Macau Antigo

"Folha Solta": 1923 - 16Ago2018 10:41:00

Nas imagens a primeira página (de um total de 4) do "Folha Solta de Propaganda Católica". Trata-se da edição nº 3 do primeiro ano da publicação "com aprovação da Autoridade Eclesiástica" redigida pelo cónego João Clímaco do Rosário.


Carta de 1911 - 15Ago2018 11:04:00

Neste envelope o termo "paquebot" remete para o correio marítimo. A carta é destinada a Hong Kong mas curiosamente apresenta um selo de Macau com um carimbo dos correios de Hong Kong.


How mediocre paintings of China became prized collectors? items - 14Ago2018 10:05:00

How mediocre paintings of China became prized collectors? items
As an illustration of life on the other side of the world, mediocre paintings were all many early expats had to offer those ?back home?, writes Jason Wordie
Article by Jason Wordie, 27.6.2015 Post Magazine (SCMP)
From the mid-18th century onwards, large numbers of foreign (mostly European) merchants and traders came to live on the China coast. Until the establishment of Hong Kong as a British colony in 1841-42, and the opening of the first treaty ports such as Shanghai, they operated out of Canton (modern Guangzhou) and Macau.
Most expatriates didn?t return home for at least a decade ? if they survived that long. Without direct personal experience, friends and relatives had only the sketchiest of ideas about the realities of foreign community life on the other side of the world. Before photography was invented, oil and watercolour paintings were all that offered them an impression of what these far-flung places were like.
Paintings served as illustrations (of a sort) for letters sent home. People who would never visit the Far East were able to visualise, to some degree, the remote place where Uncle Harry had gone to work. When he eventually returned, either on leave or to retire, these images provided a point of reference for his earlier China life.
Canton?s foreign factories and the Pearl River waterfront, along with Macau?s Praia Grande and other local landmarks, were stereotypical scenes depicted for ?the folks back home?.
After Hong Kong was established, Victoria Harbour and the mountainous Hong Kong skyline also became commonplace subjects.
Regionally famous ships that operated on the Calcutta-Canton run were popular with artists, too. Few China-trade paintings were ? even when judged by prevailing contemporary aesthetic standards ? particularly artistic.
As China?s early foreign community existed only for money, explicitly philistine tastes predominated. Most paintings were churned out in local artists? workshops for a (numerically small) mass-market audience. Scenes that sold well among the foreign community tended to be widely copied. In due course, Chinese artists started to produce works, in quantity, that utilised Western methods, art materials, techniques and perspectives.
Viewed objectively, many of these paintings are the early 19thcentury equivalent of the colourful daubs-on-canvas of sailing junks and illuminated skylines that can be seen piled up in Stanley market, along Temple Street and in other places where undiscriminating tourists acquire a ?distinctive souvenir? from their visit to the fabled Orient; less a piece of art, with personal meaning and broader cultural significance, than a picture to fill up some wall space.
Early China-coast residents purchased artworks and decorative objects in the same formulaic manner as they lived the rest of their lives. Standing out too much from the crowd wasn?t really done; unusual personal tastes often brought negative consequences in a small, inwardly focused community. Consequently, nothing too avant-garde was ever produced and, given the distances involved, contemporary tastes in Europe ? whether in terms of art, dress or modes of thought ? took at least a couple of years (sometimes several decades) to arrive on the China coast.
Large numbers of early Chinatrade paintings ended up on the walls of drawing rooms from Massachusetts to Sussex, and in due course these transitioned into family heirlooms and then auction house staples. Over time these once-commonplace items became scarce, prices rose, and collectors of China coast artefacts started to display serious interest in a once-dismissed regional art form.
Nota: Texto de Jason Wordie publicado em 2015 na revista Post Magazine (SCMP - Hong Kong) ilustrado com algumas pinturas do período china trade.
Sugestão de leitura: Paintings of the China Trade: The Sze Yuan Tang Collection of Historic Paintings by Patrick Conner. Hong Kong Maritime Museum, June 2012

Oil on canvas, of unknown origin, with a view of late 18th century Macau looking north from Penha Hill. On the left are the Inner Harbour and Green Island, while Guia Hill and the Praya Grande are on the right, with Monte Fort in the centre and St. Dominic's Church directly in front of it. St. Paul's Church, which later burnt down in 1835, can be seen to the left of Monte Fort.
Quadro doado por Sir Robert Ho Tung ao Museu de Arte de Hong Kong.

  • PS: No Museu de Arte de Maca e no Museu de Arte de Hong Kong podem ser vistos muitos dos quadros referidos neste e noutros artigos aqui no blogue.


Postal "Penha Hill": a preto e branco e pintado - 13Ago2018 23:06:00

A Colina da Penha eleva-se a quase 63 metros acima do nível do mar sendo o terceiro ponto mais alto da península. Dali consegue porventura a melhor vista sobre os portos interior e exterior.
Este dois postais - um a preto e branco e outro pintado - são um clássico de Macau nos primeiros anos do século 20.
Num livro de 1905 de James Dyer Ball (Macao: The Holy City; The Gem of Orient Earth) pode ler-se: "Another short city wall is to be seen to the south of the city. It runs from the church on Penha Hill to the road above the disused Bom Parto Fort or just about opposite the old Boa Vista Hotel".
Perspectiva sobre a Baía da Praia Grande a partir da colina da Penha na mesma época dos postais.


Emissões de notas de "1000 patacas" - 12Ago2018 09:20:00

Da colecção de JD. Esta nota tem a particularidade de ter sido emitida propositadamente a 8.8.1988, já que o número oito é considerado o mais auspicioso na cultura chinesa.
Dados relativos à emissão de 1988

- Moldura geral, incluindo a legenda "Banco Nacional Ultramarino" e o valor em caracteres árabes nos cantos superior direito e inferior esquerdo e em caracteres chineses nos cantos opostos;
- Como ilustração principal, à direita, um Dragão, e à esquerda, a marca de água com um "Junco Chinês";
- Em baixo, ao centro, junto à moldura geral, o logo do Banco Nacional Ultramarino;
- Legendas centrais:
a) O nome do Banco Nacional Ultramarino em caracteres chineses;
b) "Macau";
c) "Mil Patacas" em português;
d) "Mil Patacas" em caracteres chineses;
e) "Macau, 8 de Agosto de 1988";
f) Por baixo, à esquerda, "Conselho de Gestão", podendo ainda constar a designação "Presidente" ou "Vice-Presidente", com assinatura em "fac-simile";
g) Por baixo, à direita, a designação "Director-Geral do Departamento de Macau", com assinatura em "fac-simile";
- Parte superior esquerda:
"Decreto-Lei n.º 63/82/M, de 30 de Outubro;
Decreto-Lei n.º 68/88/M, de 8 de Agosto";
Numeração apresentada em dois locais, à esquerda em baixo e à direita em cima;
Elementos decorativos colocados na parte central por cima e por baixo da expressão "Mil Patacas" e do desenho do Dragão.

- Moldura geral, incluindo as legendas "Banco Nacional Ultramarino" e "Mil Patacas", os valores em caracteres árabes nos cantos superior direito e inferior esquerdo e em caracteres chineses nos cantos opostos, o logo do Banco Nacional Ultramarino colocado sobre a moldura à esquerda e um elemento decorativo em círculo sobre a moldura à direita;
- Como ilustração principal, uma vista de Macau da década de 80, incluindo a ponte Macau-Taipa e parte da Baía da Praia Grande e abertura à direita para marca de água.
Emissão de 20 Dezembro 1999


Aguadeira na Travessa da Paixão - 11Ago2018 09:45:00

Imagem 'clássica' de Macau de outros tempos... uma 'aguadeira' transportando latas com água - sistema pinga - na Travessa da Paixão vendo-se ao fundo a fachada da Igreja Mater Dei.


