada pela invasão da China pelos japoneses, foi decidido reforçar a defesa de Macau, incluindo o restabelecimento da vigilância aérea. Foi enviado o aviso de 1ª classe Afonso de Albuquerque com o seu avião Osprey, levando também o análogo do Bartolomeu Dias. Em 1938 foi formalmente criado o Serviço de Aviação de Macau, tendo-se estabelecido o quadro do pessoal e adquirido mais 4 hidroaviões Osprey, perfazendo uma esquadrilha de 6 idênticos. Porém, por vicissitudes ocorridas, tanto com o material de voo como com vários impedimentos dos oficiais aviadores, este Serviço de Aviação foi encerrado em 1942.
Os seis Osprey no Hangar do Porto Exterior
É de referir que o hangar que havia sido construído no Porto Exterior, viria a ser bombardeado por aviões americanos em Janeiro, Fevereiro e Junho de 1945, alegadamente por suporem estar o território ocupado pelos japoneses. Em 1950, reconhecendo o erro, o Governo dos EUA indemnizou Portugal num montante superior a 50 milhões de USD.
in Revista da Armada, Julho 2002









Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/10/recordando-os-osprey.html

Descrição do Palácio do Governo: final do século 19 - 30Set2018 09:52:00

um dos principais edifícios das nossas Colónias. Situado proximamente no centro da Praia Grande de Macau foi mandado construir pelo governador falecido visconde da Praia Grande, se bem nos recorda de empreitada por 35 mil pesos.
Não havia então na província engenheiros nem tão pouco serviço de obras públicas. Era urgente fazer-se uma residência para os governadores e nesse tempo principiava o falecido Visconde de Cercal o seu palácio. O governador que conseguira em sua administração tornar replectos de boa moeda sonante todos os cofres da província animou-se a empreender também a construção d´um edifício apropriado. Com um chin mestres d´obras (mata-pau) designou os cómmodos que desejava para esse edifício e estabeleceu as condicções a que devia satisfazer sua construção. Aquelle homem que conhecemos e também já falleceu, como sabia, lá riscou n´um papel pardo, a lápis de côres uma planta e alçado, que depois de soffrer algumas modificações, foi posto em execução.
Ilustração da época de 1880 - revista Occidente
Tem o edifício de frente, quarenta tantos metros e de suas extremidades seguem perpendicularmente à frente alas que para o lado interior fecham até certa altura o jardim do mesmo palácio, o qual depois é protegido por muros e prédios particulares, sendo os fundos do lado fronteiro ao palácio fechado pelas cavalariças e cocheiras pertencentes ao mesmo, cuja frente fica na calçada, se bem nos recorda, do Santo Agostinho.
Comprehende o palacio dois pavimentos, no inferior, lado direito, são as repartições da secretaria do governo e, lado esquerdo, alojamentos dos oficiaes às ordens e adjudantes dos governadores. Nos fundos, arrecadações e quartos de ordenanças. No primeiro pavimento à frente, salas de entrada e na primeira, à direita, mais duas sendo a do topo a do docel; à esquerda, de visitas ou dos retratos dos governadores, reservada, a gabinete particular do governador ou seu escriptorio.?
in "Revista illustrada As Colónias Portuguesas?, 1883


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/descricao-do-palacio-do-governo-final.html

