Amanhecer:Palavras Ousadas

De volta à insónia - 22Jan2015 13:32:00



aceito a inutilidade que carrego nas mãos,
os quartos são sempre iguais,
o eco das paredes
permanecem terrivelmente sós,
tão sós como as folhas que se mutilam
nos passos cansados por um par de botas abandonadas

o vazio das algibeiras preenchem
este pedaço de terra que me desola o peito,
de dentro arranco um rio infindo
de moinhos,
o pão é talhado ruidosamente
pela febre de bocas que mastigam a minha sanidade

onde quer que poise o olhar
o retorno do vento é sempre veloz,
a mecha já não adorna as candeias,
vejo-me no meio do hall,
completamente perplexo,
as vozes rogam pela vida

ainda moro
no infinito das coisas simples,
onde o mar começa
e a noite acaba,
onde as flores fazem amor ao relento,
e os lobos
se deitam comigo
à procura da lua dentro do meu quarto crescente


Conceição Bernardino

Desenho feito a pastel - tamanho A3


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2015/01/de-volta-insonia.html

Apresentação do Livro "Identidades" de Conceição Bernardino - 30Mai2013 11:44:00






A Editorial ?lavra?Boletim de Poesia? e a autora, tem o prazer de @ convidar para a apresentação do livro de poesia e prosa ?Identidades?, de Conceição Bernardino e seus pseudónimos, que será apresentado por Ana Almeida Santos, pelas 16.30 horas do dia 15 de Junho de 2013, no OLIMPO(Bar-Café), à  Rua da Alegria 26, no Porto. 

Conceição Bernardino e seus pseudónimos


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2013/05/apresentacao-do-livro-identidades-de.html

Em meados de Maio o meu livro "Nono Sentido estará à venda nas seguintes livrarias - 28Mar2012 23:31:00

 
 
Quem quiser adquirir o meu livro "Nono Sentido" pode entrar em contacto comigo via email, conceicao.mami@sapo.pt ou então através da minha Editora Temas Originais, Lda. em breve colocarei aqui e nos meus blogs as livrarias onde estará à venda o meu livro.

Muito obrigada

Em meados de Maio o meu livro "Nono Sentido estará à venda nas seguintes livrarias:

Redes livreiras:

Fnac
Bertrand
... El corte Inglês
Wook
Sonae
Sitio do livro
Bulhosa
Almedina

Livrarias tradicionais:

Portugal Lisboa
Apolo 70 Lisboa
Espelho do tejo Lisboa
Escolar Editora Lisboa
cumes literários Lisboa
Letras e livros Leiria
Cube Literário do Porto (2194) Porto
Vida economica Porto
Sousa e almeida Porto
Salta Folhinhas (só infantil) Porto
Unicepe Porto
Locus Povoa de Varzim
Diz tudo 367 Matosinhos
Livraria dos Carvalhos 1281 Vila Nova de Gaia
Culturminho Braga
Livraria Minho Braga
100 pagina Braga
Livraria Ideal 1586 Guimarães
netbooks Fafe
Fontenova Famalicão
Fundação Livraria esperança Funchal
Papelaria Bonzão Coimbra
Aguiarense Vila Pouca de Aguiar
Rosa Douro Bragança
Na sombra dos livros Évora
Nun´Alvares Portalegre
Poética Macedo de Cavaleiros / Bragança
Ver mais



Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/03/em-meados-de-maio-o-meu-livro-nono.html

Deixe a sua opinião - 28Mar2012 23:27:00



Gostaria de pedir aos leitores do meu livro "Nono Sentido", com o pseudónimo literário de Carlos Val que deixassem aqui a vossa opinião sobre o livro, é muito importante para mim seja ela positiva ou negativa.

Grato pela atenção

Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/03/deixe-sua-opiniao.html

24 Março - Lisboa - Carlos Val e Teresa Teixeira - 19Mar2012 12:21:00


Os autores, Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino, e Teresa Teixeira, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação dos livros ?Nono Sentido? e ?Da serena idade das coisas?, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 24 de Março, pelas 16:00.

Obras e autores serão apresentados pelos poetas Rosa Maria Anselmo e Xavier Zarco.


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/03/24-marco-lisboa-carlos-val-e-teresa.html

O meu agradecimento profundo - 19Mar2012 12:15:00



Deixo-vos o meu agradecimento e um pouco de mim, neste dia memorável onde a fraternidade esteve ao rubro juntamente com a poesia e a música.


Boa tarde a todos,


Partindo do pressuposto de que a minha presença aqui se justifica mais pela escrita do que pela fala, e como improvisos não é comigo, resolvi escrever o que agora vos leio.

Em primeiro lugar e antes que a emoção me traia, quero agradecer às duas pessoas mais importantes da minha vida que me apoiam dia após dia, a minha querida mãe que está hoje aqui presente e a quem dedico este livro, e à Isabel Pereira, sem elas não seria possível estar aqui na vossa companhia a lançar o meu terceiro livro ?Nono Sentido?.