Green Island Cement Factory: história breve - 10Ago2018 07:22:00

Green Island Cement (GIC) is the oldest cement company in Asia, established in Macau in 1886 (May 11). On that day Tomás de Sousa Rosa, Governor of Macau and Timor Province, granted a license to solicitor Creasy Ewens of Hong Kong to establish a cement factory in Ilha Verde (Green Island). The factory site was conveniently close to the Inner Harbor where barges brought in limestone from neighboring Kwantung Province and loaded cement for export to China.
On tha nest year Green Island Cement was also established in Hong Kong (January 3, 1887) with a factory on the kowloon coast.
For many years the company flourished but in the early 1930?s the authorities in Canton placed an embargo on imported cement and with its major source of revenue lost, Green Island Cement was forced in 1936 to close its Macau factory.

Em "Macau extracto de uma monografia", da autoria de Jaime do Inso, na década de 1920 pode ler-se: "Existe uma importante fábrica pertencente à companhia inglesa «The Green Island Cement Works», que aproveita os lodos do porto interior, ao Norte da Ilha Verde, onde se encontra instalada. A média diária da produção é de 70 toneladas, que aumentará lôgo que termine instalação de dois novos fornos, mandados fazer por a produção ser muito inferior à procura. A exportação faz-se para vários portos, principalmente para Hong Kong."
A Ilha Verde deixou de ser ?ilha? em 1890 com a construção do dique que o ligava a Macau. O istmo de ligação no início conhecido pela designação de Estrada do Dique da Ilha Verde, viria a ficar com o nome do governador que o mandou construir, Avenida Conselheiro Borja. (Governador Custódio Miguel Borja, 1890-1894).
Final século 19 (em cima)
Década 1950 (em baixo)
A 7 de Maio de 1886 celebrava-se o contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Ewens que estabelecia, na Ilha Verde, a «Green Island Company Limited» e quatro dias depois, a 11 de Maio, era concedida licença assinada pelo governador (1883-1886) Tomás de Sousa Rosa (1844-1918) ao solicitador judicial de Hong Kong, Creasy Ewens para o estabelecimento, nessa Ilha Verde, da referida fábrica.


Macau "Terra de Turismo": década 1950 - 09Ago2018 09:21:00

?Macau é uma nesgasita do velho Mundo. Fundada em 1557, Macau, com as suas ilhas da Taipa e Coloane, é o mais antigo estabelecimento europeu no Oriente. (...)                     
Da colina da Penha desfruta-se um lindo panorama, o mesmo acontecendo da estrada que circunda a colina da Guia, onde surge, a nossos pés, a parte leste da cidade que se desdobra numa magnífica paisagem que vai findar no continente chinês. Ao longo da marginal sentem-se palpitar a vida e os anseios dos humildes pescadores que vivem agarrados à incerteza do mar. Aí se podem admirar centenas de embarcações chinesas, de todos os tipos e tamanhos, a descansar da árdua faina da pesca. (...)
Visitante algum pode considerar completa a sua visita a Macau sem subir a escadaria que vai dar às Ruínas de São Paulo. Essa fachada, de estilo barroco, que se levanta imponente no tempo no topo de largas escadas de pedra, impressiona e esmaga. Representando trabalho ingente e aturado, ela simboliza uma torre de força religiosa erguendo-se, orgulhosa e indestrutível, do meio das ruínas (...)?
Excerto de artigo (não assinado) publicado em 1956 no Boletim da Companhia de Aviação (Civil Air Transport) de Macau. Na imagem, um postal do final da década de 1950 com uma imagem da baía da Praia Grande vista a partir da colina da Penha. Destaca-se ao centro, nos aterros tendo como fundo a colina da Guia, o edifício do Liceu Infante D. Henrique, inaugurado em Outubro de 1958.


Calçada da Igreja de S. Lázaro - 08Ago2018 08:41:00

Concluída a 20 de Fevereiro de 1904, a Calçada da Igreja de São Lázaro recebeu este nome em honra do primeiro hospital ocidental para doenças contagiosas construído na China. São Lázaro é tido como o santo protector dos lázaros ou leprosos.
?Em Maio de 1568, o jesuíta português Belchior Carneiro chegou a Macau, onde viria a criar uma leprosaria no interior do Hospital de S. Rafael, a qual seria mais tarde transferida para a zona da Igreja de São Lázaro?, explica o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). ?Em nome desta instituição, a administração portuguesa baptizaria, por referência à Igreja de São Lázaro, cinco ruas em redor.?
A Igreja de São Lázaro, cuja torre se pode ver no canto superior esquerdo desta fotografia, foi construída entre 1557 e 1560. Trata-se de uma das três igrejas mais antigas da cidade e foi, em tempos, Sé de Macau. Em 1923, pouco antes desta foto ser tirada, foi alvo de renovações.
Se partirmos do ponto onde se encontra o fotógrafo e descermos as escadas, logo à esquerda, encontramos um espaço dedicado à arte, que pertence ao Albergue SCM. Com uma área de 1300 metros quadrados, este lugar foi em tempos conhecido por Po Tsai Vok (Casa das Avós), tendo servido de refúgio a senhoras idosas.
Os edifícios da Calçada da Igreja de São Lázaro foram classificados como Património Cultural da Cidade em Junho de 1984.
Foto do Arquivo Histórico de Macau. Texto Revista Macau. Junho 2018


A "Jóia do Oriente" de Jaime do Inso - 06Ago2018 22:28:00

Quem estudou no ensino primário durante as décadas de 1950/60 por certo leu este pequeno texto sobre a história de Macau, da autoria de Jaime do Inso:
?Alguns bandos de piratas, que dominavam nos mares da China, e contra os quais nos batemos tantas e tantas vezes, estabeleceram o seu quartel-general no território de Macau, donde saíam para pilhar toda a região vizinha. Os Chineses, vendo-se impotentes para os atacar, pediram o nosso auxílio. Depois de dois ou três anos de porfiadas lutas, conseguimos expulsar os piratas, refugiando-se estes numas ilhas, desde então conhecidas pelo nome de Ilhas dos Ladrões. Em recompensa daquele feito, o imperador da China confirmou a posse de Macau aos Portugueses, onde nos temos mantido desde 1557.
Mesmo durante os sessenta anos da dominação castelhana, a bandeira portuguesa não foi arredada. Os Macaenses resistiram vitoriosamente a todos os ataques dos inimigos ? Holandeses e Ingleses.«Não há outra mais leal» assim o declarou D. João IV?
O texto acima é uma adaptação de um original escrito em 1929. O que se segue é de 1913.
Vista a partir do Monte da Guia ca. 1900 (hospital S. Januário à esquerda e hotel Bela Vista ao fundo)
?Macau ? a cidade Santa, a Jóia das Terras do Oriente ? é um mimo de paisagem e um mimo de tradição. Ali se abriga um pedaço da China milenária, imbuída da alma prodigiosa da gente de Portugal, que desde séculos criou fundas raízes de simpatia entre os filhos do ex-celeste Império?
Macau, com as suas ruas, calçadas tão tipicamente portuguesas, como se não vê em terra alguma do Oriente; com as suas casinhas de cores garridas, como num cenário, espalhadas pelos montes; com as suas vielas e becos nos velhos bairros e edifícios modernos nas novas avenidas, os seus miradoiros, as suas ruínas, muralhas e templos com os sinos a dobrar, aparece-nos como um presépio encantador, em dias primaveris, evocando a maior saudade de Portugal!
Macau ? com seu bairro china ou basar, onde fervilha o formigueiro chinês, num vaivém constante, por entre os Cou-laus ou restaurantes, as cozinhas ambulantes, os gerinshás e as notas garridas das Pi-pá-chai; com os seus inúmeros Pagodes, onde, na sombra, se divisa Buda por entre as volutas do sândalo queimado; Macau onde se respira a atmosfera calma e perturbante da China que nos atrai e embriaga, que se detesta e se repete, só para mais nos cingir e dominar, Macau é, ainda, um símbolo do encantamento da China que, quanto mais nos martiriza, mais nos prende e nos faz querer. Macau, a janela aberta sobre a vastidão infinda da Terra Amarela, é um oásis de placidez, estação de repouso inigualável, preciosa e bela, jóia lusitana encastoada nas longínquas costas da China, onde tantos estrangeiros vêm respirar uma atmosfera de estranha quietude no maio de vertiginosa vida do Oriente, naquela mística embaladora que lhe empresta a pátina do tempo, numa evocação nostálgica das aventuras doutras eras.
Mas eis que já se divisa, numa volta da estrada, o alto da penha, com seu templo antigo, hoje restaurado ? um monumento ? onde os nossos marinheiros de antanho iam depor suas promessas à chegada a Macau, como que tecendo um fio de religiosidade entre a barra do Tejo e as distanciadas paragens daquelas partes da China, como então se chamava? Assim é Macau ? a cidade Santa, a Jóia das Terras de Oriente!?
Vista lateral da Sé (ca. 1900)


Cinema Capitol: Julho de 1943 - 05Ago2018 13:02:00

Em meados da década de 1940 a guerra 'invadia' o cinema e a população de Macau esgotava as várias sessões diárias. Os preços oscilavam entre os 40 avos (3ª classe) e 1,60 patacas (galeria).
Sugestão de leitura: "Macau 1937-1945: Os anos da Guerra", de João Botas.


