Henrique Pedro

Cada poema que escrevo é um cigarro que acendo - 12Dez2018 23:46:00





Não fumo nem nunca fumei
não compreendo por isso esta imagem triste em que me inspirei

Cada poema que escrevo é um fósforo que risco
na obscuridade

Ouço-lhe o ruído breve
característico da ignição
esforço-me por proteger a chama pequenina da verdade
com a concha da mão
o tempo suficiente para acender um cigarro
de amor e martírio no meu coração

A sonhar que arde
aquece
ilumina
anima
e não mais se esquece

Se ata 
se ateia a outra e a outra candeia
em cadeia

Que é uma fogueira de ideia
de poesia
que ilumina a Terra inteira

Oh, Deus!
Cada poema que escrevo
é mais que um fósforo que risco
para acender um cigarro
a que me amarro
para deixar arder
e esquecer

É uma chama de amor que arde
sem se ver

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/cada-poema-que-escrevo-e-um-cigarro-que.html

Sem título, sem tema, sem autor - 11Dez2018 20:25:00




Um poema poderá não ter título
nem ter autor
sequer

Poderá não ter tema
nem falar de dor
ou de amor

Poderá mesmo falar de tudo
sem nada dizer
e ser dilema

Um poema, porém, terá que ter leitor
mesmo que não saiba ler

Terá que ser sentido por alguém
mesmo que não tenha metro nem rima
não mereça a estima
nem tenha sentido para ninguém

Poderá ser só um rosnar
um ranger de dentes
um uivar de lobo
um grito de socorro
um estado de afasia
um apontar de dedo à estrela polar
um exercício de razão
uma exclamação de alegria

Um poema poderá ser um olhar tão-somente
um sentir
um devir
um dever
um presente
uma emoção
uma inocente lágrima de pranto
uma folha de papel em branco

Um poema, porém, terá que ter poesia

Amém

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/sem-titulo-sem-tema-sem-autor.html

Criar do Nada - 09Dez2018 21:55:00






Criar
é dar o ser a algo
ou a alguém

Criar do nada
não é poder de ninguém

Que criou, o homem, até hoje, do nada?

Nada!
De palpável, nada!

Nada que se veja, se palpe ou se ouça
Nem mesmo o pulsar silencioso do coração quando ama

Porque para se ver é preciso algo que reflicta luz

Para se ouvir é necessária alguma coisa que soe

Para se tactear é preciso algo que toque a pele

Para se dar vida é preciso algo que já vive

Para se acender uma fogueira é necessário algo que já arda

Nem mesmo um simples poema que seja sai do nada mesmo se o coração do poeta está vazio

O próprio nada matemático foi criado dos números inventados

O próprio amor não sai do nada
é fruto de matéria interior

Criar do nada é privilégio do Criador


Vale de Salgueiro, 09 de Dezembro de 2018
Henrique Pedro





Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/criar-do-nada.html

Anatomia da alma - 07Dez2018 20:34:00




Despedacem-me o corpo
que a vida se esvairá num sopro

Retalhem-me o coração

Apenas encontrarão sangue
que livremente escorrerá pelo chão
nem o mais leve indício de afecto
a indelével marca da paixão

Dissequem o meu cérebro

Encontrarão apenas axónios
e neurónios
ondas cerebrais
e nada mais

Não perceberão uma só ideia
tão pouco um projecto
um poema
a mais leve crítica ao sistema
sequer
o menor traço de homem ou mulher

Mas eu estarei lá!

Continuarei a amar e a sonhar
a pôr-me a salvo
expedito
sem soltar um só grito
nalgum lugar fora do espaço-tempo
imune à chuva e ao vento
já no Universo do Espírito

A minha alma só eu posso dissecar
com poesia
e só Deus conhece a sua anatomia



               Vale de Salgueiro, 16 de Abril de 2008
               Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/anatomia-da-alma.html

- 05Dez2018 22:51:00



Há momentos
quando cumpria a rotina nocturna
de me ajoelhar no centro da abóbada celeste
para rezar e reflectir
de olhos postos no Céu

Aconteceu tudo se transformar numa imensa dúvida
que implodiu a minha Razão
a fez colapsar
e me esmagou

Apenas me via e sentia
como o ser mais insignificante do Cosmos
sem ter explicação para nada

Mas o meu coração transbordava de algo maior que o Universo
que me fez levantar
e continuar a olhar a noite
ainda angustiado
mas de pé

Algo que apenas sei traduzir por duas letras

Fé!