Agradeço também:

À minha querida amiga e apresentadora de sempre Rosa Maria Anselmo, que me acompanha nestas caminhadas. Grata minha amiga por tudo o que tens feito por mim.

À minha editora temas Originais e em especial ao Xavier Zarco, pelas palavras que destinou no prefácio deste livro e pela sinceridade que sempre demonstrou para comigo e para com a minha escrita.

À minha querida Renata Gonçalves pela excelente voz e ao Zé Pedro excelente músico que nos vão presentear e abrilhantar este evento com as suas músicas.

O meu reconhecimento aos membros do Olimpo Bar (Luís Beirão, Ana Almeida Santos e Manuel Nogueira) pelo apoio que prestam às artes, cedendo este espaço acolhedor gratuitamente. Um abraço sentido pelo carinho com que nos acolhem.

Ao meu querido amigo Eduardo Roseira por dedicar a sua voz talentosa aos meus poemas e por estar sempre ao meu lado nesta caminhada literária.

À minha família, aos meus amigos e a todos os presentes e ausentes que sempre me apoiaram neste meu percurso.

Cabe-me agora falar um pouco do devaneio deste meu pseudónimo Carlos val.

Há uns meses senti necessidade de me desvincular da minha escrita de vertente social, não pelo fato de não me sentir realizada, mas sim para criar algo novo que me fizesse sentir mais completa literariamente numa vertente mais intimista.

Perguntam vocês: O porquê de um pseudónimo masculino?

Pela necessidade de obter criticas e opiniões imparciais nos sites onde escrevo e também porque gosto de me propor a novos desafios.

Apesar de ser o livro que mais trabalho me deu, foi o que escrevi em menos tempo e que mais prazer me deu pela sua invulgaridade e transcendência.

Obrigada a todos mais um vez pela vossa presença e espero que desfrutem deste ?Nono Sentido?


17-03-2012


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/03/o-meu-agradecimento-profundo.html

Lançamento do Livro "Nono Sentido" de Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino - 22Fev2012 09:52:00




O autor, Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro ?Nono sentido? a ter lugar no Olimpo Bar Café, sito na Rua da Alegria, 26, no Porto, no próximo dia 17 de Março, pelas 17:00.

Obra e autor serão apresentados pela poetisa Rosa Maria Anselmo.


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/02/17-mar-porto-carlos-val-conceicao.html

Plutocracia - 20Fev2012 11:48:00





Devolvo-me à superfície das pedras
Como um nómada acabado de nascer
Entre as muralhas ilegítimas
Desta mediocridade ornamental, apressada
Pelos barões, pelos bastões
Desta lacónica pátria
Pendurada na palma da mão
Do pedantismo dos pombos
O Führer acendeu a tocha
Nas chagas de um Cristo todo-poderoso


Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/02/plutocracia.html

Retalhos V - 13Fev2012 18:43:00



Fui crescendo na morte, que corroía as linhas paralelas das minhas mãos semiabertas. Aprendi rapidamente a renascer nos braços abertos de um espantalho, usurpando o medo que consumia os horizontes da minha solidão. Quis correr mas não tinha pernas, qualquer mortalha ostentava a minha condição de pássaro ferido, à procura de uma migração prematura onde os poetas só mudam de pena.
Nem as serpentes de aço em que me enclausuraste calaram a minha austeridade de mulher, [deformada] por um vilão que se alimentava de pombos mal definidos.


Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/02/retalhos-v.html

As pupilas dilatadas da saudade - 06Fev2012 21:05:00


No verde dos olhos esconde-se uma flor de aço
Na ilusão comestível do entardecer os passos
Apressam o aspecto do meu corpo, corro
Como limalhas em horas de ponta à procura
Da última chuva que se acomoda na lama
No silêncio os violinos molham-me o rosto

Os dedos dormentes abrigam-se num fólio
De sílex sobre as pupilas dilatadas da saudade
Ama-me antes que a chuva se dissolva
Num adeus prematuro nos teus lábios.

Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/02/as-pupilas-dilatadas-da-saudade.html

Este é para ti, meu amor? - 01Fev2012 09:01:00

                               

Meu amor, se soubesses como procuro dentro do teu olhar o vazio que deixas repousar sobre os teus ombros encolhidos, quando o silêncio se pronuncia por ti nas palavras não ditas, sinto-me tão impotente nesse ensejo que daria os meus olhos para te encontrar
Olho-te, arranco-te um sorriso feito de emoções embrulhadas nos nossos corpos, num papel de abraços cristalinos e a lágrima cai sobre um laço de amor que não se explica sente-se mutuamente em cada segundo que passa, por mais doloroso que seja, por mais feliz que te veja é assim que nos protegemos, ontem tu hoje eu.
 Hoje jurei que não choraria: mas sabes às vezes sinto tantas saudades daqueles tempos em que me deitava no teu regaço com medo da vida e tu consolavas a minha dor a incompreensão que emergia dentro de mim. Quando saímos juntas para comer um gelado nas noites quentes de Verão.
Ò meu amor, minha mãe como se explica este amor que sinto por ti, às vezes dói tanto que sangra?talvez seja as dores de um parto abençoado que carregamos juntas todos os dias.
    
 Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/02/este-e-para-ti-meu-amor.html

Peditório Urgente - 24Jan2012 23:14:00



Caros cidadãos, venho por este meio prestar a minha solidariedade com o nosso amigo Aníbal e a sua Mariazinha, peço-vos encarecidamente que ajudem e contribuam com alguma coisinha. Este pobre homem só recebe onze mil trezentos e quarenta e dois euros mensalmente. É impossível com este rendimento aguentar o custo de vida, como pode este casal de desgraçadinhos viver com dignidade se não ganham o suficiente para pagarem as despesas no final do mês?
Enviei cartas a todas as instituições de caridade do nosso país até para o albergue dos sem-abrigo da Trindade que se prontificaram logo a dar-lhes uma sopinha quente o problema é que a Mariazinha não gosta de comer na marmita só sopas de pacote e o Aníbal faz alergias à couve lombarda só engole as de Bruxelas. Bem que eu andava desconfiada, porque o homem só abre a boca para dizer; ?eu avisei que isto não andava nada bem?.
Por isso seja solidário envie para o Palácio Nacional de Belém o que puder, arroz carolino, santolas, cheques visados, cupões de descontos dos hipermercados, raspadinhas, lotarias, produtos de beleza para a Mariazinha, porque a verdade se diga a senhora anda muito mal das peles, eles aceitam tudo desde que o valor seja superior ao rendimento mensal.
Eu já fiz o meu donativo mandei-lhes um das Caldas bem grande para irem gozar com o caralho.
Ajude, eles sempre foram tão poupadinhos, enviem-lhes o manual, ?como viver com cento e cinquenta euros mensais?.

Viva a igualdade, viva o Presidente do choradinho!

Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/01/peditorio-urgente.html

Fissuras do tempo - 23Jan2012 09:27:00




As paredes estão vazias
repletas de fissuras
de imagens, sussurros
de pregos trôpegos
curvados pelas sombras.

Já não escuto a voz
nem sinto o bocejar da noite
apenas as linhas,
que escrevo sobre
o papel da minha alma.

As letras miudinhas
confundem-se no branco
dos lençóis remendados
onde o silêncio se aconchega,
do ruído que não chega
do ranger das portas
que já não se abrem

adormeço sem saber se volto?
   ?no rodopio das cortinas
   da minha liberdade.
   
 
 Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/01/fissuras-do-tempo.html

Este país não é para totós - 20Jan2012 13:38:00



Contra-indicações: se sofre de gases, azia, urticária, varizes, hemorróidas, acne, enxaquecas, lombrigas, bicha-solitária, pés de galinha e outras coisas acabadas em inha não leia, caso sinta algum destes sintomas procure de imediato um totó.

Ando com um totó entalado no nariz, o raio do macaquinho entope-me as fossas nasais de tal forma que nem um balde de água do mar o afoga, já experimentei de tudo, pinças, cotonetes, lipoaspiração e imaginem só que até o tubo do aspirador tentou suga-lo mas a única coisa que aspirou, foi uma moeda de cinquenta cêntimos, fizeram-me cá um jeitaço dos diabos estava mesmo tesa que nem um jaquinzinho.
Existem vários tipos de totós, para cabelos compridos, curtos, ondulados e para carecas, confesso que o meu preferido é daquele mesmo totó até ao tutano que compra todos os manuais instrutivos para totós. Estou a pensar seriamente abrir uma instituição de apoio ao totó e para totonas e angariar umas croas à custa desta classe mais desfavorecida. Dói-me muito quando vejo um totó a chorar por maus tratos de foro cabeludo ou narigudo, tudo lhes pega é piolho, chato, sarna, carraça que dá cá umas comichões entrefolhos que nem vos conto. Pobres vítimas da civilização enfiados por baixo das carapuças e dos chapéus de palas circulam por todo o lado e se abanarmos muito a cabeça o coitado vomita, porque não consegue aguentar uma mexedela de consciência, precisa sempre de uma cabeça que o guie, nem que seja a do alfinete que é bom para furar balões em dias de festa, ou na procissão da nossa senhora dos caramelos sem açúcar para segurar no estandarte dos chupas. Ai por falar em chupas, já me esquecia de comunicar aos totós que já existe chupas à venda nas farmácias a custo baixo ou alto, conforme a medida do totó, são feitos de vaselina com sabor a arroz de pato, não vá alguém lembrar-se de prender os cabelos do cú.

Viva os totós, viva a liberdade dos caramelos!

Conceição Bernardino

Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/01/este-pais-nao-e-para-totos.html

Dissertação sobre o estado da nação visto de dentro para fora - 03Jan2012 21:59:00


Trago pensos nos bolsos e um frasco de betadine na mão direita, na esquerda um saco de algodão em rama e um espelho de aumento, já revirei o pensamento embrulhei-o em jornal, das tripas faço coração sem enteróclise, limito-me à audição fugindo do imbróglio da carolice, arrumo o estômago dou um sorriso ao fígado e penteio a vesícula.

