Roque Silveira

- 13Dez2013 08:34:00

http://www.clicksia.com/index.php?ref=cemterra

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2013/12/httpwww.html


balancé da primavera - 24Abr2012 10:56:00

vejo ao longe
a tempestade que se vai
aos ombros do inverno
que a sacode num raio de sol
teimoso de primavera.
-gene-rosa-
em verde e cor.
volta sempre
retoma o seu lugar
e levanta dos escombros
as árvores tristes e nuas
na base do arco-íris
da dor.
é como uma saudade
com a força da fé
que salta dos longes
da inconsciência
e se faz
luz
-gira-sol-
num balancé

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2012/04/balance-da-primavera.html

semi.soneto - 24Abr2012 10:55:00

este amor estranho e indizível
- secreto, doido, tem por dentro harpas
de ternura em exagero mais abismos
a tanger-me o corpo com mil farpas

leva-me devagar em beijo e grito
tortura-me a vontade em fome insana
e rompe-me no peito um infinito.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2012/04/semisoneto.html

chantagem - 24Abr2012 10:54:00

atiro mais uma pedra
no charco desta saudade
deflagro-me em fúsil
estouro a bandeira do tempo
desato a guilhotina
no pescoço desta noite
e desfaço em tiras meus dias.
(porque não estás)

afinal
sou eu a única baixa
desta guerra
onde todos nasceram mortos.
(porque não estás)

e tudo o que vejo
são coisas cegas
vazias e sem memória
de nada vale espremê-las
não cedem à chantagem do amor.
(porque não estás)

mas tu, aí do alto
que tudo vês que tudo sabes
e inventaste um relógio
só para mim
afaga o meu caos na ilicitude
das horas paradas a repetir-me
em chuva ácida.

diz-me outra vez
da culpa que não tens.
(silêncio)

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2012/04/chantagem.html

estrelinha - 24Abr2012 10:51:00

com estrelas nos olhos
aconchego-te o corpo em segredo
enquanto tuas mãos desfolham noites
luas e escuridão.
levo-te contra vontade
sem que o saibas, pela mão
num esforço impossível
de parar o tempo
na calçada que é viver-te.
tempo que para ti não conta
nem se mede em horas
mas no tempo das marés
essas que te levam e trazem
ao aconchego da saudade.
doce tortura, num ápice
meus cabelos são mares
numa fábula de sim
nos sentidos mais que sê-los
só de olhares,
és tudo em mim?*.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2012/04/estrelinha.html

entre dois lábios - 24Abr2012 10:50:00

ainda que a palavra
seja o intervalo
entre dois lábios
e no ar
não haja sequer uma pena
lembra-te que ela voa
antes de ser dita,
é um parto sem dor
que chega
partindo-te
é pássaro por dentro
sorrindo-te

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2012/04/entre-dois-labios.html

ridículo o amor - 24Set2011 12:20:00

há um nada burlesco cercador
na alma que se ri de si por rir
num tornar-se só do que hoje for
outro verso de dor por definir
outro canto já morto e perdedor

o tempo a rir gira um porém,
leva às costas uma bússola
e o chão de quem cai e não tem
prazo de sentir a grafonola:

esse nada que lhe resta e não tem cor
esta coisa ridícula de sentir - pior
este estado adentro de torpor - maior
esta dentridor de si a rir - o amor.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2011/09/ridiculo-o-amor.html

quadra para hoje - 16Set2011 18:31:00

o uivílio varreja o lageiro
pairageado nas folheadas
mas nem gritadílios arrivam
nem escapitam orelhadas

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2011/09/quadra-para-hoje.html

à beira-fome plantado - 28Jan2011 12:34:00

Como te dizer da chuva, fora da vidraça, se ela me inunda os ossos e me tolhe o movimento na humidade dos olhos. Como te dizer do sol se ele se esconde na vedação dos pomares onde nunca cresci, nas searas que nunca colhi, na água que me roubaram quando nasci. Como te dizer dos outros se nem de ti mãe eu lembro sequer as mãos. Como te dizer do futuro se nem sei escrever os dias e o meu pai é uma pedra que nunca vi. Como te dizer do amor se o meu coração dispara balas de fome e se vende a qualquer nome. A ponte onde moro é uma janela trucidada e as vistas enferrujaram até aos longes da minha infância. Sou o meu país órfão à beira-fome plantado.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2011/01/beira-fome-plantado.html