The Harbour of Macao / Macau Harbour: década 1980 - 04Ago2018 15:27:00

Duas fotografias de 1985  - perspectivas sobre o Porto Interior - da autoria de Jill Jollife para a agência Camera Press London. As legendas 'falam por si'...


Macau no ?Panorama? de Leicester Square (Londres) em 1840: 3ª parte - 03Ago2018 13:00:00

Ecos na imprensa
A exibição do ?Panorama? de Macau mereceu abundante referência na imprensa da época.
Na edição de 13 de Junho de 1840 do The Literary Gazette pode ler-se na secção ?Varieties? um artigo com o título ?Panorama of Macao? com rasgados elogios ao novo espectáculo em cena na capital britânica.
?Coming events, it would seem, not only cast their shadows but their pictures before. Here, in Leicester Square, have we been, during the past week indulging in the contemplation of an admirable panorama of Macao, peering at the Chinese junks, casting a suspicious glance at very suspicious looking opium clippers, thinking the tan kea or egg house boats picturesque, and wondering if there was a row how the Portuguese ships of war, and the English Lyra, Volage, Hyacinth, Harrier, etc. would act; and so there comes an express from India which makes this very view the scene of national action, just as if Mr Burford had painted it expressly for the occasion. Nothing could be more à propos than this new effort of the painter's art; and when we say that besides its temporary importance which will attract all London to visit, it as an accurate representation of a place so peculiarly interesting at the time it is a very beautiful specimen of effects. The shore, buildings, and mountains are finely done; but the water is still ably executed and some of the boats realities and not deceptions on canvass.?
Poucos dias depois, o jornal The Spectator escreveu assim na edição de 20 de Junho de 1840:
?Mr Burford's new panorama of Macao is attracting all the town to Leicester Square and the little O it encloses is sometimes inconveniently crowded with visitors as the day advances the public being almost as curious to behold the scene of the squabbles between Commissioner Lin and the Barbarian Elliot as to see the site of the last murder. A brief mention of the private view of this attractive picture was made the week before last but only in our second edition we have since paid another visit to it and took time to appreciate the skilful and effective painting Macao is a very picturesque spot for so small an island or peninsulet rather the two hills one crowned with a fort the other with a church at each extremity of the crescent formed by the shore are verdurous and the row of low white houses along the strand with green sun blinds and a church or two seen above their roofs has a very pretty and snug look Being a Portuguese settlement and the abode of foreign barbarians Macao has nothing purely Chinese about it except the junks in the harbour and an uncouth oblong box or two afloat which the matting sails proclaim to be boats. But this place is only a knob on the world's tea pot though it is one by which we may lift off the lid and look in to see what is brewing there and the hot water's poured in by this time no doubt.
The Hyacinth and Volage frigates in the offing the Portuguese merchantmen nearer inshore than any other foreign traders are allowed to come and the English cutters receiving on board passengers and luggage to be conveyed to the ships make a lively scene. The ludicrous appearance of the clumsy Chinese junks with matting sails attached to bamboo yards huge painted lanterns on their poop and round shields painted with faces like the sign of the Sun to protect the rowers contrasted with the tight and tall forms of the English vessels in gallant trim shows what fearful odds are on the side of the invaders it looks like battering toys to assail such gingerbread craft. The picture, we are told, was painted in haste; and it has not the finish of the view of Benares in the large circle but what is wanting in elaboration is made up in spirit and power. The tide rushing in is admirably represented and the waves under the bow of the cutter between it and the shore are fluid and in motion. The warm tone of the landscape is very agreeable and by contrast gives freshness lo the sea atmosphere.?
O jornal londrino The Era também noticiou o evento nas edições de 7 Junho, 22 Novembro e 20 Dezembro de 1840, incluindo alguns anúncios.
Referências ainda nas publicações Inverness Courrier (4.8.1841), Morning Advertiser (24.7.1840), The Morning Post (8.6.1840) e no jornal The Mirror (13.6.1840) cujo artigo se transcreve na íntegra?
?Saturday last we were favored with a private view of the above graphical painting The view of Macao being taken from the bay of Ty pa has enabled the talented artist to present a scene of the greatest interest bold effective and singularly picturesque for the Panorama exhibits the city in its most interesting aspect. Immediately in front of the spectator facing the east is the fine crescent curve of the Praya grande a broad and spacious quay unbroken by any wharf or jetty. At the back of the line rising like an amphitheatre on the sloping ground numerous houses are seen intermixed with churches gardens and airy summer houses the highest portion being broken into several hills crowned by forts has a fine effect and far above all arising from a neighbouring island towers a mountain of considerable elevation forming a noble back ground. 

Turning from the city the eye ranges over a vast extent of sea covered with ships of all nations and Chinese craft huge unsightly junks tan kea or eggboats which ply here by hundreds moving in various directions and depictured full of activity and life. It is impossible to speak too highly of this part of the painting it is effective in the extreme the pellucid yet ruffled agitation of the sea being refreshing and vigorous but it would be trifling to speak highly of only one part when the whole of the tableau is vivid faithful and masterly. We regard The Panorama of Macao as one of the happiest and most well timed of Mr Burford's productions and we feel no doubt the highly important nature of the subject at this particular juncture will attract intense public attention and amply repay the spirited proprietor for the care accuracy and talent bestowed by him on the subject.?
JB - 1.8.2018


Macau no ?Panorama? de Leicester Square (Londres) em 1840: 2ª parte - 02Ago2018 08:52:00