Amanhã trato do umbigo e quem sabe troque o betadine por álcool etílico, faço alergias ao látex e a pírula faz-me cócegas no esófago.


- Desculpe, tem pomada para as hemorróidas? Não? Então embrulhe-me um saco de almofadas.



Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2012/01/dissertacao-sobre-o-estado-da-nacao.html

Etiópia, a última ceia - 17Dez2011 00:47:00




Aperta-me as mãos, estão geladas
ainda que não as sintas, aperta-mas,
são elas que carregam o pão, da última ceia
deste ventre inchado, onde as moscas acasalam
na aresta da lágrima que desenha os meus olhos.

A vida escoa-se, a viagem dilata-se
entre a correria apressada dos corpos
onde os oceanos são feitos de terra amarelecida
e os glaciares infaustos, aperta-me as mãos
antes que o sol se ponha e nos vista de medo.

Mãe negra,
é breve o teu lamento?ouço-as, gritam,
num círculo fechado, na cartilagem das sílabas
escritas, vendadas pelo sangue frio
que carregas nas mãos, a fome.


Conceição Bernardino
 


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/12/etiopia-ultima-ceia.html

Lavra?Boletim de poesia - 22Nov2011 23:21:00



Boa noite,


Venho convidar-vos a visitarem e a colaborarem, se esse for o vosso desejo no Jornal, dirigido pelo Poeta Eduardo Roseira.


Participe e traga mais cinco.


Lavra?Boletim de poesia






Obrigada



Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/lavraboletim-de-poesia.html