Vale de Salgueiro, terça-feira, 2 de Setembro de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/fe.html

Bolhas de Amor - 04Dez2018 23:50:00




Os peixes nadam circunscritos ao meio aquático
soltando bolhas de ar sempre que vêm à superfície
e que se perdem na atmosfera

As aves voam nos céus agitando o ar com as asas
sem ousarem libertar-se da terra

Os humanos são mais que animais

São bolhas de vida
confinadas à campânula de ar que envolve a Terra
que soltam bolhas de ideias que se evolam
e se perdem no espaço

São ainda mais na verdade

São bolas de sabão insufladas de razão
a flutuar no ar

Bolhas de espírito preso a ideias e afectos 
a procurar libertar-se das teias da animalidade

Bolhas de amor
que explodem no seio do Criador

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 8 de Março de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/bolhas-de-amor.html

Em Dezembro - 02Dez2018 22:52:00





Em Dezembro o Inverno é um inferno
frio e cinzento
contratempo

A alegria é triste
e o silêncio é denso
pesado
compassado

As noites são longas
e os dias
longos crepúsculos
opúsculos de impaciência

É tempo de reflexão
hora de resistir à impaciência
de despir por dentro
e vestir por fora
como se nos estivéssemos a despedir
sem saber para onde ir

Em Dezembro
as abelhas dormem nas colmeias
em suas celas de cera e mel
à espera da Primavera

Já as primeiras flores de laranjeira
nascidas a destempo
foram sacrificadas o vento gélido
e à geada
do Inverno cruel

Como o primeiro amor
que ainda em flor
foi tolhido pela intempérie
e atirado ao vento
num insano gesto
impensado pensamento

Em Dezembro
o vento é um longo lamento


Vale de Salgueiro, sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/em-dezembro.html

Apocalipse - 30Nov2018 19:52:00





Mil rostos tem a Hidra
mil cabeças e tentáculos
mil mandíbulas e garras
mil amarras da Razão 
mil trágicos espectáculos
mil insanas ideias 
simulacros da Verdade
sinistras teias da globalização
eclipse da Humanidade
apocalipse da Criação

Abro as mãos em oração
liberto a mente da notícia malsã
solto o coração

Deus existe
hoje como outrora e amanhã
apenas anda ausente

É o diabo que no presente comanda as nações
que na Terra semeia a fome, a peste e a guerra
o temor nos corações
pela mão do próprio homem
das máquinas e maquinações
que mais agravam as catástrofes naturais

É o homem que expulsa as aves dos ares
aprisiona os rios e abate a floresta
transforma os oceanos em abismos de enganos
em funestos alvedrios
da natureza pouco resta

É o homem que vicia o amor e gera o ódio
conspurca o solo
envenena o ar
encobre o Sol e ofusca a Lua
toda a maldade é obra sua
oh que triste episódio!

Das fontes já não brota poesia
antes veneno e desencanto
pranto e sofrimento
morte de toda a sorte
ofensa e aleivosia
mentiras a esmo
resmas de pecado
tristeza e lamento

O homem justo ama Deus
não tem medo do diabo
apenas se teme a si mesmo

Vale de Salgueiro, 8 de Novembro de 2007
Henrique Pedro






Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/apocalipse.html

Caminhando de mão dada - 28Nov2018 19:01:00




Numa destas noites mágicas de verão
caminhava eu de mão dada com a minha amada
ambos na doce ilusão de que éramos livres
estando nós prisioneiros do nosso amor
e encarcerados
além do mais
na etérea redoma a que chamamos abóbada celeste
que ainda mais nos acicata o espírito
e nos põe a sonhar

Paro para a beijar
dou-me conta de que bruxuleiam estrelas
no seu olhar

Sendo que cada estrela minúscula 
é um mundo imenso que assim se disfarça
e que cada bruxuleio esconde um número astronómico
anos-luz de tempo e distância

Também no amor se confundem o espaço e o tempo
e por isso a unidade de medida do amor
é o amor-luz

Tudo isto reluz
na luz do olhar da minha amada
quando com ela caminho de mão dada
se reflicto e releio

Ao amor o universo infinito se reduz

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/caminhando-de-mao-dada-com-minha-amada.html