O ?Panorama? de Macau da autoria de Robert Burford é constituído por cerca de 20 painéis e, à semelhança de outros produtos na época, era acompanhado de um pequeno livro - com 12 páginas com um desenho/esboço do que era mostrado - que descrevia a cidade ou batalha que se representava em tamanho XXL.
O de Macau foi impresso em 1840, depreendendo-se que foi feito nessa altura. Tendo por base o título do mesmo - Description of a View of Macao in China: Now Exhibiting at the Panorama, Leicester Square. Painted by the proprietor Robert Burford. Printed by Geo Nichols, 1840 - fica-se a saber que a representação de Macau foi pintada pelo próprio Robert Burford, proprietário do espaço onde o mesmo era exibido. Não se pode afirmar com toda a certeza, mas muito provavelmente Burford não esteve em Macau tendo-se ?inspirado? em representações contemporâneas do território registadas pelos vários britânicos que viajaram até ao Oriente, nomeadamente com fins comerciais. Quem sabe em trabalhos de George Chinnery (1774-1852) que viveu em Macau entre 1825 e 1852.
Antes da descrição sumária de cada um dos 20 painéis é apresentado um longo texto - total de 12 páginas - que visava dar um contexto a quem visitava o espaço.
?The panorama taken from the Bay of Typa exhibits the city on what may be termed the British side consequently in its most interesting aspect. Immediately in front of the spectator facing the east is the fine crescent curve of the Praya grande a broad and spacious quay unbroken with the exception of a small fort defending a landing place by any wharf or jetty. The houses which present their fronts to the water and occupy the whole of the vast extent of the semi-circle are large substantial buildings in the European style of simple architecture with large gables and little or no ornament yet being painted of many colours have a varied and pleasing appearance. At the back of the line rising like an amphitheatre on the sloping ground numerous other houses are seen intermixed with churches and sacred edifices always conspicuous objects in a catholic town large gardens and light and airy summer houses the highest portion being broken into several hills crowned by forts or monasteries has a fine effect and far above all rising from a neighbouring island towers a mountain of considerable elevation and picturesque shape forming a noble back ground.
The extremity of the city towards the right is flanked by an extensive convent with a fort of some strength on the cliff above the opposite extremity of the Praya is defended by a similar fort and on a high rock behind stands a considerable and strongly fortified castle giving the whole an air of European consequence and military importance. (...)
Surgem ainda inúmeras referências sobre aspectos da história, geografia, política e sociedade de Macau no início do século 19, incluindo-se algumas ?notas? de actualidade. Refere-se, por exemplo, que na época o espaço das denominadas ruínas de S. Paulo estava a ser usado como cemitério, e são dadas várias indicações sobre a melhor forma de navegação e ancoramento na região apresentando-se dados sobre a profundidade do delta do rio e os locais possíveis para ancorar.
?The Portuguese who were the first Europeans that pushed their to the southern confines of China are said to have landed several times on then desert rock of Macao in the early part of the 16th century and been permitted by the Mandarins whom they either intimidated by force or silenced by bribes to erect huts under the pretense of drying goods or repairing their vessels they took gradual possession of the spot and having subsequently rendered the Chinese the signal service of the seas and numerous islands of the Gulf of China of the hordes of by which they were infested they were about the year 1557 vassals of the Celestial Empire and were allowed to erect a town and factory which they called Porto de Amacao on the payment of an annual or ground rent of 500 taels which is continued to the present day also duties on merchandize and by conforming in all respects to the laws.
China Embassies followed between the courts of Lisbon and Peking ships shortly arrived with numerous settlers the population increased forts and churches were built and substantial houses replaced the huts and to use the words of a Mandarin dispatch Macao formerly an insignificant place is now a kingdom it has many forts and a great and insolent population.
At first a deputation went annually to Canton to transact business paying heavy duties and making costly presents but the trade increased so rapidly that in 1588 permission was obtained for two visits in the year in January for the Indian and in June for the Japan trade In this small spot the Portuguese carried on for a long time a very considerable and most lucrative trade not only with the Chinese but also with other countries in eastern Asia particularly Japan Tunquin Cochin China and Siam Whilst they were without competition their profits were immense large sums were transmitted to their mother country and visible marks of their greatness still exist in the costly buildings of the city but no sooner did the Dutch and English enter into the China trade than their gains rapidly decreased the spirit of enterprize declined and Macao began to decay. Events took place which deprived the Portuguese of all intercourse with Japan in 1640. Revolutions in the affairs of other countries rendered their speculations precarious often unfortunate the exactions of the Chinese officers and the jealousies which has always led them to endeavour to curtail the few privileges granted have all tended to depress their trade and no vigorous efforts have ever been made to redeem their losses.?
O autor dá ainda conta de aspectos contemporâneos do território na primeira metade do século XIX:
?Macao is built on two ridges of rock forming a narrow peninsula extending to the southward from the large island of Heang Shan being divided from the main by a wall crossing the narrowest part which effectually restricts the Portuguese to the limits assigned them and enables the Chinese by stopping the supply of provisions always to bring them to terms when any disputes occur. The whole settlement is not more than eight miles in circumference being little more than three miles in length from the wall to the extreme south western point and not exceeding one mile across in its widest part. The town is divided into three districts or parishes taking their names from their respective churches. The streets are narrow steep and irregular being frequently interrupted by flights of steps rendered necessary by the unequal surface of the rocks which they follow.
The few public buildings are handsome particularly the senate house and the thirteen churches and monasteries. The houses are of stone or brick without much exterior elegance but are spacious and convenient in their interior arrangement parthose of the Praya Grande occupied by British and other merchants and those of the Praya of the inner harbor. There are scarcely any shops but the markets are large and are plentifully supplied by the Chinese with meat fruit and vegetables the two latter being of the finest description. Carriages of course would be almost useless in a city so constructed the usual conveyance is the sedan chair. The inner harbour is spacious and capable of affording anchorage to a large number of ships of three or four hundred tons larger ships must be lightened before they can come in. Two centuries ago the Chinese granted permission for twenty five Portuguese or Spanish vessels to enter the harbour the same number only can receive that indulgence at present and are regarded as the identical vessels all others must lie in Macao roads or in the Ty-pa.
In 1834 the Portuguese had but fifteen vessels together 4185 tons the number has been gradually decreasing and at the present time does not in all probability exceed ten. The city contains a military and two general hospitals two or three public schools and a library and museum founded in 1806 by the Honourable East India Company which was progressing well previous to the dissolution of the factory at Canton which deprived it of some of its most eminent contributors. The Chinese have a Pagode within the walls and three in the small villages adjacent. The Portuguese population in the seventeenth century numbered about 19,500 souls it at present consists of about 4,000 with above a thousand slaves. The Chinese including the three small villages within the boundary and those living entirely in the small boats upon the water are estimated at 30,000.
The Portuguese authorities are a governor a prefect chief justice and a senate composed of two judges three aldermen and a procurador who is the organ of communication with the Chinese who have two Mandarins a Keun min Foo or chief magistrate and a Tso tang or district magistrate. All the arts requisite for the comforts or conveniences of life are exercised by the Chinese there is scarcely to be found a single Portuguese by birth or descent who is an artist a shopkeeper or a labourer they are two proud to pursue any other industry than commerce or navigation. Formerly there were large manufactories for cannon and gunpowder at Macao but they have long since ceased at the present time decay is visibly stamped on everything both civil and religious. (...)"
O 'panfleto' com as ilustrações e respectivas legendas. De Robert Burford
Descrição dos painéis
Na verdade são dois os painéis pintados. No primeiro surgem 43 pontos assinalados numa ilustração da Praia Grande feita a partir do delta do rio. No segundo painel, com um total de 17 pontos assinalados, apresenta-se uma ilustração de motivos marítimos composta por várias embarcações enquadradas pela Taipa, ?nove ilhas? e ?entrada para o Porto Interior?.
Como referências geográficas temos as ?nove ilhas? descritas como ?The Cow Chow Yaong or the Nine Islands are a cluster of small rocky islets near the eastern side of the Island of Heang shan heen on which Macao stands, and which is the largest of what may be termed the Canton Archipelago; they are about five miles and a half from the eity?.