Este país não é para mulheres de bigode - 22Nov2011 12:31:00




Com senso ou sem senso vai-se constatando que as estatísticas já não são causas comuns hipotéticas mas absurdas medianas aos trambolhões. A moda está em desuso e dizer-se, ?mulher de bigode, ninguém a phode? é desviar o padrão das infortunas variáveis a casos extremos. Não fugindo da variante (N), a do bigode que não está em vogue mas ninguém a phode, na aldeia da Picha, Toninha bigodes recebe uma visita inesperada. As estatísticas bateram-lhe à porta.
- Ò mãe tá aqui uma mulher pra ti!
- Quem é Xico? Despacha a mulher que eu estou a fazer o jantar.
- Não posso mãe a gaja diz que é daquela cena das estatísticas A mãe preocupadíssima vem a correr e interpela o filho: 
- Já podias ter dito, é sempre a mesma coisa, só me deixas ficar mal, não sei a quem saíste com esse palavreado, manda a senhora entrar.
- A minha mãe disse pra entrar.
Amélia dos Capuchos, colaboradora da Biblioteca Municipal de Pedrógão Grande, estava varada com a recepção mas tinha que acatar com as suas obrigações uma vez que se comprometeu com a junta de freguesia.
- Boa noite, eu sou a Amélia venho da junta e precisava que me respondesse a um inquérito para o INE ou então eu deixo ficar os impressos a senhora preenche e passo cá amanhã. Toninha quando ouviu falar na junta mudou de imediato de postura:
- Nada disso senhora doutora faça o favor de se sentar, quer tomar alguma coisa, um cafezinho, um licor?
- Sou uma simples funcionária da biblioteca, não sou doutora, dona?
- Toninha, Toninha bigodes, pode tratar-me assim e sinta-se em casa senhora doutora, ora deixe-se de modéstias, os méritos devem ser conhecidos.
Amélia já não tinha controlo sobre Toninha e de nada servia contrapor, só queria era apreçar os impressos e dar de frosques.
- Obrigada dona Toninha pela atenção, é um simples inquérito sobre a qualidade de vida dos habitantes da Picha.
- Claro, senhora doutora, pergunte o que quiser.
- Quantas pessoas vivem nesta casa?
- Ora bem, eu, o meu esposo mais conhecido pelo Picha pequena, a minha Milinha da racha e o meu filho Xico esperto e o meu cão torrão, se não me enganei nas contas, somos cinco.
- Costumam ler livros ou jornais? Pergunta Amélia sem tirar os olhos do bigode da Toninha.
- Eu leio muito pouco mas gosto de ler, só que já me falta a vista, leio a Maria e o jornal, a página onde colocam os falecidos para ver se vem alguém cá da terra a Maria ajuda-me a compreender como anda o mundo. Isto está muito mal senhora doutora veja lá que nesta ultima edição vinha lá um rapazinho a perguntar o que devia fazer, tinha nascido com três tomatinhos e não sabia o que havia de fazer à vida dele, o pobrezinho tinha lá aquela coisa dos complexos, e o raio da Dr.ª que responde àquelas desgraças, respondeu-lhe que ele devia sentir-se feliz por ser um homem avantajado e mais?só desgraças, outro a namorada ficava chateada quando o rapaz praticava o coito interrompido mas nessa já nem li a resposta ora se ela ficava chateada por o fulano ter a picha interrompida ai até eu ficava ao menos o outro tinha três tomates já dava prà fazer uma rica salada.
Toninha bigodes desata a rir e manda uma grande bufarda à Amélia, esta sorriu entre dentes e respondeu:
- Pois, pois?e o seu marido, os seus filhos gostam de ler?
- Gostam sim senhora, o meu Xico é um rapaz muito esperto, acabou este ano o curso das novas oportunidades já vai fazer dezanove anos para o ano, coitadinho teve que deixar a escola porque era hiperactivo é uma doença muito complicada, só lhe dá para dormir de dia e depois à noite vai até ao centro com os amigos da Venda da Gaita, veja a senhora doutora ele parece que só fala inglês desde que acabou o curso, eu vou chamá-lo para ele lhe responder. ? Xico! Ó Xico anda cá a senhora doutora quer falar contigo.
Amélia corava como um presunto e a voz ia enfraquecendo:
- Não vale apena incomodar o gaiato, ele deve ter muitos afazeres.
- Nada disso, senhora doutora e voltava a berrar: - ò Xico!
- Poça mãe, não sou mouco, que queres? Dizia o gaiato com cara de mau.
- Vá lá Xiquinho a senhora doutora quer saber se gostas de ler, senta-te aí.
- Ya, doutora tá-se bem, eu gosto de ler tipo a Bola, os filmes dobrados em português, as revistas do meu pai, tem lá cada monumento, quer que lhe mostre?
Apressadamente Amélia sem demora responde:
- Não Chico, acredito que sim?
Toninha toda contente olha para o filho e diz:
- Eu sabia que ias seguir a profissão do teu pai, és o meu orgulho. Puxa-lhe pelas bochechas com um sorriso enorme.
- Ó mãe bebeste? Deixa-te dessas cenas. Levantou-se e voltou para o quarto.
A mãe com o bigode mais aguçado virou-se para a Amélia:
- Eu não lhe disse que o meu Xico era um menino muito esperto? Por este caminho vai seguir o dom do pai. Sabe o meu esposo é mestre-de-obras, ele é unha com carne com o senhor presidente da junta as empreitadas cá da aldeia são todas feitas pelo meu esposo e por metade do preço mas ele é muito correcto a factura vai sempre com o dobro do valor conforme o senhor presidente lhe pede, a verdade se diga também não pagamos aquela coisa do imposto, sabe como é uma mão lava a outra. Quem tem amigos não morre na cadeia. Bem agora já sabe que o meu marido lê livros sobre obras e monumentos. Agora a minha filha já é mais sobre dança.
Amélia interrompe:
- Dança? Mas ela é bailarina tirou algum curso, formou-se?
- Não senhora doutora, ela abandonou os estudos aos 14 anos, quando acabou a quarta classe, foi um desgosto, ela tinha tanto jeito nas línguas, sempre que chegava a casa (parece que a estou a ver) corria para mim toda feliz e dizia, ?- mãezinha hoje o Serôdio da venda deu-me um linguado?, no início cheguei a fazer figura de idiota pensei que era peixe depois ela explicou-me que era uma língua nova. A minha Milinha da racha tem vinte e dois anos, já trabalha como bailarina desde dos dezassete e lá vai ganhando o bocadito dela.
Amélia não hesitou, ironicamente abreviou-se:
- É bailarina numa discoteca e trabalha à comissão ou a recibos verdes?
Toninha bigodes desatou novamente às gargalhadas:
- A senhora doutora agora teve graça, é à comissão, as pessoas que lá vão ficam verdes mas é de inveja, porque a minha filha não é para o bico de qualquer um da forma como ela dança ainda vai parar ao Teatro do Las Férias.
Amélia levantou-se, pedindo licença:
- Dona Toninha bigodes bem tenho de ir, o dever chama-me, ainda me faltam mais dois inquéritos mas?
Toninha interrompeu:
- Já vai senhora doutora mas e o resto das perguntas?
- Não se incomode dona Toninha bigodes conseguiu responder a todas elegantemente e digo-lhe mais, como diz o ditado ?uma mulher de bigode ninguém a come??, ahahahahahah, até qualquer dia e dê cumprimentos à família.
- Obrigada senhora doutora, você também tem a sua graça, mas olhe que o ditado não é assim, ahahahah, dê lá cumprimentos ao senhor presidente e disponha sempre que quiser, tenha uma boa noite.
 

- Ai Jesus, lá se foi caralho do pernil assado que comprei na venda do Picha frita?


Viva as estatísticas, os vigaristas, viva a educação!