Fósforo - 26Nov2018 21:26:00




Cada poema que escrevo
é um fósforo que risco
na noite dos dias
sem luz

Ouço-lhe o ruído breve
característico da ignição
tento por proteger a chama
pequenina
com a concha da mão
o tempo suficiente para acender um círio
de amor sem martírio
num outro coração

Sonhando que arde
aquece
ilumina
anima
e já ninguém mais esquece
porque se ateia
se ata
a outra e outra candeia
em cadeia

É a fogueira da poesia
a chama da ideia
a iluminar a Terra inteira

Mas oh, Deus!
Quantas vezes cada poema que escrevo
é como se fora um fósforo que risco
para acender um cigarro
a que me amarro
para deixar arder
para esquecer

E que arde
sem se ver

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/fosforo.html

O enigma felicidade - 25Nov2018 21:17:00





Vista do lado de fora
à luz do dia
a felicidade chama-se alegria

Por dentro é contentamento

Poderá ver-se num olhar
num sorriso
numa imperceptível expressão facial
num abraço
num aperto de mão
no bater do coração

Até numa lágrima
num embaraço
ou noticiada nalgum jornal
também

Muitos a procuram
porém
nos bares
nos estádios
no sossego dos lares
na religiosidade de um templo
ou até na aspereza da Natureza

Poderá andar por aí, sim 
mas não é aí que a felicidade
se encontra ou mora de verdade

É dentro de nós que a devemos procurar
e só nós em nós a poderemos despertar

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/o-enigma-felicidade.html

Vou ali e já volto - 24Nov2018 01:01:00





Vou ali
e já volto

Ali
ao virar de uma esquina da vida
a uma terra prometida
a um qualquer sítio da Internet
que promete

Vou comprar fósforos
tabaco
e o jornal

Sal para temperar o jantar
que o que havia em casa
se esgotou

Podem ir comendo a sopa
e a comida que está na copa
não me demoro
embora não saiba bem 
aonde e nem
ao que vou

Talvez procurar uma mulher a quem amar
um homem que também me ame
alguém que me chame
para viajar
não importa a que lugar

Poderei tropeçar num sonho
num simples poema
qual o problema?

Podem ir comendo a sopa
não será demorada
a minha demora

Preciso mesmo é de apanhar
ar
de sair daqui para fora

Vale de Salgueiro, terça-feira, 2 de Junho de 2009
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/vou-ali-e-ja-volto.html

O imortal morreu - 21Nov2018 23:12:00




(Honni soit qui mal y pense)

O imortal morreu!

Foi a enterrar com pompa e circunstância
concorrido foi
o funeral

Não consta que haja ressuscitado
pelo menos até ver
a menos que ande disfarçado
ou esteja escondido em algum lugar
à espera de voltar a morrer
quando melhor lhe aprouver

O imortal morreu
contrariamente ao que se previa
tal era o seu brilho e vaidade
mas nenhum milagre 
aconteceu

Persiste contudo a esperança
de que venha a ressuscitar
em mais asados tempos
quando os ventos
soprarem a desconfiança
de vir a vagar
o lugar de Deus

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 24 de Junho de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/o-imortal-morreu.html

Se pequei de amor contigo? - 20Nov2018 21:42:00





Se pequei de amor contigo
procurei no pecado
a virtude

Crente de que tomava a via do amor
para a verdade
de que o prazer induzia
espiritualidade
e por crer que jamais o amor
gerava dor
e a virtude ilicitude

Sou agora ciente
de que múltiplos são os caminhos da vida

mas um só o sentido da mais pura paixão

O sentido único da iluminação


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 25 de Março de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/se-pequei-de-amor-contigo.html

Há roseiras a ?rosir? em Janeiro - 19Nov2018 22:11:00






Os meus passos perdem-se no espaço
e no nevoeiro
espesso
num dia frio
e nevoento
de Janeiro

É de cansaço
o meu bafo

Ocioso
ando em círculo à roda de mim
esquecido do tempo
com o ciclo do coração em curto-circuito
e o pensamento sem ideias
gratuito
em círculo vicioso
paredes meias
com a angústia

De que lado irá nascer o Sol?
Não sei
nem sei se vai

Só sei que por todo o lado há nevoeiro 
e que eu ando
obnubilado

Embora haja roseiras a ?rosir? em Janeiro


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/ha-roseiras-rosir-em-janeiro.html

Deus lê a minha poesia - 18Nov2018 21:48:00




2
Deus lê a minha poesia

E veio Deus
o Todo-poderoso Criador Inato
que não dorme em serviço
e que tudo sabe
embora nada comente?