Já a baía da ilha da Taipa é descrita assim: ?A wide semi-circular bay called the outer harbour which offers secure anchorage to vessels of a small size. It is subject to the influence of the ebbs and floods from the Gulf of China and is often visited by dreadful hurricanes called Typhoons. At the entrance men of war of 60 guns may anchor and at the outlet opposite the city vessels of 7 or 800 tons lie safe sheltered from the north south east and south west winds; the distance between the two is about five miles. The entrance to the gulf is extremely easy and is at least 60 miles in breadth scores of small but lofty islands afford at once distinct land marks and a choice of channels on one of these at the western side stands Macao. For nearly forty miles towards Canton the Choo Keang or Pearl River preserves an average breadth of 15 miles.?
Entre os 60 pontos assinalados nos dois painéis Robert refere, entre outros: Forte do Bom Parto, Ermida da Penha, Jardins do Sr. Paiva (corresponde ao jardim adjacente ao actual Palácio do Governo), Praia Grande, Missão Americana, S. Lourenço, Palácio do Governo, Fortim de S. Pedro, Tancares, Alfândega chinesa, Ilha da Lapa, Colégio de S. José, Igreja de Santo Agostinho, Igreja de S. Paulo, Sé Catedral, Fortaleza do Monte, Convento de Santa Clara, Ermida da Guia, Convento de S. Francisco, Ilha da Taipa, Nove Ilhas, Juncos, Lorchas, etc?
Todos os pontos referenciados têm um pequeno texto de enquadramento denominado ?Explanation of the plate?. O número 56, é sobre as ?lorchas?: ?None but Portuguese or Spanish ships are allowed to enter the inner harbour or to trade directly with Macao and these are licenced only to the number of twenty five. This exclusion has given rise to a large outside trade in Macao roads or the Ty-pa. If a cargo is to be landed notice is given to the governor who sends a number of large Portuguese boats called Lorchas, in which the goods are taken to the shore they are then put into the custom house, a report accompanied by presents made to the Chinese civilian, and the whole is arranged to the satisfaction of all parties.?O número 37 diz respeito a ?S. Paolo?, as Ruínas de S. Paulo, e pode ler-se: ?The Jesuits possessed a house on this spot from the earliest period where those of their society lodged in their way to Japan. The church and college were erected in 1562. The church having been burnt a noble building was according to the inscription erected in 1602 dedicated Nossa Senhora de Madre de Deos but more commonly called St Paul's which was again destroyed by fire in the night of January 26 1834. The facade which is still standing was composed of pillars of the Ionic and Corinthian orders wholly of granite and finely ornamented with sculpture. The college was very extensive there having been at times more than 90 pupils besides accomodation for 70 or 80 missionaries. This seat of learning was dissolved by Joseph I in 1762. It is now used as a burial place.?O ?Forte Monte? (número 39), a Fortaleza do Monte: The Mount of St Paul commonly called the Monte was first fortified in 1622. Liberal presents were given to the Mandarins to incline them to wink at the erection of a strong wall which may be perceived running in a northeastern direction to the sea near St Francis. The fortress was finished in 1626 and was for a considerable period the residence of the military governor. This together with the four other forts and the small fort at the landing mount in all 130 guns of different caliber. The military force of Macao is called 400 men and sixteen officers but they rarely exceed half that number."


Macau no ?Panorama? de Leicester Square (Londres) em 1840: 1ª parte - 01Ago2018 00:11:00

No século XIX as pinturas e modelos panorâmicos tornaram-se formas muito populares de representar paisagens e eventos históricos. Predecessor do conceito Imax, o ?panorama? remonta ao final do século 18 possibilitando ao observador um olhar circular e móvel sobre uma pintura ou desenho de grandes dimensões. Antes da consagração da fotografia e do surgimento do cinema, o ?panorama? irá vingar durante todo o século 19. A origem do nome vem de duas palavras gregas, ??? (pan), que significa "total", e ????? (órama).
Os panoramas surgem assim como formas de entretenimento muito antes da fotografia e do cinema e depressa conquistaram audiências sedentas de novidade. Certos trabalhos - de pintura - tinham 10 metros de altura e 100 metros de comprimento!
Foi pois do esforço para captar a ilusão do real e a totalidade do espaço que ?nasceu? o ?panorama? criado pelo pintor irlandês Robert Barker em 1787 que o patenteia com a expressão francesa ?La Nature à Coup d? Oeil? e escreve assim: ?Pela Invenção... pretende-se, através do desenho, da pintura e da disposição correcta do todo, apresentar uma vista inteira de algum país ou situação, conforme aparece a um observador que gire em torno de si?.

Os ?panoramas? consistiam em grandes painéis - montados de forma circular - pintados a cores de forma contínua e iluminados natural e artificialmente, fixados nas paredes de um edifício em forma circular (rotunda). O observador posicionava-se numa plataforma central elevada (que podia ter vários pisos), de onde podia ver, sob efeito da ilusão de óptica (iluminação, profundidade), um grande quadro que abarcava todo o seu horizonte. As mudanças na iluminação utilizada davam a impressão do decorrer do dia. Eram cenários de efeito de realidade, os quais simulavam a visão da natureza como uma representação fiel de uma cidade ou de uma batalha, por exemplo, fazendo com que o observador ficasse com a ilusão de estar no local que era representado, quer fosse uma cidade, uma batalha ou a cerimónia de coroação de um rei.
Depois do sucesso na Europa a técnica depressa chegou aos EUA onde foram construídos diversos espaços para o efeito com dois e até mesmo três pisos.

As duas ilustrações de "Explanation of a View of Macao in China now exhibiting at the Panorama, Leicester Square".

Um dos ?Panoramas? mais conhecidos na Europa foi o de Leicester Square, na Cranbourn Street, em Londres, construído em 1792 por Robert Barker e que segundo relatos da época ficou rico. O bilhete de entrada custava 3 shillings.
Barker morreu em 1806 e seria o filho, Henry Aston Barker, a herdar o negócio. Este, por sua vez, viria a reformar-se em 1826 e a gerência foi assumida pelo seu assistente, John Burford que morreria um ano depois. Foi assim que surgiu em cena Robert Burford (filho de John), que ficaria responsável pelo The Panorama até morrer em 1861. Nascido em 1791, Robert estreou-se na carreira artística como pintor numa exposição na Royal Academy ? onde se formara - em 1812. Robert era a alma do Panorama cuja época gloriosa também chegava ao fim. Em 1865 o edifício seria convertido em escola.
Durante a sua carreira Robert pintou dezenas de panoramas - Viena, Cabul, Damasco, Rouen, Madrid, Cidade do México, Sydney, Atenas, Jerusalém, Milão, Roma, Pompeia, Cataratas do Niagara, Nova Iorque, etc? É ainda da sua autoria um ?panorama? da cidade de Cantão em 1838 (Description of a View of Canton, the River Tigress, and the Surrounding Country) e outro de Hong Kong (Description of a view of the island and bay of Hong Kong), exibido em 1843, a partir de desenhos do tenente F. J. Whites, dos Royal Marines.

Entrada do "Panorama"

Nota: Esta é a primeira parte de um total de três partes de mais um artigo exclusivo do blogue Macau Antigo que este ano comemora o 10º aniversário. JB


Cirurgião-Mor: 1863 - 31Jul2018 09:31:00

Transferência do cirurgião-mor do Batalhão Nacional para o Corpo de Polícia
Publicado no Boletim do Governo em 1863


BNU: a primeira sede - 30Jul2018 09:25:00

Com o contrato celebrado entre o Governo de Portugal e o Banco Nacional Ultramarino para a emissão de notas e obrigações no Ultramar, em 1901, estava dado o primeiro passo para o BU se instalar em Macau. O contrato estipulava mesmo o prazo máximo de seis meses para estabelecer agência no território.
Assim, a 20 de setembro de 1902, era inaugurada a agência do BNU (imagem abaixo), no nº. 9 da Rua da Praia Grande, num prédio propriedade de D. Anna Theresa Ferreira, antiga Condensa de Senna Fernandes.
Em 1906 eram emitidas as primeiras notas próprias de Macau e em junho do mesmo ano, por ordem do Ministério da Marinha o Governo de Macau recebeu instruções para entregar ao banco a Caixa do Estado e a autorização para ceder parte do edifício do Governo. Deste modo, a filial do Banco foi transferida para o rés do chão do antigo Palácio do Governo. Ainda nesse ano a firma Rozario & Cia. era nomeada como primeiro representante do banco em Hong Kong.
Só em Março de 1926 seria inaugurado o edifício sede do banco em Macau...
Primeira sede do BNU de Macau. Entre 1902 e 1906


Macau no Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro - 28Jul2018 15:04:00

A Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro foi fundada a 22 de Maio de 1930 e um dos seus primeiros projectos foi este boletim com o qual pretendia dar a conhecer aos portugueses do continente americano, e em especial do Brasil, as colónias portuguesas espalhadas pelo mundo. Tinha como subtítulo "Pela Raça, Pela Língua" e publicou-se entre 1931 e 1939.
Logo no segundo número da publicação - Maio de 1932 - surge um artigo de 3 páginas sobre Macau assinado "pelo capitão-tenente Jayme do Inso."
Nesse mesmo número surge uma anúncio às obras de Jaime do Inso
No número 5 (Abril-Junho de 1933) Macau volta a estar em destaque com dois artigos: o primeiro ocupa duas páginas apenas com fotografias e respectivas legendas; o segundo tem 6 páginas e intitula-se "Macau Terra da doce saudade", da autoria de Edgar Allen Forbes. Trata-se da tradução de um artigo publicado um ano antes na National Geographic Magazine.