quando me dá para escrever - 28Jan2011 12:32:00

há uma cidade louca dentro das palavras
que nasce prematura dentro de mim.
vou e quase chego já o dia vai a meio
e eu corro atrás mas a ponte é sem fim.
então vejo arder uma fogueira no contrário da sombra
que se move irada no canto das brasas,
e um rio que escorre na esquálida margem
de uns lábios que se abrem como asas.
e, ouço um sussurro, do que ao longe entendo,
eco de ideias que queimam crescendo,
e são os olhos, as mãos, as pernas correndo
à alta montanha do coração.
e há um sol que me aquece dos pés à razão
numa terra que se cobre de um verde liberto
onde pairam aves de infindas vitórias
e tenho árvores sempre novas num verbo desperto
lá no fundo da alma, à janela das memórias.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2011/01/quando-me-da-para-escrever.html

coisas - 03Out2010 17:23:00

há uma jurisprudência nas pedras
antigas como o fogo
ligam-nas o tempo de onde vêm
numa história calada e concertada
há um sentido no brilho
dos seixos lavados
como os olhos das cidades
que nos fitam
há um som que vem de longe
do fim dos espaços
galáxia das noites fundas
nebulosa pensante
que invade a multidão
dos mares.
há toda uma vida corrida
nos cravos da liberdade
das montanhas suspensas
nos céus
tudo é infinito e belo
nas mãos da grandeza dos sentidos
eu busco, porém além de tudo
a purpura prisioneira
do sangue das coisas
e certeza das pedras
aquém de mim.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/10/coisas.html

corpo longo - 03Out2010 17:12:00

Na rua das sombras te procuro
entrecortada de luz que oscila
nas paredes frias de vão escuro
um gosto a sal, gesso, argila

Corpo longo deslizando duro
tocando luas em branca fila
suspensa do nada em mim seguro
pela névoa enlaço a nua vila

E nada alcanço, cortado o gesto
desencontrada de mim, serei um
corpo sem voz, sem nome algum

Sou no vazio da solidão um resto
de rua perdida de amor nenhum
e que sem querer se perdeu num.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/10/corpo-longo.html

talvez o punhal - 23Set2010 12:42:00

hoje sem falta, de manhã, traz os pés, as pernas, não esqueças as mãos e os braços que sem eles não se abraça, a boca para me falar os olhos para me ver. traz a alma para que toque na minha um pouco de luz. traz o amor e os beijos que a sede aperta. traz o poema do teu peito para que eu respire...
ou traz um punhal e acaba-me a dor
mas vem

(apunhalar-me de amor)

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/09/talvez-o-punhal.html

eu amo - 23Set2010 12:34:00

rio,
eu rio, perdi o juízo
não lembro quando nem onde,
talvez me fosse roubado,
ou acaso extraviado
na certa perdi-me dele.

tenho uma branca
no corte da ideia
corre a máquina zero.

saltam outras tantas
da guilhotina.

e reparo:
mas onde pus a cabeça?
sinto-me rir é certo
mas os lábios?
quem os apagou
que os não vejo em mim?

como dizer agora os verbos
sem que a razão troce?
como cuspir estas moscas
que se chocam nos neurónios?

saio estrada fora atrás de bichos
que me comam o pensamento
ratos de letras,
que contaminem palavras coadas
de metafísica em factos.

quem me enfiou cabelos na boca?
que boca? que lábios? que riso?

eu amo...

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/09/eu-amo.html

partida de mim eu ando - 02Abr2010 11:03:00

Não quero amar aquele que partiu
Que outro amar demais ao longe vem.
Após um, um outro há mais além
Maior que o céu, que longe já me viu.

Já esqueci esse amor, luz que caiu
Do meu ser, no caminho que me tem
Liberta agora, vou comigo e bem
Perdida do que fui, e me omitiu.

E se este querer assim me faz perder
No lugar que foi d' outro, e já não lembro
Será tempo de me ser, e esquecer

Que partida de mim eu ando a ver
O outro eu por fora que desmembro
Desta parte que ficou, p'ra me dizer.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/04/partida-de-mim-eu-ando.html

busca-dor - 02Abr2010 11:00:00

persigo-me no tempo que se nega
e tão longe está o que me ilude
mas perto queima-me este que me dá
a ideia de ser lume a juventude.
se acaso em ti passar minha desgraça
um frio na espinha, um gelo ao rosto
olha os olhos que te olham, e enlaça-
-m?estas mãos, perdidas no sol-posto.
que frias queimam de ausência, dedos
pelos teus, a pele antiga em sal-sabor,
unhas de tédio, pálida-fome, - rochedos
rasgando o corpo, em busca-dor.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/04/busca-dor.html

ata-nos em nós de coração - 02Abr2010 10:58:00

enterra
o teu punhal
no meu ventre
e risca devagar
todo o contorno
de dedos bem abertos
desce o vale
a outra mão na cinta
agarra e sente
todo o meio a morder
a dor da gente.