E veio Deus
dizia eu
leu os milhares de poemas que até hoje escrevi
embora nem todos estejam ainda publicados?

Deus
para Quem eu não tenho segredos
mas que a mim nada me diz
torceu o nariz
e para meu espanto 
e encanto
embora não seja eu o único destinatário
lavrou o seguinte comentário:
- Olá, Henrique! Lamento ter que te desiludir. Esquece tudo isto que escreves-te, porque nada se aproveita. Nem o ideário nem o valor literário. Para mim, apenas uma simples ideia-afecto, que se expressa numa única palavra, conta. Mas terás que ser tu e todos que escrevem e lêem poesia a descobri-la!

A minha primeira reacção
querido leitor
foi de furor
e de desânimo

Até que se me iluminou o coração
e ganhei outro ânimo

Deus tem razão!

Um só vocábulo tem sentido
e deve ser repetidamente usado
vertido e retrovertido
com muita alegria
e com muito tino
em toda a poesia
seja ela de rima livre
ou cruzada
de metro heróico
ou alexandrino

Um só vocábulo capaz de aplacar
toda a dúvida
e toda a dor
merece o aplauso de Deus Senhor

A palavra Amor


Vale de Salgueiro, segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/o-pao-nosso-de-cada-dia-2-deus-le-minha.html

E Deus disse? - 17Nov2018 21:11:00



1
E Deus disse?


E Deus disse:
- Dou-te a palavra, escreve o poema!

E a primeira palavra que Deus nos deu
foi a palavra ?palavra?
inscrita no gesto
na fala
no olhar
que apalavrou o primeiro verso
lavrou o primeiro poema
o primeiro convite a amar

Até que ao sétimo dia Deus descansou
e nos deixou sós
de mente desperta
aprendendo a melhor falar
a ler e a escrever como deve ser

Para que seja o poeta
com poesia e alegria
a despertar o espírito
que dorme em cada um de nós

Vale de Salgueiro, domingo, 7 de Junho de 2009
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/1-e-deus-disse.html

50 Sonetos de amor (L Um Homem pregado numa Cruz) - 13Nov2018 19:21:00




L

Um Homem pregado numa Cruz


Bato a todas as portas do Universo
Todos os sábios da Terra questiono
Com os males do mundo me emociono
Por toda a parte o clima me é adverso

Leio todos os livros de prosa e verso 
A todas as bibliotecas eu assomo
Nos laboratórios perco o meu sono
Procurando um consolo incontroverso

Em todas as igrejas procuro a Luz
Força para sofrer e me manter de pé
Apenas uma vivência me seduz:

A dum Homem que me diz, pregado na Cruz:
- Ama o teu próximo, é a minha Fé.
Por ti, sofri, com Amor. Sou Cristo Jesus!

Vale de Salgueiro, 27 de Abril de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-l-um-homem-pregado.html

50 Sonetos de amor (XLIX AQUI?) - 13Nov2018 18:55:00




XLIX

AQUI?


Aqui, cume do monte dominante
De um reticulado curvilíneo
De colinas moldadas no fascínio
Da alma do poeta diletante

Aqui, nasceu, em mim, a poesia
Pela magia do amanhecer
Com reflexos de fé e bonomia
Que também brilham ao entardecer

Aqui, sempre me quedo, radiante
À hora que o Sol se põe, sanguíneo
Por detrás do horizonte distante

Aqui, face ao Mundo a sofrer
Ao Senhor dos Aflitos eu pedia
Não deixasse, Ele, de lhe valer?