"Serviço de porcelana chinesa" de D. Pedro III - 29Set2018 17:40:00


Réplica de um prato em porcelana da China de exportação europeia decorada com as Armas Reais Portuguesas sobrepostas às da Ordem da Cruz de Malta em esmaltes polícromos e ouro.
À semelhança das cortes de França e Espanha, a realeza, nobres, dignitários da Igreja e alta burguesia portuguesas também não dispensavam à sua mesa as peças de louça da China que importavam através de Macau. Estes serviços - cujas peças podiam rondar as duas centenas - eram constituídos por pratos fundos e rasos, terrinas e travessas de vários tamanhos, saladeiras, molheiras, mostardeiras, saleiros, caixas de especiarias, manteigueiras e cremeiras.
Foi assim desde o século XVII até ao século XX, com os monarcas e aristocratas a importarem serviços e peças avulsas decorados com os seus brasões de armas entre flores, folhas, grinaldas, gregas e outros elementos decorativos coloridos com esmaltes.
Encomendado pelo rei D. Pedro III, em 22 de Agosto de 1775, por via de Bento Dias, segundo um aditamento ao inventário do Palácio de Queluz de 1767, entrou no referido palácio "Hum jogo de Loiça de Macao fundo branco sercadura de rede encarnada e matizes, filetes de oiro e em cada pessa duas tarjas de Armas Reais juntas com as de Malta".
D. Pedro III (1717-1786) era filho de D. João V e de D. Maria Ana de Áustria. O Palácio Nacional de Queluz era a sua residência favorita e foi para lá que foi este serviço completo de porcelana chinesa de exportação ("Companhia das Índias"), do reinado Quianlong (1736-1795), constituído por serviço de jantar, chá, café e chocolate. Foi propositadamente encomendado para o rei, e decorado com as Armas Reais portuguesas sobrepostas à cruz da Ordem de Malta. O serviço é designado por "Louça de Macao" tendo sido feitas reproduções com fins comerciais.


Réplica de um bule em porcelana da China de exportação europeia - do período Qianlong - decorada com as Armas Reais Portuguesas em esmaltes polícromos e ouro. Parte de um serviço de mesa, chá, café e chocolate, encomendado pelo rei D. Pedro III, marido da Rainha D. Maria Pia.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/servico-de-porcelana-chinesa-de-d-pedro.html

Macao Scenses: postais 1988 - 28Set2018 18:31:00

Colecção de postais publicada em 1988


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/macao-scenses-postais-1988.html


Imposto de selo com sobrecarga "taxa de guerra" - 26Set2018 18:59:00

Na falta de estampilhas originais foram colocadas as sobrecargas "Taxa de Guerra" nas estampilhas de "Imposto do Selo" que vigoravam nas diferentes colónias portuguesas, incluindo Macau. Estes são de 1919 e existiram, pelo menos, com os valores de 2, 9 e 11 avos. O valor era direccionado para suportar os custos da participação de Portugal na Primeira Guerra mundial.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/imposto-de-selo-com-sobrecarga-taxa-de.html

Réplicas de Selos e Notas de Macau - 25Set2018 15:02:00

?História das Ex-Colónias de Portugal em Selos e Notas?, é uma edição promovida pelo jornal Correio da Manhã em 2018 com réplicas em tamanho real de selos e notas das antigas colónias portuguesas. A colecção é composta por álbum de capa dura com 128 páginas, 30 fascículos sobre a história das notas e selos das ex-colónias portuguesas; 60 blocos com 208 selos reproduzidos em papel filatélico de alta qualidade e 60 notas em papel-moeda, em tamanho real.
Macau na colecção:
Notas: 10 patacas (1907); 100 patacas (1944); 1 pataca (1912); 50 patacas (1944);
Selos: Uniformes Militares (1966); Vistas de Macau (1948); Flores de Macau (1953); Embarcações Típicas de Macau (1951); Retrospectiva (1999).


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/replicas-de-selos-e-notas-de-macau.html