Na edição nº 6 - Julho a Setembro de 1933 - Macau volta às paginas da publicação com uma foto da Farol da Guia a ocupar toda a área da página dois.
A edição nº 9 - Abril a Junho de 1934 é um "Número Especial comemorativo da Primeira Exposição Colonial realizada no Porto" nesse ano. Macau surge no artigo "O problema do oriente português" assinado por Jaime do Inso. A exposição voltará a ter destaque no número 12 (Janeiro a Março de 1935).
No nº 15 - Outubro a Dezembro de 1935 - numa página inteira surgem 6 fotografias de Macau e respectivas legendas. E o mesmo vai acontecer na primeira edição do ano de 1936 - nº 16/17.
1935 (acima) 1936 (abaixo)
Curiosidade: Em 1937 é publicado o artigo "A Colónia Portuguesa de Xangai", da autoria de Carlos Jacinto Machado.


Regresso ao 'velhinho' Hotel Lisboa - 27Jul2018 08:54:00

Em Fevereiro de 1961, sob proposta do 119° Governador de Macau, Jaime Silvério Marques, o governo português em Lisboa autorizou a qualificação de Macau como ?região permanente de jogo? e como território sob regime de taxas baixas cujo desenvolvimento económico seria baseado principalmente nos sectores de jogo e de turismo.
O jogo de fortuna ou azar? é ?qualquer jogo de resultado imprevisível e aleatóriamente gerado e cujo prémio depende da sorte do jogador."
De seguida lançou-se o concurso para exploração do jogo em Macau. Concorreram duas empresas: a recém-formada STDM de Ip Hon, Terry Ip Tak Lei, Stanley Ho Hung Sun e Henry Fok, e a companhia ?Tai Heng?, até então possuidora do monopólio do jogo. A STDM acabou por sair vencedora, ficando permitida a explorar, em regime de exclusivo, casinos e a venda das lotarias ?Pou?, ?Shan? e ?Pacapio?. Abriu o hotel Estoril como primeiro casino e mais tarde o hotel Lisboa.
As obras iniciaram-se em 1966 e a inauguração aconteceu a 3 de Fevereiro de 1970, uma terça-feira.
Hotel Lisboa by night and by day in early 1970's

?It was in February 1970 that the Hotel Lisboa first opened its doors to greet customers from all over the world. Since then Hotel Lisboa has become a representation of Macau and a justifiable symbol of Macau?s financial growth and success.? 
Stanley Ho statement in 2008 (Macau Daily Times)


Anúncios: 1939 - 26Jul2018 08:49:00

 Cirurgião Dentista
Central Radio Service


Carimbos comemorativos dos CTT - 25Jul2018 10:13:00

Envelope timbrado da Divisão de Filatelia. Década 1980
Carimbo de 1956
Envelope Dia do Selo: 1963
Primeiro vôo Correio Aéreo: 1937
Envelope Centenário do Selo Português: 1954


Edifício Rainha D. Leonor: petição/ petition - 24Jul2018 09:39:00

O edifício "Rainha D. Leonor" foi projectado pelo arquitecto de Hong Kong Lei Lee em 1959. O edifício ocupa uma área de 500 metros quadrados, tem 44,05 metros de altura (12 andares) e lojas no piso térreo. À época, e durante mais de uma década, foi o edifício residencial mais alto de Macau. Trata-se muito provavelmente do primeiro edifício residencial e comercial construído de raiz no território tendo a particularidade única de ser o único constituído por 24 apartamentos duplex com varanda. O design de todo o edifício é minimalista e influenciado pelo modernismo, reminiscente da Unité d'Habitation de Le Corbusier. A construção foi concluída em 1961 e deve-se à Santa Casa da Misericórdia de Macau, criada pela rainha D. Leonor, regente do trono em Portugal, em 1498. Em Macau a Santa Casa foi criada por volta de 1568 por D. Belchior Carneiro.

O nº 54 da Avenida de D. João IV no início da década de 1960 visto da então denominada Av. Oliveira Salazar (frente ao Liceu Nacional Infante D. Henrique). Curiosamente, o edifício tem também uma entrada pelo lado da Av. Inf. D. Henrique.
???????Rainha D. Leonor??1959???????????Lei?s Arquitects????????500??????????44.05????????????????????24??????????????????????????????1952????????????(Unité d'Habitation de Le Corbusier)??????????????????????????????????? ?????????1961???? ????????1498?8?15???????????????????????????Rainha D. Leonor???????????
The construction plan for Edíficio Rainha D. Leonor on the Avenida D. Joao IV employs a very different architectural style. The design shows the influence of Swiss-French architect Le Corbusier and his modernist concrete Unite d?Habitation in Marseille. Built in 1959, the 12-storey Edíficio Rainha D. Leonor was the tallest building in Macao at the time.
Edificio Rainha D. Leonor - Petition text (english, chinese, and portuguese)
The Rainha Dona Leonor Housing Block at Praia Grande is currently under threat of demolition. Urgent action is required to preserve and protect this outstanding example of modern heritage in Macau. The building stands as magnificent sample of the Macau XX century architecture innovation, which should be preserved as a legacy for the future.
About the building:
Designed in 1958/59 by the Architect José Lei, the building is the first high-rise residential building in Macau and the first to be equipped with an elevator. Creating an elegant set-back, the block is configured by the double height balconies expressing the duplex solution for the housing units, served by an external gallery on every second level, amounting to the best example of this typology of high rise block built in Macau.
Why it should be protected:
a)This housing block showcases the principles and ideals born with the advent of Modernist architecture in the 2nd half of the 20th century, following a rational distribution in plan and section, making it an exceptional architectural work in the context of Macau and its culture;
b)It clearly expresses the advancements of the period in building construction methods through the use of reinforced concrete and other uses of cement, concrete and glass;
c)It is located in the midst of a modernist urban masterplan which constitutes the main ensemble of modernist architecture in Macau;
d)It stands among the best expression of the Modernist style in Macau, in terms of architectural composition, innovation in design of a vertical high-rise object, building facilities and services, and the philosophy of form-follows-function and of rationalization of circulation;
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O Bloco Habitacional Rainha Dona Leonor na Praia Grande está actualmente sob ameaça de demolição. É necessária uma acção urgente para preservar e proteger este excelente exemplo de património moderno em Macau. O edifício é uma amostra magnífica da inovação da arquitectura do século XX em Macau que deve ser preservada como um legado para o futuro.
Sobre o edifício:
Projectado entre 1958/59 pelo arquitecto José Lei, este é o primeiro arranha-céus residencial em Macau e o primeiro a ser equipado com um elevador. Criando um elegante recuo, o bloco é configurado pelas varandas de dupla altura que expressam a solução em duplex para as unidades habitacionais, servidas por uma galeria exterior a cada dois níveis, representando o melhor exemplo desta tipologia construída em Macau.
Porque deve ser protegido:
a) Este bloco habitacional incorpora os princípios e ideais nascidos com o advento da arquitectura modernista da segunda metade do século XX, seguindo uma distribuição racional em planta e em corte, tornando-a numa obra de arquitectura excepcional no contexto de Macau e da sua cultura;
b) Expressa claramente os avanços da época, nomeadamente na aplicação de novos métodos de construção civil através do uso de betão armado, do cimento e do vidro;
c) Situa-se num cenário de edifícios modernistas que constitui o maior aglomerado de arquitectura modernista de Macau;
d) Está entre os melhores exemplares do paradigma modernista em Macau em termos de composição arquitectónica, da inovação na concepção de um edifício em altura, da racionalização da circulação, das instalações e serviços, bem como do axioma "forma segue a função".