Conceição Bernardino





Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/este-pais-nao-e-para-mulheres-de-bigode.html

Pássaro de papel - 17Nov2011 22:54:00




Sonhei a primavera
Nos olhos dum tordo renegrido
Sem pena voltei a sonha-lo
Sobre o cume branco
Como os amantes
Que se amam num só corpo
Sem ver onde a primavera começa
E o inverno acaba

Imortalizei o sonho
Quando o gelo ancorou
Antes do frio
Nos teus olhos negros
Da cor da solidão

Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/passaro-de-papel.html

Este país não é para ignorantes - 15Nov2011 14:46:00


  


Na sexta-feira passada na taberna do tio Manel ouvi os meus compinchas da bisca falarem da Manif. Geral, curioso perguntei ao Tono azeitonas se era alguma festa daquelas que um gajo leva a patroa e dá um pezinho de dança mas nem ele sabia ao certo. O Artur da Rolha que tem a mania de se armar em esperto só porque enfia a rolha ao pessoal à custa da batotice, disse que era a inauguração de uma loja. Quando cheguei a casa a minha Alzira já tinha o tacho pronto, falei-lhe do assunto mas ela estava mais interessada no capítulo cinquenta e quatro da novela das vinte e uma, fui obrigado a berrar para o raio da mulher me ouvir mas pelo jeito quem me ouviu foi a vizinha, a velha veio-me bater à porta para eu falar mais baixo que queria bater uma soneca.
Fiquei com a Manif. enfiada na carola assim à primeira vista o nome soava-me a banco mas depois pensei se derem umas agendas e coisa e tal já não é mau de todo. No sábado levantei-me pela fresca e pus-me a caminho apanhei a carreira das oito no apeadeiro da Sardinha e lá fui eu para Lisboa.
Quando lá cheguei entrei num edifício muito alto e perguntei a um velho que estava sentado num sofá cheio de estilo onde era a Manif. o homem olhou-me de lado e respondeu:
- Aqui é o Ritz o Manif. não conheço.
Pensei com os botões das minhas ceroulas, o velho só pode estar a gozar com a minha cara, olhei-o novamente:
- Ò senhor por acaso não está a gozar com a minha cara pois não? Então na minha terra não se fala de outra coisa, da tal Manif. Geral e o amigo está a dizer-me que não conhece, haja paciência.
- Ah essa coisa não é aqui é na praça Marquês de Pombal, (comuna da merda).
- Bem parece que já nos entendemos, obrigada mas disse mais alguma coisa?
O velho nem me respondeu, virou as costas e retirou-se, deve ser daqueles que não sabe o que é uma rica bisca mas pronto cada um é como cada qual.
Lá consegui chegar ao Marquês das Pombas e nada, nem sombra da Manif. nem anúncios com setinhas ou aquelas que dizem desvio, mas que grande porra e agora? Bem só me resta?
Olhei para o lado estava mesmo ali um homem com umas grandes barbas sentado numa caixa de papelão, nem é tarde nem é cedo aqui vai:
- Bom dia senhor, diga-me uma coisa é aqui a Manif.? O homem riu-se às gargalhadas:
- Quem a Geral? Sim amigo mas está fechada só abre às duas e meia, o melhor é beber um copito e encher o bucho que isto vai aquecer.
- Já reparei, vim cheio de roupa e aqui está calor, lá na Sardinha o tempo estava a mudar de cara e quando chove, chove por todo o lado mas muito obrigadinho.
- Olhe amigo o tempo é igualzinho aos políticos não chovem nem deixam chover, não sei se entende. Olhei meio aparvalhado e fiz de conta que entendi:
- Ah sim claro, mais uma vez obrigadinho.
Políticos? Quem são esses? Deve ser alguma piada aqui de Lisboa o melhor é encontrar por ai uma tasca onde possa dar ao dente que o rato já aperta.
Olhei para o cebolas, possa ainda só são onze para as meias sou mesmo burro podia ter perguntado lá ao Tono a que horas abria a Manif, agora ando aqui a matar moscas, ena pá tantos chineses, isto é que estamos a evoluir, parece aquelas ruas que dão nos filmes até vendem espadas de Sá Morais antigas, dava cá um jeitaso para cortar as silvas lá da horta.
Ora, ora já passeie, já matei o bicho são duas para as dez o melhor é despachar-me antes as portas da Manif. abram e apanhe uma carrada de gente à minha frente. Hei caramba tanta gente não devia ter saído daqui, espera tanto barulho está tudo aos gritos, já deve ter dado confusão o povo não pode ver nada à borla, tantas bandeiras até parece que vão receber o papa. Cheira-me a esturro é melhor perguntar aqui à dama que berra mais que a cabra do Mingas da côdea o que se passa:
- Boa tarde minha senhora está fila para a abertura da Manif.?
- Desculpe, eu entendi bem ou o senhor está a gozar com a minha cara?
- Ò minha senhora sempre fui um homem respeitador, que o diga a minha Alzira que casou virgem, eu venho da Sardinha e não entendo o porquê de tantas bandeiras e dos berros, será que a senhora podia-me informar se é por causa da Manif? Afinal que tipo de loja abriu, não tem brindes para toda a gente é isso?
Senti que a mulher cada vez ficava mais arreliada, só lhe faltava deitar fumo pelas bentas. Que estava eu a fazer de errado?
- Ouça lá o senhor não sabe ler? Não sabe o que é uma manifestação? Vá dar uma voltinha até ao jardim zoológico, vá dar de comer aos patos.
- Pois minha senhora fique sabendo que sei ler muito bem embora tenha um problema num olho, não é à toa que lá na terra me confundem com o Camões aquele que escreveu as Maias por isso a minha alcunha de Miro zarolho ou a senhora pensa que lhe estava a piscar o olho esquerdo só porque ando com ele meio pisco. Manifestação? Qual a dos vinte cinco, deixa-me rir agora mudou de data, saiba a senhora, nessa altura tinha entrado para a tropa, ajudei na revolução era telefonista no quartel e sabe quem levou com os que eram contra os vinte cinco? Pois, pois foi cá o Miro, nunca ouvi tanto palavrão junto mas enchi o livro conforme mandavam as regras. Eu lá preciso de ir ao zoo não sei das quantas dar de comer aos patos se faço isso lá na minha horta todos os dias, a senhora está a ser muito mal-educada com a minha pessoa.
- Acha? Você trabalha? Sabe o que o governo nos está a fazer ou também não vê os noticiários lá na sua terrinha? É preciso ter paciência para aturar
tanta ignorância de uma só vez e ainda me chama de mal-educada? A sério vá visitar o museu dos Jerónimos que o senhor está no sítio errado.
- Eu sou agricultor dos pequenos embora neste momento esteja desempregado a termo incerto, já estou a ficar enervado, a senhora chegou aqui há pouco eu já cá ando desde manhã, pois fique sabendo que enquanto esperei que a Manif. abrisse passei por imensas lojas que diziam ?liquidação total?, entrei em todas e perguntei se tinham trabalho para vender e sabe quais foram as respostas que me deram, sabe? Que estava esgotado e agora tem resposta, tem? Governo? Não sabia que neste país havia um governo os meus compinchas da sueca passam a vida a dizer que andamos todos desgovernados desde dos setenta e quatro, por acaso não sou muito de ver televisão, só mesmo quando dá bola, mas ouço muito a rádio da renascença principalmente quando dá os discos pedidos, eu nunca pedi nada, não gosto de pedir nada a ninguém, vivo com o que tenho e com a graça de Deus. Onde aos Jerónimos? Sempre gastei da mercearia do senhor Abreu não gosto desses supermercados grandes que vende gato por lebre, olhe aproveite a senhora e cumpra o com o que trás ao peito nesse colante ?Eu vou! E tu não??, vá lá e aproveite os saldos dos Jerónimos.
A porra da mulher levantou o pau da bandeira apontou-o na minha direcção só tive tempo de levantar a bacia que comprei prà minha Alzira e catrapumba, a porcaria da bacia desfez-se em duas, lá se foram os meus quatro euros, arre ninguém diga que está bem. Só parei na Sardinha que é terra sossegadinha. Comprei uma agenda na vinda e lá consegui convencer os meus compinchas que a Manif. Geral era uma agência nova dos vinte e cinco dos setenta e quatro.