"Imagens do Oriente - Impressões de Viagens" - 24Set2018 15:35:00

Edição Museu Marítimo de Macau, 1999
António José Gonçalves Pereira nasceu em 26 de Julho de 1855 em Gontinhães (Vila Praia de Âncora, concelho de Caminha), filho de Francisco Gonçalves do Rego e Ana Maria Pereira, modestos lavradores da freguesia.
Foi educado pelos tios, Comendador José Bento Ramos Pereira e D. Maria Gertrudes da Silva Pereira, com casa comercial no Rio de Janeiro. Estudou em Leça, no Colégio dirigido por D. Pedro Montezuma, nos liceus do Porto, Viana do Castelo, na Academia Politécnica e Escola Médica do Porto. Médico Naval, em 1886, no posto de 2.º Tenente, esteve embarcado nas canhoneiras «Bengo», «Diu» e no Cruzador D. Carlos.
Sobre a sua primeira viagem disse: «Abriram-se as portas do mundo, e em toda esta minha vida movimentada percorri quase todos os oceanos, costeei continentes, uns cobertos de luxuriante vegetação, outros áridos e arenosos; as ilhas que pareciam corbelhas de flores baloiçando-se no meio do mar; vi cidades, Babilónias indescritíveis, crianças nos anos e velhas no tamanho; toquei nas águas da mais bela catarata do mundo ? o Niágara, atravessei o Continente Norte-Americano, num verdadeiro palácio de rodas ? o Pullman, e lagoa em caminho de ferro; planícies que pareciam oceanos de verdura; ascendi ao cume de Montanhas Rochosas cobertas de gelos eternos; vi lagos de água salgada, aonde esta parece não dever existir; atravessei o grande Deserto Americano compreendido entre as Montanhas Rochosas e a Serra Nevada; vi o Oriente e a Oceânia, um com as suas antigas civilizações, outro quase no estado primitivo; assisti a deslumbrantes festas reais e de Chefes de Estado; tomei parte em cerimonial marítimo de indizível grandeza; vi vulcões em actividade e vulcões extintos; admirei a imponência das Pirâmides do Egipto; fotografei-me junto da Esfinge; vi múmias de Faraós de 3.000 anos antes de Cristo; vi o Cairo, vi Malta, vi Argel com os seus famosos templos e velhas mesquitas; vi as novas cidades da América do Sul, vi enfim tanta maravilha da natureza e da arte, que perante tão extraordinária beleza me descobria invocando aqueles que me puseram em estado de as admirar. Foi um nunca acabar de impressões grandiosas, que só as pode bem avaliar quem durante 24 anos vagabundeou quase incessantemente. A minha vida foi um perfeito caleidoscópio, e para que nada faltasse conquistei as mais honrosas condecorações e os melhores amigos. Quem ler esta pequena resenha de impressões, bem poderá ajuizar o que tem de belo a minha peregrinação pelo mundo. E com tal movimento, esta pedra não criou bolor.»
Gonçalves Pereira exerceu cargos directivos no Posto-Médico do Arsenal, da Cordoaria e do Hospital da Marinha. Foi ainda Professor de Ciências Matemáticas, de Ciências Naturais e Cronista.
Viveu em Macau, onde casou, a 25 de Abril de 1892, com a macaense, D. Edith Maria Constança Nolasco da Silva, filha mais velha de Pedro Nolasco da Silva (1842-1912) e de Edith Maria Angier. Senador eleito pelo círculo n.º 50 (Macau) em 1916, fez parte das Comissões de Higiene e Assistência, Marinha, Guerra, Finanças, Orçamento e Colónias.
Na sua primeira intervenção como Senador referiu-se às ocorrências na Ilha da Lapa ou dos Padres: 
«Sr. Presidente: começo por ler uma carta que ultimamente recebi de Macau.