Edifício Rainha D. Leonor: breve história - 23Jul2018 12:55:00

O edifício "Rainha D. Leonor" foi projectado pelo arquitecto de Hong Kong, Lei Lee, em 1959. 
O edifício ocupa uma área de 500 metros quadrados, tem 44,05 metros de altura (12 andares) e lojas no piso térreo. À época, e durante mais de uma década, foi o edifício residencial mais alto de Macau.
Trata-se muito provavelmente do primeiro edifício residencial e comercial construído de raiz no território tendo a particularidade única de ser o único constituído por 24 apartamentos duplex com varanda.
O design de todo o edifício é minimalista e influenciado pelo modernismo reminiscente da Unité d'Habitation de Le Corbusier. 
A construção foi concluída em 1961 e deve-se à Santa Casa da Misericórdia de Macau, criada pela rainha D. Leonor, regente do trono em Portugal, em 1498. Em Macau a Santa Casa foi criada por volta de 1568 por D. Belchior Carneiro.


O Mundo que os Portugueses criaram - 22Jul2018 11:32:00

?O Mundo que os Portugueses criaram? é o título de um livro da autoria do jornalista e escritor Armando de Aguiar, editado pela Empresa Nacional de Publicidade em 1951.
Nas 648 páginas é dedicado um capítulo a Macau ?Macau ? Janela do Ocidente aberta sobre o Oriente?, com nove páginas profusamente ilustradas.
O livro contou com a revisão histórica de Caetano Beirão e teve várias edições ao longo dos anos.
A mais recente edição é de 1984 - J. M. Barbosa - com direcção gráfica de Alfredo Calderon Dinis e desenhos de Fernando Cruz, Luís Osório e José Figueiredo Sobral.
De seguida apresento alguns excertos do texto. As imagens são da época de 1950 mas não as que estão no livro.
Sobre esta edição Caetano Beirão escreveu:
"A ideia felicíssima de Aguiar, de percorrer todos os lugares do Mundo onde se encontram parcelas de portugueses em território português, núcleos de portugueses encravados em países estranhos, ou vestígios da passagem de portugueses ou do génio português gravados em monumentos, em civilização, em tradições e até na linguagem dos nativos; de nos dar conta dos seus conhecimentos, das suas impressões, da sua vibração ente a criação prodigiosa - ia a dizer milagrosa - da nossa Raça, através dos mares, através dos continentes, e através dos séculos, - é uma ideia tão grandiosa e patriótica que assegura o êxito deste volume e o reconhecimento de quantos vão ver nele uma síntese colorida, animada, e ao mesmo tempo sentida, da peregrinação assombrosa dos Portugueses por sobre a face da Terra. (...)?

?Macau, a mais longínqua e a menor das províncias do Império Português, e?, proporcionalmente a qualquer das outras de além-mar, a mais complicada na sua estrutura política e social. Trata-se de uma cidade onde vivem para cima de 340.000 chineses e onde entram, diariamente, quer atravessando as históricas Portas do Cerco, quer desembarcando dos milhares de juncos, lorchas e sampans que navegam, airosamente, em volta de Macau, mais de 10.000, o que da? a? Cidade do Santo Nome de Deus a categoria de terceira do Império Português. Antes estão Lisboa e Porto. De maneira que governar Macau e? função difícil para cujo cargo se necessita de alguém que possua as indispensáveis qualidades de inteligência, cultura do meio chinês e, em especial, tacto diplomático. Lembremo-nos que tem de lidar com um povo subtil, de reacções demoradas por serem longamente pensadas e por traduzirem a inspiração transmitida pelos deuses budistas na silenciosa tranquilidade de um pagode. A acrescentar, ainda, que Macau tem sido sempre um excelente posto de observação para quem se queira debruçar sobre a China. (?)