Viva o povo, viva os direitos humanos!   



 PS: este texto é uma crítica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis              

Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/este-pais-nao-e-para-ignorantes.html

O Sancho é real D. Quixote - 11Nov2011 22:21:00



Não tentes calar a minha voz

Com o fato metálico de chapa ridícula

Onde não há lanças nem archotes nem árvores suspensas.


- O Sancho é real D. Quixote!


Enche os bolsos de lendas antigas

Mastiga os pássaros caídos na valeta

E acena às crianças pobres um futuro miserável


Não tentes calar a minha voz

Com o relinchar de um cavalo de pau

Onde as ferraduras são feitas de trevos e vertigens


- O Sancho é real D. Quixote!


As cidades adormecem por baixo de outras cidades

Onde as lixeiras e o lodo do rio trás à tona o condenado de Victor Hugo

O cio cresce na boca dos saqueadores e a saliva afia a guilhotina
  

- Já crescem cabeças nos campos de trigo D. Quixote

Conceição Bernardino



Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/o-sancho-e-real-d-quixote.html

De que cor é a morte? - 10Nov2011 01:49:00



 
Vou refinando a morte
Sem suster a respiração
Qualquer uma me serve
Anui-me como uma luva

Tenho as medidas certas
E os olhos revirados,
Divididos ao meio, urdidos
Por linhas descontínuas

[De que cor é a morte?]

Pintá-la-ei de frutos
Silvestres, quem sabe
De álcool com amoras
À mistura, ou de rosas
Murchas sem pétalas

Mas tudo bem,
Deixem-se de merdas
Eu também já estive
Morta antes de nascer


Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/de-que-cor-e-morte.html

Este país não é para finados - 03Nov2011 11:47:00

             


Já andamos todos finados se nos vão finar mais o que será do povinho, ora bem frito ora cuzidinho, com a Merkel a dar-nos um toucinho reproduz-se o fiado e paga-se dobrado. Coelho nem vê-lo está pela hora da morte quando acena a pata sai qualquer coisa à caçador, ou fode o pobre ou manda merda pelo ventilador e zás que se faz tarde é preciso bajular os troikanos, medida acima medida abaixo e mamam todos do mesmo tacho.
Corta aqui, corta ali, corta?rebobina, acção?isto de andar na phoda já parece coisa da moda, tangas e ceroulas e volta-se afinar mais uns trocadilhos aos finados e que se phoda quem quiser?obedecer, alinhar e toca andar de cu para o ar. Venham de lá mais dois submarinos, um porta-aviões, uma OTA e um TGV que o povo arrota e diga-se de passagem que a loja de conveniências tem todos os modelos e cá os camelos largam o cordão à bossa. A Banca ganha a Merkel agradece o portas dá o aval o deve cresce e haver vamos as carteiras da corja bruta que nos pedem sacrifícios
mas não andam de trotineta, são BMW?S senhor e tem cavalos?os burros andam todos a reboque, zurram, zurram, são afinadinhos.
?- Abram o camarote, estica bem a medida Austero, preciso de mais uns três milhões para tapar um buraquito que apareceu ao meu compadre, o das escutas?.
Viva a equidade fiscal!      