"A notícia, mais desagradável, que lhe posso dar, é a que se refere à ocupação militar da Ilha da Lapa. O governador Maia  (Carlos da Maia, governador entre 1914 e 1916) mandou em tempos desembarcar ali soldados disfarçados vestidos à paisana. Estes reuniram-se numa casa da Ilha, aonde arvoraram a bandeira portuguesa. Os chineses, logo que os viram e reconheceram, correram-nos da Ilha e obrigaram-nos a arrear a bandeira. Consta agora que os chineses, mandaram para ali soldados e metralhadoras de modo a receberem-nos doutro modo, se outra tentativa houver. Foi o acto mais impolítico que o governador podia praticar, e que muito nos pode comprometer no futuro. Todos o censuram e se admiram como cometeu aquela imprudência».
Quando a China implantou, no seu país, o regime republicano, as províncias do sul revolucionaram-se, e essas revoluções reflectiram-se, mais ou menos, nas povoações próximas de Macau, entre as quais está a ilha da Lapa. Esta ilha foi abandonada por grande número dos seus habitantes, de forma que ela ficou, por assim dizer, em poder dos revoltosos que a breve trecho também dela saíram. O Sr. Maia, Governador de Macau, julgou ser este o momento azado para nos apoderarmos da Ilha e combinou com o comandante da polícia estabelecer uma espécie de quartel flutuante, no porto interior de Macau, para os nossos soldados, sob o comando de um oficial. Na Ilha haviam preparado uma casa, para onde iam à paisana, onde arvoraram primeiro a bandeira chinesa, passando depois a arvorarem a bandeira portuguesa. Os chineses logo que viram ali a nossa bandeira, correram os nossos soldados, e fizeram arriar a bandeira. O Governador retirou de Macau no mês de Setembro, mas deixou ali ordem, segundo as informações que tenho, para que a nossa bandeira fosse de novo arvorada na referida Ilha, no dia 5 de Outubro. O secretário do Governo, cumprindo essa ordem, mandou que a bandeira fosse hasteada, mas sucedeu o mesmo que da primeira vez: foi arriada e os soldados postos de lá para fora.
Consta-me que o Governo chinês, em consequência destes casos, mandou ocupar a Ilha, militarmente, mandando para ela, soldados e munições. Sr. Presidente: não faço largos comentários a este facto, que tem tanto de deplorável como de impolítico e imprudente, mas sempre direi que, se não estamos hoje a braços com uma complicação grave com a China, havemos de a ter num futuro mais ou menos próximo, quando nos decidirmos a solucionar o problema da delimitação de Macau. E, Sr. Presidente, para que não se julgue que as minhas palavras são fantasiosas, eu vou referir à Câmara o que se passou em 1908, com uma imprudência quase igual à de agora. Em 1908, o Governa Chinês soube que tinha partido do Japão para Macau um navio carregado de armas para serem introduzidas na China clandestinamente. O Governo Chinês mandou uma canhoneira próximo de Macau ao encontro desse navio e tendo-o encontrado próximo da ilha de Woucame, levou-o para Cantão e apresou as armas.
O Governo Japonês, logo que soube deste aprisionamento, mandou quatro cruzadores a Cantão, exigiu o navio e as armas, uma indemnização e uma satisfação à bandeira japonesa no próprio local onde o navio fora apresado. A China sofreu estes vexames, satisfazendo todas as exigências, menos a da entrega das armas, porque, dizia ela, se as entregasse iriam para Macau e seriam, introduzidas na China, mas teve de pagar uma indemnização pelas armas, proximamente 2:000.000$. Ficou assim o negócio liquidado com o Japão, mas a China veio depois pedir satisfação a Portugal. Quando se tratou de resolver este problema o Governo Português, cujo Ministro dos Negócios Estrangeiros era o Sr. Venceslau de Lima, para o solucionar satisfatoriamente para Portugal, declarou que as armas tinham sido aprisionadas em águas chinesas e não portuguesas.