Ao chegar a Macau fui agasalhado com inequívocas provas de simpatia e amizade pelo então governador, comandante Albano de Oliveira, que muito me sensibilizaram. A seu convite e na sua companhia realizei um longo passeio de automóvel pela cidade. E acentuo longo porque ao cabo de três horas, com paragens aqui e acola?, ainda não havíamos terminado de percorrer os 70 quilómetros de estradas, avenidas, ruas e caminhos que cortam Macau em todos os sentidos, sem referência, já se vê, às centenas de ruazinhas, ruelas, travessas e becos que formam um verdadeiro labirinto onde vive a numerosa população chinesa. Primeiro foi o alto da Guia que me deslumbrou com o cenário maravilhoso que dali se desfruta. Um farol, o primeiro que se ergueu no Oriente, continua na sua missão de paz. Ao lado, a histórica capelinha da Guia, lugar obrigatório de peregrinação de quantos homens iam para o mar. Em nossa volta desdobrava-se a minúscula Macau, formigueiro humano que nunca abandona as ruas, enquadrada por um panorama deslumbrante. Não ocultei a minha primeira exclamação de entusiasmo pelo encanto do cenário que se desdobrava em torno de mim. Macau é, realmente, uma cidade cheia de interesse e beleza. Visitei-a à vontade. Percorri-a de lés a lés. Entrei em contacto com o povo chinês e fui aos seus bairros. Verifiquei encontrar-me numa cidade de trabalho em que a política sem elevação foi de há muito posta de parte. O principal problema que ainda hoje continua a preocupar o actual governador, almirante Marques Esparteiro, é dar solução aos problemas pendentes, muitos dos quais foram profundamente alterados com a última grande guerra. O ritmo de trabalho que observei nos vários departamentos do Estado era uma garantia segura de que em Macau havia calma e confiança, e o nosso exemplo de serenidade ? porque nada há que nos force a não sermos serenos ? dá aos chineses a certeza de que podem continuar a realizar os seus negócios sem receio de qualquer crise que os obrigue a emigrar para outras paragens. (...)
É fácil de compreender a simpatia que o Chinês nos dedica. Em quatro séculos de permanência portuguesa em Macau, sempre lhe demos o nosso afecto cristão e nunca o tratámos como raça inferior. Antes pelo contrário. Quantos dos nossos missionários, comerciantes e militares não se sacrificaram pela China? A nossa obra de civilização no Oriente, que teve a sua origem em Macau, é digna da maior admiração e de Macau partiram preciosas ajudas para os governos de Pequim quando eles as solicitaram. Auxílios em homens de ciência e eficiência militar. Mesmo hoje, o chinês que sofre as contingências das oscilações políticas e? em Macau que encontra o centro de refúgio, sabendo que ali uma bandeira ? a portuguesa ? o protege contra qualquer desacato.
Nesse meu primeiro contacto com Macau penetrei numa das mais concorridas artérias da cidade, a Avenida Almeida Ribeiro, repleta de comércio e onde uma multidão heterogénea fala, gesticula e oferece os seus produtos. Observei então que desde a primeira autoridade ? o governador ? ao mais simples cidadão qualquer indivíduo pode andar a? vontade nas ruas da cidade sem o mais pequeno receio.
Há? ordem e respeito e as nossas boas relações com os vizinhos permitem-nos trabalhar com calma, sem receio do futuro, que só? a Deus pertence. O espírito da população e? elevado porque conhece o meio em que vive e porque já? passou pela pior das provações, quando do cerco que os japoneses fizeram a Macau, procurando impedir, por todos os meios ao seu alcance, a entrada dos géneros alimentícios de primeira necessidade. Foi nessa altura que os nossos amigos chineses deram uma das provas mais eloquentes da sua sincera amizade por Portugal, por quantos ali se encontravam, que, sem eles, morreriam a? fome. Com risco da própria vida e ludibriando, o mais possível, a feroz vigilância das sentinelas japonesas, introduziam todas as noites, quase sempre atravessando os rios, tudo quanto Macau necessitava para dar de comer a cerca de 500.000 pessoas que se tinham abrigado sob a protecção da bandeira nacional.
Eu acredito na amizade dos chineses por Portugal. De quantos povos europeus têm procurado fixar-se na China, nós, portugueses, fomos os únicos que sempre respeitámos as suas nobres tradições e prontamente compreendemos o que e? lidar com chineses.
Quando ali chegámos, no século XVI, fomos encontrar uma civilização adiantadíssima. Foi preciso haver da parte dos nossos antepassados muita diplomacia e muita firmeza de carácter para que o Chinês não sofresse de nós o que às vezes sentimos de certos indivíduos com quem tratamos: desilusão. Realmente foi essa a grande vitória do génio português no Extremo-Oriente: haver-se imposto como povo civilizado, a uma civilização que se bem que não estivesse no seu apogeu era, no entanto, ainda bem superior, em certos aspectos, a? civilização ocidental, após o longo período da Idade Média. (...)
O automóvel levou-me depois ate? às famosas Portas do Cerco. Transpostas estas, uma barreira de arame farpado diz-nos ser ali que termina a fronteira mais avançada de Portugal, no Mundo. Alguns soldados de Angola e Moçambique procediam a? limpeza do terreno enquanto outros trabalhavam na construção de novos fortins.
Dei em seguida uma volta pelos cais, ao longo de uma floresta de mastros e juncos, lorchas e sanpans, no meio de uma vozearia de pregões, tilintar de ferrinhos, gritos dos coolies que puxam típicos rickshaws, de toda aquela gente que vive do mar e no mar e vem a terra vender os seus produtos e comprar outros. Acabava de ser construída nessa altura uma elegante e enorme gare marítima de um chinês rico, o Sr. Fu Tak Iam, para os seus navios da carreira com Hong-Kong, e grandes armazéns, mais abaixo, estão a ser levantados. Qualquer das obras custa milhões de patacas, que o Chinês gasta sem receio, confiado, como esta?, na boa administração portuguesa.
Visitei mais tarde o liceu e duas ou três escolas primárias. Havia uma alegria saudável nos rostos daqueles rapazes, alguns filhos de europeus mas outros, na sua maioria, chinesinhos de olhos enviesados. O movimento escolar e? grande. As escolas primárias, o liceu e ainda os colégios particulares entregues a religiosas e aos irmãos salesianos estão cheios. A instrução e? a principal riqueza que naquelas bandas do Mundo e nesta época um pai pode e deve deixar aos filhos. (?)
Pode ainda dizer-se que em todas as circunstâncias graves para Macau, provenientes das periódicas crises chinesas, a Cidade do Santo Nome de Deus tem passado incólume e salvo sempre o prestígio de Portugal. Já? isso aconteceu durante a dominação filipina, em que a bandeira nacional nunca deixou de estar hasteada na Fortaleza do Monte; já? quando dos repetidos assaltos dos holandeses em 1601, 1603, 1604, 1607 e 1622; ja? ainda quando do cerco nipónico na última grande guerra, em que foram postas frente a frente, num jogo de inteligência, a diplomacia japonesa, representada por aqueles que haviam criado em Macau um movimentado consulado, e o patriotismo e a inteligência das nossas autoridades. Macau e? o penhor mais valioso do prestígio e da honra portuguesa no Extremo-Oriente. Nunca ate? hoje, entre Chineses e Japoneses, Filipinos e Javaneses, Malaios e Siameses, Indo-chineses e Cambojanos; do Tibete a Pequim e da Formosa a Hanoi, se falou de Macau sem que prontamente não se lhe ligasse o nome de Portugal. (...)
Na?o podia deixar Macau sem realizar uma peregrinação histórica: visitar a célebre gruta onde a tradição afirma que Camões iniciou o seu imortal poema Os Lusíadas. Situada no meio de um jardim sempre florido e dominando um panorama deslumbrante sobre a cidade e o porto, a gruta do Épico constitui ou um milagre das forças da Natureza, que colocaram em forma trapezoidal três enormes lajes, duas laterais e uma horizontal a servir-lhe de tecto, ou representa o trabalho hercúleo de alguns homens que para ali carrearam aqueles três monólitos e os dispuseram com jeito de abrigo. A ser verdade ter Camões estado realmente em Macau como Provedor dos Defuntos e dos Ausentes, nada nos deve repugnar acreditar haver sido ali, com efeito, onde se recolhia nas horas de lazer para meditar, relembrar-se da Pátria distante, dos poucos entes queridos que ca? deixou e das horas de desventura que sofreu quando sonhou com a epopeia épica do povo lusitano e lhe deu forma para maior glória de Portugal através d??Os Lusíadas?.
Inspirado nesta legenda pronunciei em véspera de deixar Macau, junto da gruta, algumas palavras sobre o Príncipe dos Poetas portugueses, defendendo o princípio de que era preferível deixar viver uma lenda já? arreigada no sentimento do povo chinês, em como Camões havia vivido na Cidade do Santo Nome de Deus, do que destrui?-la com a verdade histórica de jamais o imortal poeta haver sofrido e amado naquela terra secularmente portuguesa. Também por ali passou e ali versejou o insigne Manuel Maria Barbosa du Bocage, Elmano Sadino, cuja presença foi igualmente assinalada em Cantão, onde se rendeu de amores por uma chinesinha de olhos lânguidos e alma romântica. Que alguma coisa ficou em Macau da passagem espiritual desses dois génios da intelectualidade portuguesa prova-o o facto de ser intensa a actividade cultural na Cidade do Santo Nome de Deus, como me foi dado observar, e em que generosamente assumiu o invejável papel de Mecenas o brilhante intelectual e grande português Dr. Pedro Lobo, que a? Pátria tem prestado, em ocasiões difíceis, os mais relevantes serviços.
Macau e? ainda um alto padrão do velho prestígio português na Ásia, bastando citar as ruínas da igreja da Madre de Deus, vulgarmente conhecida por S. Paulo, de 1602, e destruída por um incêndio em 26 de Janeiro de 1835; os monumentos a Ferreira do Amaral, governador assassinado por chineses a 22 de Agosto de 1849, e ao tenente Vicente Nicolau Mesquita, o bravo conquistador do forte de Passaleão; e o monumento comemorativo da brilhante série de vitórias das armas portuguesas sobre os holandeses, coroada pela grande derrota que no dia 24 de Junho de 1622 a fraca guarnição de Macau infligiu ao almirante Willem Ysbrandsz Bontikoe, quando fez ir pelos ares o navio do seu comando, o Gromingen, abatendo para sempre a soberba do batavo.?
?Num dos navios do magnate macaense Sr. Fu Tak Iam fiz-me transportar a Hong-Kong. O braço amigo do Dr. Eduardo Brasa?o levou-me a visitar a cidade e os arredores, incluindo Kowloon, que em chinês quer dizer ?nove dragões?, de Kow (nove) e Lung ou Loon (dragões). E levou-me também a transpor as páginas da história pátria no que diz respeito a? presença de Portugal no ?Porto Perfumado?. Numa das barulhentas e policromas ruas da cidade chamou-me a atenção uma casa revestida de azulejos de aspecto português. Dei- me a? curiosidade de investigar a sua origem e apurei serem, realmente, de origem nacional, fabricados em Aveiro. O Clube de Recreio, em Kowloon, e? uma afirmação do espírito social da comunidade portuguesa, assim como o Clube Lusitano, fundado em 1866, marca um lugar do mais alto relevo entre as instituições culturais que exaltam e prestigiam o nome de Portugal em países estrangeiros. Pois foi dentro das veneráveis paredes daquela patriótica instituição que o actual secretário nacional da Informação fundou, em Novembro de 1947, o douto Instituto Português de Hong-Kong, destinado a? divulgação da nossa cultura naquela colónia britânica, onde, graças ao fecundo impulso que desde o início lhe foi dado por aquele brilhante diplomata, têm sido versados os principais problemas relacionados com a obra da inteligência em Portugal, no passado e no presente. O Instituto Português de Hong-Kong deve ser considerado o remate da obra de defesa da língua de Camões naquela colónia inglesa, onde vivem cerca de mil portugueses. O Instituto e a Escola de Camões, também patriótica iniciativa do Dr. Eduardo Brasão, constituem dois instrumentos onde vibra a alma de Portugal.?


Envelope timbrado do Comando da Defesa Marítima de Macau - 20Jul2018 15:41:00

Decreto-lei 41990, de 3 de Dezembro 1960 cria os Comandos Navais de Goa e de Cabo Verde e Guiné e os Comandos das Defesas Marítimas de Cabo Verde, da Guiné, de S. Tomé, de Macau e de Timor, com sede, respectivamente, em Goa, Mindelo, Bissau, S. Tomé, Macau e Díli, e define as suas atribuições.


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Duas amigas viajam nas férias atrás de um romance. Diz a primeira:
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