Vale de Salgueiro, domingo, 10 de Agosto de 2008
Capelinha do Senhor dos Aflitos (Alto da Serrinha)
Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xlix-aqui.html

50 Sonetos de amor (XLVIII A Luís Vaz de Camões) - 13Nov2018 18:33:00




XLVIII
A Luís Vaz de Camões

Vi-te chorar nessa praia luzente
A lírica ave, esse teu amor
E como tu, triste, gasto de dor
Quisera sofrer lá no Oriente

Cuidando em mim como em ti fizeram
Dois olhos meigos eu quisera ter
E de puro amor por fim morrer
Como tu, como poucos que souberam

Canora lira geme novamente
Leda e saudosa melodia
Em tudo, em nada diferente

Do som que belas tágides tiveram
Quando desta terra se partia
Querido ser que em Babel depuseram

Chaves, Junho de 1964
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xlviii-luis-vaz-de.html

50 Sonetos de Amor (XLVII Chegar, amar e partir) - 12Nov2018 19:00:00




XLVII
Chegar, amar e partir


Ela chegou sôfrega como ele imaginou!
Mas deram um só abraço, bem apertado, ardente?
Sentiam a sofreguidão do desejo pela frente
Assim, ele, como ela, paciente, esperou.

Aquela era, sim, a mulher com quem sempre sonhou
Não haveria razão para estar impaciente
Apenas deles dependia esse amor candente
Ela acreditava, também ele acreditou

E quando entendeu Deus, levá-la, contrariada
Ainda assim, resignada, a Deus ela sorriu
Mas partiu, triste, para sempre a ele abraçada

Mas se ao desejo da chegada dela resistiu
À trágica despedida da vida, inesperada
Agora, triste, para sempre só, ele sucumbiu

Vale de Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xlvii-chegar-amar-e.html

50 Sonetos de Amor (XLVII O Amor) - 11Nov2018 17:19:00



XLVII
O Amor

(Heptassílabo ou redondilha maior)


É-nos dado, sim, saber
E sentir que o amor
É o oposto da dor
Vital no nosso viver

Seria bom, não sofrer
Sentir  do amor calor
Sem haver dor ao redor
Viver só puro prazer

Não sabermos bem amar
Nem sabermos bem-fazer
É o amor aviltar

No sentir do sentimento
Ninguém se pode enganar
É puro conhecimento

Vale de Salgueiro, domingo, 7 de Novembro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xlvii-o-amor.html

50 Sonetos de Amor (XLV A fulgência de Deus) - 10Nov2018 18:23:00



XLV

A fulgência de Deus


Quando, num só tempo, sofremos e amamos
E o coração nos dói do mais puro amor
Ou ainda mais amamos quem está com dor
E a essa mesma dor também nos entregamos

Ou quando de quem amamos nos separamos
E mergulhamos na tristeza e no torpor
Ou quem bem nos ama nos recebe com calor
Se nós de um longo afastamento regressamos

Ou se a morte, a mais cruel realidade
Nos obriga a um definitivo adeus
A quem nós também muito amamos de verdade

Se ainda assim damos louvores aos céus
Será quando com a maior claridade
Em nós se faz sentir a fulgência de Deus

Vale de Salgueiro, sábado, 13 de Setembro de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xlv-fulgencia-de-deus.html

50 Sonetos de Amor (XLIV Palavras-chave) - 08Nov2018 22:12:00




XLIV
Palavras-chave


Sim! Há palavras que valem por si.
São as palavras dotadas de alma!
Põem os humanos em frenesi                                        
Mesmo se ditas na maior calma

Como a primeira que proferi:
A palavra ?Mãe? que leva a palma!
Ou a segunda que bem entendi:
A palavra ?Pai? que bem me acalma!

São palavras de glória, confesso
Que dão corpo e alma ao poema
São ?Amor?, a chave do Universo

E porque o mundo vai do avesso
Endireitá-lo é grande dilema.
Só a palavra ?Paz? terá sucesso!

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 18 de Julho de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xliv-palavras-chave.html

50 Sonetos de Amor (XLIII Dor de amar demais) - 06Nov2018 22:21:00



XLIII
Dor de amar demais


Fenece, só e triste, como o ledo lírio 
Aquele que ama, com paixão, uma mulher
Se mesmo não a podendo ter como bem quer
Continua a amá-la, feito louco, em delírio

Sofre demais o emigrante no seu martírio
De sentir-se longe do lar, sem o querer
A mais cruel saudade é o seu sofrer
O desejo do regresso arde como sírio

Também o santo místico que vive na fé
É torturado pelo silêncio divino
Só essa mística paixão o mantém de pé

Aquele que mais ama mais sofre, já se vê
Apenas alma grande não força seu destino
E aceita a vida tal como ela é

Vale de Salgueiro, 13 de Abril de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/11/50-sonetos-de-amor-xliii-dor-de-amar.html

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