Os chinas calaram-se e aceitaram esta explicação como boa. Poucos anos depois, o Governo Português mandava a Macau uma comissão composta dos Srs. General Machado e Norton de Matos, que é hoje Ministro da Guerra (1915-1917), para proceder à delimitação daquela nossa colónia, e quando se tratou de discutir o direito que tínhamos às ilhas que rodeiam Macau, entre elas a da Lapa, os comissários chineses declararam que Portugal tinha dito que eram chinesas as águas onde o navio tinha sido apresado e, portanto, chinesas eram as ilhas banhadas por essas águas e não quis admitir mais que na conferência se tratasse da posse das ilhas que rodeiam Macau, ficando assim malogradas as delimitações de Macau.
Agora, quando o Governo Português se resolver a solucionar este problema das delimitações, que é urgente fazerem-se, ela há-de dizer que lhe pertence a Ilha da Lapa, que está ocupada militarmente, sem apresentarmos reclamação nenhuma, e por consequência os trabalhos das delimitações ficam malogradas, como da primeira vez.
É esta a consequência fatal do acto imprudente e impolítico praticado pelo governador Maia. Sr. Presidente: na minha qualidade de Senador, representante de Macau, protesto energicamente contra este facto e protesto mais contra a volta do governador para Macau, porque a presença dele ali há-de ser irritante, principalmente entre os chinas da Ilha da Lapa, que têm vivido constantemente em óptimas relações de amizade connosco, prestando-nos até importantíssimos serviços, de que eu fui testemunha, quando se tratou da epidemia da peste bubónica, sujeitando-se a receber na sua ilha todos os empestados de Macau para que pudéssemos sanear a nossa colónia à vontade.
É preciso que o Governo saiba que, se um dia tomarmos posse da Ilha da Lapa, não há-de ser pela força, que ali não temos, nem pela violência, mas sim por actos de boa amizade entre os dois países e mercê duma hábil diplomacia da nossa parte para com a China.
É necessário também que se saiba que em Macau há uma população de 100:030 almas; que só 4:000 ou 5:000 almas são portuguesas; que quase toda a polícia de Macau é composta de chineses, em que se não pode ter grande confiança.
Ainda na última mala que chegou recebi um jornal que dizia o seguinte:
«Esteve em Macau, a conferenciar com o governo da colónia, dizem que sobre assuntos respeitantes aos territórios vizinhos, o secretário do governador civil de Cantão, Sr. Dr. Lin-tsu-fang. Não sabemos o que resultou da conferência». Ora os territórios vizinhos de Macau, em que nós podemos ter interesses, são as ilhas que rodeiam Macau. Não sei o que se tratou na conferência, mas, com certeza, que não havia de ser cousa nenhuma favorável para nós. Sr. Presidente: brevemente vão ser postas em execução, nas colónias, as cartas orgânicas. Os governos das colónias tornam-se, por isso, mais difíceis. Eu pedia ao Governo que não mandasse para as nossas colónias senão homens ponderados, e não aprendizes, a fim de que não haja complicações, das quais poderão resultar graves dificuldades para nós. Sobre o caso não faço mais considerações. Estas deviam ser feitas na presença do Sr. Ministro das Colónias ou do Sr. Ministro dos Estrangeiros, mas S. Ex.as nem sempre podem vir â Câmara, e por isso peço a V. Exa., Sr. Presidente, que tenha a extrema amabilidade de as fazer chegar ao conhecimento desses Srs. Ministros para que sejam tomadas na consideração que mereçam (Apoiados).
Vozes: - Muito bem.»