aperta-me nos dentes
da loucura.
prende-nos na língua
gestual.
saliva-nos
na carne da palavra.

escava a pele da noite
em modo urgente
e cose fundo
nossos braços de mar
em partição.

e se ao pulsar do sangue
a vida escorre
ata-nos em nós
de coração.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/04/ata-nos-em-nos-de-coracao.html

Ponto-aflito - 02Abr2010 10:50:00

Como se viéssemos do fim do tempo
de todos os tempos do espaço inteiro
como se tivéssemos em nós o tempo
na nossa hora de olhar primeiro

Como se nos bastasse só aflorar
esse momento fundo já escrito
como se em viagem bastasse cruzar
as nossas almas em ponto aflito

Como que marcados num astro-rei
à terra mais firme deste amor-hino
e de um só toque fosse adeus sem lei
saudade razão partida - destino

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/04/amor-hino.html

psicose afónica - 15Mar2010 12:55:00

psicose sanguínea pura
a espreitar pela ferida
da mente. a crosta dura.
exposta a dor tecida

bate cega a profundura
do caminho. está perdida.
ri. infecta-se na procura
e não se acha. transida

prostitui-se em veia escura
dopa-se na pele mordida
de azedia corrompida.

abre a boca na investida
entra a mosca, sai a vida
esconjurada. conjectura!?.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/03/psicose-afonica.html

Assombração - 06Mar2010 10:49:00

A morte
desce-me ao corpo
num chumbo dos pés à lama,
areia movediça,
que me suga a sombra.
Lentamente se descola da pele
o movimento.
Esvai-se o sangue na palavra
silenciada, lâmina do tempo,
ofertada.
Dádiva generosa de ti.
Os ossos, em fractura exposta
de mil pós, desmoronam-me
no respirar da ampulheta
Nem antes, nem depois.
Um vulto, espectro,
paira agora
nas margens de mim.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/03/assombracao.html

A vaidade no varal - 06Mar2010 10:47:00

há vermes por aqui.
homúnculos moribundos
no seu próprio cuspe.
passemos ao largo
desses ajoelhados
que nos arrancam as vestes
a pele, o couro;
com sorrisos metálicos
sugam-nos os olhos,
lambem-nos o ego.
esvaziam-nos.
mirram no corpo,
a pele já pergaminho,
memórias em pó.
única criação:
uma vaidade no varal.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/03/vaidade-no-varal.html

PERDIDA - 06Mar2010 10:44:00

com esta língua percorro
o poema do teu corpo
a boca toda discorre
em verso o húmido enredo
e uma procura devora
covas, gumes, teu segredo.
os lábios cingem-te o tino
com a ideia do que come
e sobe e desce e vai e vem
numa ânsia mais que fome.
espalhadas dentro do forro
das pernas em firme aperto
as mãos coram extrapolam
descem ao marco, esfolam
no grito, em forte mordida.
sobe o sangue, a carne toda
ao meio, ao alto, perdida.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/03/perdida.html

acendo um fósforo - 23Fev2010 21:56:00

sigo apalpando a estrada que me rouba a tarde.
mordem-me todos os lobos o contorno das orelhas
e atrás, logo atrás, as pulgas do silêncio espreitam.
estou nua na ingenuidade do tempo agrafado
à contramão. puxo a cortina verde da paisagem
e enrolo-me nela plastificando os meus passos.
tenho uma porta fechada da cabeça aos pés.
esqueci a chave numa fotografia qualquer.
aquela onde estamos de mão dada à eternidade.
picam-me as dúvidas na voz do bicho desejo
e dentro me roo nas verdes carnes do riso morto.
aqui, estou de frente a mim mesma, pendurada
numa palavra engasgada numa equação de sangue.
às cegas, estou no caminho que nos separa as fomes.
e amo-te na sede que me entala num tempo roto.
e antes que os vermes me comam os olhos de vez,
acendo um fósforo enquanto a minha loucura arde.

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/02/acendo-um-fosforo.html

alma-nuvem - 23Fev2010 21:53:00

Na noite-branca disfarçam-se mil
lanças de frio na nossa pele rasgada.
Há um espaço estreito entre nós, perfil
de velha geografia desbotada

Ai amor-solidão, margem subtil
de carne na saudade macerada,
traz o dia despenhado, mesmo fútil
para a nossa alma-nuvem, quase nada...

Fonte: http://roquesilveira.blogspot.com/2010/02/alma-nuvem.html

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