Conceição Bernardino


PS: este texto é uma critica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis 


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/este-pais-nao-e-para-finados.html

Este país não é para deficientes - 01Nov2011 22:37:00



Ao longo da historia da humanidade os cidadãos com deficiência foram os mais descriminados e marginalizados, é nesta vertente que me debato perante um país que continua a ignorar o que simboliza de coitadinhos.

Comecemos pelas instituições públicas: é tão lindo quando me deparo com emblemas e plaquinhas que dão prioridade aos deficientes mas no entanto na fila de espera continuam cidadãos de muletas, invisuais e as cadeiras de rodas que qualquer dia também começam a pagar imposto de circulação. Alguns destes portadores de deficiência ainda reconhece os direitos que lhe assiste mas outros preferem ocultar e silenciar pela rebeldia estereotipada dos olhares da maledicência.

Circular nas vias públicas é uma utopia, uma autêntica aventura para os mais ousados, são confrontados com uma série de desportos radicais; buraco sim buraco não, (bem são só mais uns buraquitos próximos do buraco orçamental ou do ozono quase nem se aludem), mas o civismo continua guardado dentro da mentalidade reles do coitadinho que ocupa a via para peões com os seu carro bem polido fica impune, ora atrás de um sempre fica melhor outro e mais outros?então se for dia de romaria ou de futebol venham de lá mais cinco que as autarquias agradecem e todos beneficiam, menos os obtusos dos deficientes que não entenderam que eram personas não gratas.

Agora passemos às grandes superfícies comerciais; Braille não é baile, é mesmo Braille (sistema de leitura através do tacto para cidadãos invisuais), mas quem manda estes seres para um hipermercado sozinhos, só pode ser maluco ou alguém que está a ser filmado para os apanhados ou então uma nova série do ?Mister Bean?. Já repararam no amontoado de latas que espalham nas promoções (leve 5 e pague 6) ou na camada de prateleiras carregadas de pacotes de açúcar quando o preço pertence à massa de cotovelos que está ao lado, o melhor é porem os invisuais a jogarem bowling sempre é mais seguro, o risco de sofrerem um acidente é menor e não têm despesas por danos pessoais. Pergunte ao gerente ou nalguma instituição pública se sabe linguagem gestual, quer que responda?

Dessa língua não temos mas aproveite que a língua de boi está em promoção. Neste país existe cerca de um milhão de deficientes?

Viva a declaração universal dos direitos do homem!



Conceição Bernardino

PS: este texto é uma critica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis  






Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/11/este-pais-nao-e-para-deficientes.html

Este país não é para mim - 30Out2011 00:09:00



O mundo virtual é uma maravilha protegeu-me da forca ou dos pregos mas dos insultos não me livrei. Para o que me havia de dar, postei a minha coluna (salve seja) o texto ?este país não é para velhos? no facebocas naqueles grupos de literatura e quase fui trinchada por alguns membros facebokianos. Tive que dar corda às sapatilhas, a minha sorte é que agora existem sapatilhas de rodinhas o que facilitou a fuga do linchamento virtual. Não é que o people entendeu aquilo como um insulto aos nossos idosos, vi-me num filme de kung-foge, até me chamaram gueixa em português se fosse em chinês ainda vá que não vá, era mais gueixa menos gueixa, outros queriam atirar-me ao mar o que me vale é gostar mais do campo e ainda acusaram-me de ser filha da polícia. Esqueci-me de perguntar se era militar ou da judite, sabe-se lá antigamente trocavam muito os embrulhos nas maternidades, quem sabe não sou filha do Carmona, que não bato lá muito bem da mona eu já sei mas um tachinho
daqueles que dura, dura fazia cá um jeitaço no meu trem de cozinha.        
Estou desnorteada, vou consultar a minha vidente, neste caso tridente porque a senhora só tem três dentes, estou deveras preocupada com o meu futuro depois de levar com tanto vudu, não vá o diabo tece-las e sair-me um tear numa raspadinha.
Pronto já sei, acabei de dar uma boa nova ao governo, lá vem mais bronca para o meu lado, amanhã os idosos com pensões inferiores ao salário mínimo vão ser obrigados a usar sapatilhas de rodinhas e cortam as comparticipações no passe social.
Viva a liberdade de expressão!
  
          
Conceição Bernardino


Fonte: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/2011/10/este-pais-nao-e-para-mim.html

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