Republicano convicto desde a primeira hora, Gonçalves Pereira cedo se desiludiu com o rumo dos acontecimentos. 
Reformou-se, a seu pedido, com o posto de Capitão-de-fragata. 
«A minha tristeza», diz ele, «foi enorme. Escondi os meus uniformes, cujos galões tanto honrei, guardei a minha espada virgem e impoluta, beijei as condecorações que tão honradamente ganhei; e reportei-me ao meu passado tão belo, tão distraído e tão honroso.» 
Colaborou na Ilustração Portuguesa e publicou as obras "Manifesto Eleitoral" (1915), "A minha auto-biografia" (1941) e "Imagens do Oriente, Impressões de viagens", editada depois da sua morte (1999), que ocorreu em Lisboa a 9 de Fevereiro de 1942.



Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/imagens-do-oriente-impressoes-de-viagens.html

Reportagem em dois continentes (1962) - 23Set2018 09:31:00

"Reportagem em dois Continentes" é um livro da autoria de Fernando Laidley, editado em Portugal em 1962.
O autor e a mulher percorreram cerca de quinze mil quilómetros de automóvel partindo de Moçambique rumo ao Extremo-Oriente visitando Macau, a pérola do Oriente; Hong Kong, a magnífica; Saigão, a capital do Vietname do Sul; Bangkok, a exótica; Ceilão e Carachi. Atravessaram duas vezes o Quénia, Tanganica, Rodésias e a África do Sul; Regressou a Lourenço Marques e partiu para Angola onde acompanhou as tropas portuguesas no final de 1961.
O repórter angolano Fernando Laidley levou uma vida de aventureiro e foi um dos inúmeros retornados. Fugiu de Luanda numa traineira e refez a vida em Portugal como filatelista com banca no Mercado da Ribeira. O período abrangido pela obra coincide com o princípio do fim do império colonial português.
A parte em que surge Macau é o capítulo II. (...) "Devo esclarecer que Macau e Timor eram as únicas parcelas do nosso Ultramar que ainda não havia visitado. A oportunidade não se fez esperar. (?) Como a minha velha «station» se encontrava em Lourenço Marques, resolvemos seguir nela até Nairobi, uns sete mil quilómetros ao Norte de Lourenço Marques e daí seguirmos de avião para Macau. É essa viagem maravilhosa ao Oriente e através da África, terminando em Angola, que vou tentar contar-lhes na minha prosa rudimentar (...)
Capítulo II - Viagem ao Extremo Oriente
- Voos Nairobi-Carachi e Bangkok-Hong-Kong;
- Da galanteria gaulesa à cortesia britânica...;
- Quatro séculos de história;
- 'Intermezzo' oriental;
- A maior população escolar do mundo;
- O problema dos refugiados e as serviços de saúde;
- Dois mundos diferentes: Macau e Hong-Kong;
- Macau, cidade industrial;
- O desporto em Macau;
- Tufão sobre Macau;
- A cidade magnífica;
- Formosa: Bastião n.º 1 contra o comunismo chinês;
- Quemoy, ilha fortaleza;
- Visita ao lago do sol e da lua;
- Voos Hong-Kong-Saigão-Singapura-Penang-Colombo-Bombaim-Carachi-Nairobi;


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/reportagem-em-dois-continentes-1962.html

O "Tratado" de Frei Gaspar - 22Set2018 16:05:00

http://macauantigo.blogspot.com/2014/05/tratado-das-cousas-da-china-e-de-ormuz.htmlTratado das cousas da China de Frei Gaspar da Cruz (frade dominicano), publicado em 1569-1570, em Évora, a primeira obra exclusivamente dedicada à China a ser impressa na Europa.
Frei Gaspar da Cruz esteve em Cantão durante seis semanas, em 1556. Do que viu e dos testemunhos que recolheu escreveu esta obra que compila o que até à data os portugueses sabiam sobre a China:
 vida económica, política, administrativa, social e intelectual. Aborda a localização geográfica, os limites e divisões administrativas, a fauna, a flora, o vestuário, hábitos culinários, festividades, música, escrita, crenças, o chá, a escrita chinesa, a antiguidade da tipografia, a grande muralha, o hábito de atar os pés às mulheres, as estradas e pontes, a agricultura, a polícia, etc.
Para Frei Gaspar "os Chinas a todos excedem em multidão de gente, em grandeza de reino, em excelência de polícia e governo, e em abundância de possessões e riquezas".
O Tratado de Frei Gaspar da Cruz viria a ser uma das principais fontes da célebre obra Historia de las cosas mas notables, ritos y costumbres del gran reino de la China (editada em Roma pela primeira vez em 1585), escrita por Juan Gonzalez de Mendoza e que teve cerca de 40 edições entre 1585 e 1600. Foi ainda a principal fonte da descrição da China incluída na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, primeira edição em 1614.
Na imagem uma edição de 1996 feita em Macau. Existem abundantes reedições.


Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2018/09/o-tratado-de-frei-gaspar.html

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